Política
Lula deve escapar do 1º de maio para blindar o fim da escala 6×1
O presidente Lula vem sendo aconselhado por assessores a não participar dos atos convocados pelo PT para o 1º de Maio, em defesa do fim da escala 6×1. A avaliação é há um risco do esvaziamento público superar o eventual ganho político, ainda que esta seja uma das principais bandeiras da sua campanha à reeleição – ou talvez por isso mesmo. A cautela tem razão de ser. Os atos sindicais do Dia do Trabalhador vêm acumulando sucessivos fracassos de mobilização nos últimos anos. Em 2024, por exemplo, o evento organizado pelas centrais sindicais em São Paulo reuniu menos de duas mil pessoas – as imagens de Lula discursando para gatos pingados foram constrangedoras. A pauta do fim da escala 6×1 é relevante demais para se tornar um tiro no pé: no entorno de Lula, o receio é que, ao participar da manifestação do 1º de maio, o presidente fique exposto a mais uma demonstração de incapacidade de mobilização da esquerda. É um paradoxo que desafia o Partido dos Trabalhadores, forjado numa época em que multidões de operários se acotovelavam em portas de fábricas: o governo aposta em uma agenda trabalhista de forte apelo popular, mas encontra dificuldade em levá-la às ruas.