Buscar
Governo
A direção dos Correios está criando novos problemas antes de resolver os antigos. Em meio à profunda reestruturação do seu mantenedor, a Postal Saúde lançou novas modalidades de planos para empregados, aposentados, ex-empregados e familiares. Em condições normais de temperatura e pressão, seria uma iniciativa mais do que justa, mas, diante da grave crise da estatal e do seu plano de saúde, parece coisa de gestão populista. A ampliação da cobertura, neste momento, ameaça agravar ainda mais as pendências da Postal Saúde com a rede credenciada. Hospitais, clínicas e laboratórios cobram da empresa pagamentos atrasados que, em alguns casos, se arrastam há mais de um ano. A dívida dos próprios Correios com a Postal Saúde chegou a R$ 740 milhões. O passivo provocou suspensão de consultas, dificuldades para autorizar exames, descredenciamento de prestadores e interrupção de atendimentos em diversas regiões. Grupos como Rede D’Or, Unimed, Dasa, Kora e Beneficência Portuguesa suspenderam serviços diante da falta de pagamento. Os próprios funcionários da estatal chamam atenção para a contradição da Postal Saúde. A FINDECT, federação que representa trabalhadores dos Correios, já se manifestou de forma contrária ao lançamento dos novos planos. A entidade encaminhou um manifesto à direção da estatal cobrando a regularização dos pagamentos à rede credenciada e alerta para o risco de os beneficiários ficarem no meio do caminho, pagando mais por um sistema que ainda não recuperou sua capacidade plena de atendimento. Para os sindicatos, a prioridade deveria ser recompor a confiança na Postal Saúde antes de criar novas vitrines comerciais.
Todos os direitos reservados 1966-2026.