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A “Nova BNDESPar”, que disponibilizará R$ 10 bilhões para o financiamento de “empresas” maduras, conforme anunciado pelo presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, já tem duas companhias na mira: WEG e Embraer. Em uma analogia com o Mundial de Clubes, ambas são vistas dentro do banco como o PSG e o Bayern das corporações nacionais. Ou seja: duas potências.
Em uma segunda prateleira na tabela de classificação, também no radar da agência de fomento, estão as primas-irmãs Raízen e Cosan, que têm a onipresença de Rubens Ometto no seu controle. Usando-se o mesmo paralelo, são, neste momento, algo como Flamengo e Botafogo. No caso da Embraer, ressalte-se, a BNDESPar já tem uma participação no capital, de 5,37%.
Os critérios serão diferentes dos adotados pelo braço de participações do BNDES em outro momento da história, que, por exemplo, levaram a JBS a se transformar no grande conglomerado da cadeia de proteína. O grupo dos irmãos Batista é essencialmente um produtor de commodities. Mercadante quer que os investimentos do BNDESpar sejam focados em empresas que reúnam conjuntamente os seguintes atributos: atuem no setor industrial; sejam corporações globais; estejam ligadas direta ou indiretamente à atividade exportadora; e tenham uma pegada ambiental.
Mercadante tem outras preocupações para além dos parâmetros de escolha das companhias beneficiadas: montar um sistema de auditoria dos empréstimos à prova do modelo toma lá dá cá de outros tempos, do qual a própria JBS é o maior símbolo. Qualquer semelhança com o passado seria um prato cheio para a oposição. Não que o grupo dos Batista não tenha dado certo, tornando-se a maior companhia do seu setor – em parte devido ao dinheiro maculado do BNDES.
Mas a associação acabou arrastando a BNDESPar, involuntariamente, para um território marcado por práticas de corrupção. A JBS tornou-se um dos símbolos da Lava Jato.
No caso da “Nova BNDESPar”, as próprias empresas que deverão ser escolhidas já funcionam, por si mesmo, como um hedge natural contra suspeições. WEG e Embraer, por exemplo, são companhias sobre as quais nunca pairaram qualquer acusação de más práticas.
O apoio à indústria tem ainda outra função: cumpre a promessa de Lula de que seu governo seria marcado pela reindustrialização. Passados dois anos e meio de mandato, a gestão lulista corre atrás do prejuízo naquele que deveria ser o setor mais dinâmico da economia. Bem, antes tarde do que nunca.
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