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Como se não bastasse a notória dificuldade de viabilizar novos projetos e reduzir a dramática dependência de fertilizantes importados, o Brasil enfrenta agora a ameaça de desinvestimento de grandes players do setor. É o caso da Mosaic. Segundo o RR apurou, após suspender temporariamente a produção de superfosfatados (SSP) no Paraná e em Minas Gerais, a companhia norte-americana discute medidas contracionistas mais drásticas. De acordo com uma fonte próxima à empresa, as hipóteses sobre a mesa incluem da descontinuidade de linhas específicas até mesmo ao fechamento definitivo de uma das duas fábricas afetadas pela paralisação – Paranaguá (PR) e Araxá (MG). Em Minas Gerais, há, desde já, forte tensão entre os funcionários. Segundo informações filtradas junto a lideranças sindicais, correm rumores sobre demissões na unidade de Araxá. Ressalte-se que, no ano passado, a companhia já havia negociado sua única mina de potássio no Brasil, a Taquari-Vassouras, localizada em Rosário do Catete (SE), para a VL Mineração. Procurada pelo RR, a Mosaic não quis se pronunciar.
O redimensionamento da capacidade industrial da Mosaic no Brasil seria a saída encontrada para reduzir a ociosidade e preservar rentabilidade. O pano de fundo da entressafra no Brasil é uma deterioração mais ampla do mercado, um choque simultâneo de demanda e competitividade. Entre outros fatores, a empresa sofre os efeitos da escalada de preços do enxofre, uma de suas principais matérias-primas: o valor para a entrega da commodity nos portos brasileiros subiu para a faixa de US$ 540–550/t (CFR) em janeiro, ante cerca de US$ 510–515/t no começo de dezembro, em um movimento que pressiona diretamente o custo de produção do SSP. Nesse cenário, mesmo para um gigante global da indústria de adubos, está cada vez mais difícil competir com a crescente entrada no país de produtos fosfatados provenientes da China. No ano passado, as vendas da Mosaic no mercado brasileiro ficaram estagnadas na casa dos nove milhões de toneladas, frustrando as projeções de aumento do volume de até 10%. Some-se a isso as taxas de juros nas alturas e a torrente de recuperações judiciais no setor agrícola no Brasil. Grandes distribuidores de insumos agrícolas, como a Agrogalaxy, e produtores rurais sofrem com dívidas impagáveis e acesso a crédito restrito.
Além dos problemas do mercado interno, a retração da Mosaic no Brasil reflete também o período conturbado da própria matriz. Nos Estados Unidos e no Canadá, a companhia reportou uma queda acentuada da demanda por fertilizantes no quarto trimestre de 2025. Em resposta, a empresa se viu forçada a reduzir seu plano de produção de fosfatados na América do Norte e redirecionar volumes para mercados com consumo mais resiliente. Como consequência, a Mosaic decidiu alienar ativos para recompor caixa. Em dezembro, vendeu sua operação de potássio em Carlsbad, Novo México, para a International Minerals Carlsbad. Uma coisa está diretamente ligada à outra: o desempenho cadente na América de cima pressiona ainda mais o grupo a enxugar suas operações na América de baixo.
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