Buscar
Mercado
Em meio ao processo de recuperação extrajudicial, o Grupo Pão de Açúcar (GPA) prepara uma nova rodada de monetização de ativos imobiliários. A estratégia, segundo o RR apurou, combina três frentes simultâneas: venda de imóveis não estratégicos, ampliação de operações de sale and leaseback e renegociação em massa de contratos de aluguel. A companhia já iniciou um mapeamento interno para identificar imóveis passíveis de alienação. Em paralelo, abriu conversas com proprietários para reprecificar uma base de arrendamentos que soma R$ 4,37 bilhões, com foco em redução de desembolso e devolução de pontos de baixa rentabilidade. O problema é que o GPA já queimou parte relevante da lenha. Com 726 lojas em operação, a empresa não dispõe mais de um grande estoque de imóveis livres para monetização imediata. Pelas estimativas do setor, entre 60% e 80% da rede opera em imóveis alugados. Em outras palavras, a companhia já fez, na prática, a migração para um modelo asset light. O espaço para vender ativos “puros” diminuiu — e as alternativas ficaram mais complexas. Mas o principal vetor de geração de caixa pode estar fora da venda de ativos. A renegociação da base de aluguel passa a ser tão relevante quanto qualquer desinvestimento. Isso envolve desde a devolução de lojas deficitárias até a reprecificação de contratos — redução temporária de aluguel, alongamento de prazos ou conversão parcial de custos fixos em variáveis. Em termos financeiros, reduzir essa obrigação futura pode ter impacto maior do que levantar algumas centenas de milhões com vendas pontuais. Procurado pelo RR, o GPA não se pronunciou até o fechamento desta matéria.
Todos os direitos reservados 1966-2026.