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Destaque
Asfixia orçamentária da ANM vale ouro para o crime organizado
12/06/2026Além da suspensão de novos leilões e do impacto sobre investimentos em minerais estratégicos, a crise orçamentária da Agência Nacional de Mineração (ANM) está causando um efeito colateral ainda mais grave e menos visível: o desmonte na primeira linha de defesa do Estado contra o mercado ilegal de ouro, diamantes e pedras preciosas. Segundo o RR apurou, o trabalho de fiscalização in loco, leia-se garimpos, plantas de beneficiamento e rotas de escoamento, está praticamente parado. As viagens para as regiões de extração foram quase todas canceladas. Não há verba e nem sequer funcionários suficientes para proceder às diligências de campo. Sem o devido controle físico na originação, a rastreabilidade de toda a cadeia do ouro e de pedras preciosas está severamente comprometida. Trata-se de um convite à proliferação de garimpos ilegais e à infiltração do crime organizado em todas as etapas do negócio, da extração ao transporte e posterior envio ao exterior. Ou seja: no momento em que os Estados Unidos classificam facções criminosas brasileiras como grupos terroristas e fecham o cerco a fluxos financeiros ilícitos, a asfixia financeira da ANM tem levado a um afrouxamento na fiscalização de ouro, diamante e pedras preciosas, deixando o caminho livre para o contrabando, o esquentamento de mercadorias ilegais e a lavagem de dinheiro. Procurada pelo RR, a ANM informou, por meio de nota, que “a redução de recursos impõe revisões sucessivas de planejamento, limita deslocamentos de equipes técnicas e compromete atividades que dependem de fiscalização presencial”. A agência confirma que “em algumas áreas, os efeitos já ultrapassam a simples redução da capacidade operacional e resultam na suspensão ou paralisação de ações consideradas essenciais para o funcionamento da política mineral brasileira”.
Em 2010, a estrutura do antigo DNPM, que daria origem à ANM, tinha cerca de 1,2 mil funcionários. De lá para cá, esse contingente tem se esfarelado ano após ano. Segundo dados de fevereiro, apenas 669 cargos estão ocupados. Ressalte-se que, por lei, a ANM teria direito a 1.831 postos de trabalho. Ou seja: a agência opera com um déficit de pessoal de 63%. Faltam, por exemplo, 458 especialistas em recursos minerais e 477 técnicos em atividades de mineração, carreiras diretamente ligadas à análise de títulos, vistorias, diligências presenciais e fiscalização da produção mineral. Para cumprir todas as suas atribuições, a ANM precisaria, por baixo, de R$ 160 milhões anuais. Porém, seu orçamento previsto para este ano é de apenas R$ 96 milhões, e o valor executado, ao que tudo indica, sequer chegará a esse patamar. No fim de maio, o governo bloqueou R$ 22 milhões em recursos da agência. A erosão do poder fiscalizatório da ANM é flagrante. Em 2024, a agência realizou 2.105 ações de fiscalização. Em 2025, o número caiu para 1.433, ou seja, um recuo de 33%. Pior ainda: as vistorias presenciais recuaram de 1.226 para 983 na comparação entre os dois anos.
De acordo com relatório produzido no ano passado pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência), em parceria com a DNI (Direção Nacional de Inteligência), da Colômbia, a extração ilegal de ouro no Brasil chegou a quase 27 toneladas em 2025, o que corresponde a mais de um terço da produção total do país (80 toneladas). Significa dizer que a exploração ilícita, o comércio clandestino dentro do próprio Brasil e o contrabando para o exterior movimentaram mais de R$ 16 bilhões. As facções criminosas estão no núcleo desse “mercado”. Investigações da Abin mostram que o PCC e o Comando Vermelho, recém-elevados à condição de “grupos terroristas” pelo governo Trump, têm usado o ouro e pedras preciosas para pagar a compra de drogas de países como Colômbia e Bolívia. Ou seja: além do contrabando e da lavagem de dinheiro, a extração ilegal desses minérios tem ajudado a financiar o tráfico. É o que as autoridades chamam de “narcogarimpo”.
O “narcogarimpo” é, acima de tudo, um assunto para as forças de segurança, notadamente Polícia Federal e o próprio Exército. Mas há toda uma disfuncionalidade do aparelho de Estado que atravessa diferentes órgãos de controle e fiscalização. E a ANM tem a sua parcela de responsabilidade na ponta inicial, na originação. Sem dinheiro, a agência tornou-se um síndico ausente. A Resolução ANM 129/2023, por exemplo, obriga mineradores de ouro, prata, diamantes e pedras coradas a monitorar operações sem fundamento econômico, transações incompatíveis com práticas de mercado e negócios em regiões de extração mineral consideradas de risco. É uma determinação para inglês ver. Na prática, a ANM não consegue acompanhar o cumprimento dessa resolução e muito menos impor sanções a quem a infringe. O apagão no processo de fiscalização acaba por desaguar na concessão indiscriminada de autorizações de lavra da agência. No ano passado, o TCU apontou “fortes indícios” de que títulos minerários estavam sendo usados para “esquentar” ouro ilegal extraído de terras indígenas e unidades de conservação. A decisão determinou que a ANM iniciasse o cancelamento de permissões ilícitas e corrigisse falhas no controle das Permissões de Lavra Garimpeira (PLGs). A ONG InfoAmazonia identificou que, entre 2022 e 2026, 540 PLGs declararam R$ 10 bilhões em produção de ouro na bacia do Tapajós. No entanto, quase metade delas, 263 permissões, não apresentava sinais de exploração compatíveis com os valores informados. Segundo o levantamento, quase 60% do ouro de garimpo legalizado no Brasil passou por uma PLG do Tapajós nesse período. O Greenpeace chegou à conclusão semelhante: 98 PLGs com irregularidades permitiram a comercialização declarada de 25,3 toneladas de ouro entre 2018 e março de 2026, avaliadas em R$ 18,4 bilhões.
Governo
Seca orçamentária da ANM ameaça leilões de direitos minerários
15/04/2026Doloroso paradoxo de um país que almeja ser um player determinante no jogo global dos minerais críticos: apesar do sinal verde do TCU para que a ANM retome áreas da 8ª Rodada com suspeitas de irregularidades, a agência ainda não tem segurança de que conseguirá realizar um novo leilão neste ano. A operação esbarra na falta de dinheiro para colocar o certame de pé. Nos bastidores, a ANM reconhece que a restrição financeira compromete não apenas a modelagem, mas toda a engrenagem necessária para viabilizar uma rodada. A própria agência já admite dificuldades para financiar etapas preliminares, como análise técnica das áreas, saneamento de dados, diligências e estruturação do edital. A aridez orçamentária ajuda a explicar por que a 9ª Rodada de Disponibilidade de Áreas vem sendo sucessivamente adiada. Oficialmente, a ANM fala em necessidade de garantir segurança jurídica e robustez técnica. Na prática, o entrave é mais prosaico: falta de recursos para tocar o processo.
Mineração
MPF quer abrir a caixa de Pandora das autorizações de lavra da ANM
23/09/2025Além do TCU, o Ministério Público Federal também vai abrir uma investigação para cavoucar todas as autorizações de lavra emitidas pela Agência Nacional de Mineração (ANM) desde dezembro de 2023, quando Caio Mario Seabra assumiu uma das diretorias do órgão regulador. Seabra foi preso pela Polícia Federal na última quarta-feira, acusado de participar de um esquema de “venda” de alvarás de pesquisa e lavra e de licenças ambientais, notadamente em Minas Gerais. A princípio, a operação da PF mira em aproximadamente 40 empresas que seriam as principais financiadoras do balcão de autorizações. No entanto, aos olhos dos procuradores, o escândalo coloca sob suspeição todas as licenças emitidas pela ANM nos últimos dois anos. Além de abrir esse alçapão no passado da agência, a investigação do Ministério Público e da Polícia Federal ameaça atravancar a concessão de novas autorizações, o que pode, inclusive, impor atrasos ao cronograma de licitações de áreas para mineração
Destaque
Impasse entre TCU e ANM ameaça travar leilões no setor de mineração
25/08/2025Em meio ao prometido anúncio de uma Política Nacional de Minerais Críticos e dos acenos do governo de estímulo à produção e processamento de terras raras, o Brasil corre o risco de um apagão nos leilões do setor programados ainda para este ano. Segundo uma fonte da própria Corte, o Tribunal de Contas da União (TCU) deverá barrar as novas licitações até que a Agência Nacional de Mineração (ANM) faça ajustes nas regras da concessão.
O ponto nevrálgico é a permissão para que os vencedores reduzam os valores ofertados mesmo após a conclusão do certame, sob a alegação de erro no preenchimento da proposta. No mês passado, o TCU determinou, de forma preliminar, a suspensão do resultado de dois leilões realizados em 2024 exatamente por conta da prerrogativa aberta pela ANM.
Em um deles, a 3D Minerals, sediada em Belo Horizonte, arrematou 116 áreas de minerais críticos (cobre, níquel e tântalo), mais da metade delas no Mato Grosso. A proposta ganhadora foi de R$ 37,57 milhões. Pouco depois, no entanto, a empresa afirmou ter cometido um “erro de digitação” e que a oferta apresentada seria, na verdade, de R$ 3,75 milhões.
Não obstante recomendação contrária da área técnica da agência, a diretoria da ANM se sensibilizou com o argumento e aprovou a concessão das áreas à 3D Minerals mesmo após a redução do valor a 10% do preço colocado no envelope. Algo similar ocorreu em relação à Zeus Mineração, que arrematou licenças de áreas de cobre e quartzito. Também alegando erro no preenchimento da proposta, a companhia conseguiu reduzir seu lance de R$ 10 milhões para R$ 1 milhão com o beneplácito da ANM.
Procurada, a ANM não se manifestou. Em contato com o RR, o TCU, por sua vez, confirmou a abertura de processo (008.317/2025-9), de relatoria do ministro Aroldo Cedraz, para “avaliar possíveis irregularidades na autorização da diretoria da Agência Nacional de Mineração (ANM) para a redução de lance que se sagrou vencedor de leilão de área mineral”. Segundo o Tribunal, a ação segue aberta e ainda não houve decisão de mérito.
Perguntada, a Corte não declinou se há outros casos semelhantes aos da 3D Minerals e da Zeus Mineração. No entanto, de acordo com a fonte do RR, o TCU vai passar um pente fino nas demais licitações realizadas pela ANM. A tendência é que o plenário não apenas confirme como amplifique os efeitos da decisão do ministro Aroldo Cedraz, estendendo-a aos demais leilões já em fase de preparação na Agência.
Nesse caso, a diretoria do órgão regulador ficaria impedida de aceitar eventuais mudanças das propostas após a licitação, seja qual for a alegação. Com isso, há um risco considerável de atraso no cronograma dos leilões programados pela ANM ainda para 2025 – o que está em jogo são direitos minerários sobre lotes que totalizam sete mil áreas, duas mil a mais do que as ofertadas pela Agência ao longo de todo o ano de 2024.
A lista de minerais inclui cobalto, cobre, grafita, lítio, níquel, nióbio e elementos de terras raras. O impacto sobre o cronograma se daria não apenas pela mudança no entendimento da ANM imposta pelo TCU, mas também pela ameaça de judicialização dos casos já em julgamento.
No setor, especula-se que tanto a 3D Minerals quanto a Zeus Mineração vão recorrer à Justiça caso a proibição à redução dos valores pagos seja referendada pelo plenário do TCU.
Mineração
ANM retoma leilão de áreas após desbloqueio de verbas
4/08/2025A Agência Nacional de Mineração (ANM) corre para realizar ainda neste ano um leilão de áreas minerárias. O adiamento do certame para 2026 já era dado como favas contadas no setor após o corte de verbas das agências reguladoras. Mas houve uma reviravolta da reviravolta. No último dia 31, o governo anunciou o descontingenciamento de R$ 22,8 milhões em recursos da ANM, reabrindo a possibilidade da licitação ocorrer até dezembro. Na agência, no entanto, existem dúvidas se haverá tempo hábil para a oferta de mais de sete mil novas áreas, como estava inicialmente previsto. Talvez o pacote colocado sobre o balcão tenha de ser menor, reduzindo assim o potencial arrecadatório. Na última rodada de leilões, no ano passado, a União levantou quase R$ 400 milhões com a oferta de cinco mil licenças.
Destaque
Leilão do fosfato de Miriri causa toneladas de apreensão nas autoridades da área de mineração
21/06/2024Uma licitação realizada há cerca de duas semanas pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) está deixando uma série de interrogações na área de mineração e na própria ANM (Agência Nacional de Mineração). O ativo em questão é a estratégica jazida de Miriri, uma reserva de 115 milhões de toneladas de fosfato na fronteira entre Pernambuco e Paraíba. Em outubro do ano passado, o SGB tentou passar a concessão à iniciativa privada, mas o leilão acabou adiado sem maiores explicações.
No último dia 4, enfim, a concorrência foi consumada. O que parecia ser o fim de uma novela talvez seja apenas o primeiro capítulo de outra. Segundo o RR apurou, o vencedor da disputa foi a Elephant Mineração. Disputa não é bem o termo: apenas a empresa apresentou proposta, no valor de R$ 100 mil.
Sua entrada em cena causou estranheza no setor. Consta que a Elephant, com sede em Cabedelo (PB), foi fundada apenas no dia 6 de dezembro de 2023, dois meses após a primeira data tentativa de licitação da jazida de Miriri e seis meses antes do leilão do último dia 4. Em suas informações de registro, o capital social declarado é de R$ 100 mil, exatamente o valor da proposta vencedora da licitação. Logo após o certame, a empresa não teria apresentado a documentação comprovando estar em situação regular junto aos fiscos federal, estadual e municipal, o que só ocorreu após o prazo extra de cinco concedido pelo SGB.
No mercado, existem dúvidas também em relação à qualificação técnica da Elephant. Não há informações sobre atividades da empresa e de seus acionistas na área de mineração. O RR fez seguidas tentativas de contato com a Elephant Mineração e seus acionistas, por meio do número de celular e do e-mail (no nome de Gama Filho), disponibilizados pela própria empresa em suas informações de registro e CNPJ. Entre às 15h32 do dia 18 e às 17h55 de ontem, foram precisamente 13 tentativas – quatro mensagens por WhatsApp, quatro ligações telefônicas e além de cinco e-mails.
Não houve retorno até o fechamento desta edição. O RR também encaminhou uma série de perguntas para o SGB, igualmente sem resposta. O espaço segue aberto para a posicionamento tanto da Elephant e de seus controladores quanto do Serviço Geológico do Brasil.
Outro ponto que chama a atenção é o passado recente dos acionistas da Elephant. Em 2020, Gama, pai, e Gama Filho foram investigados na Operação Calvário, que apurava desvios de recursos públicos nas áreas da educação e da saúde na Paraíba. Ambos ocupavam cargos no gabinete do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Arthur Paredes Cunha Lima. Gama Filho chegou a ser preso. Durante uma operação de busca e apreensão feita pela Polícia Federal em sua residência, ele foi flagrado escondendo um celular em um vaso de plantas. Indagado pelos policiais, Gama Filho disse que estava rezando próximo ao vaso.
Aliás, a fé parece ser um traço marcante do clã. No dia da licitação das reservas de Miriri, Gama, pai, foi visto segurando um crucifixo no auditório da Agência Nacional de Mineração.
Na própria ANM e no SGB, há uma certa apreensão com o resultado do certame e a capacidade da Elephant Mineração de assumir a operação. Miriri não é um projeto qualquer, ainda mais tratando se uma potência do agronegócio que importa mais de 60% dos fertilizantes fosfatados que consome. O depósito inferido corresponde a aproximadamente um terço das reservas comprovadas de fosfato do Brasil (em torno de 320 milhões de toneladas). Ressalte-se que os empreendimentos minerários em fosfato levam, em média, de seis a dez anos até o início da produção.
Ou seja: se as preocupações das autoridades do setor e da área de mineração em relação à Elephant forem totalmente infundadas, como se espera que sejam, ainda que a empresa inicie imediatamente os investimentos no local, Miriri só começará a “dar” fosfato, no mínimo, em 2030.
Destaque
Agência Nacional de Mineração corre risco de um “apagão”
2/10/2023O RR apurou que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem feito gestões diretas junto a Esther Dweck, titular da Pasta da Gestão e da Inovação, reivindicando a realização, com urgência, de concurso público para a Agência Nacional de Mineração (ANM). O diagnóstico levado por Silveira à ministra é preocupante: a ANM está ameaçada de entrar em colapso. No ritmo atual, há risco de interrupção de serviços essenciais por conta da falta de servidores no órgão regulador.
A ANM está operando com um déficit de mais de 70% em seu quadro de funcionários – um dos maiores índices de vacância no serviço público federal. Os efeitos colaterais se espalham pelo setor: mais de 20 mil pedidos de pesquisa e lavra se acumulam na agência, à espera de análise; o número de servidores para fiscalizar in loco das atividades de extração e de barragens em mineradoras é insuficiente; há atrasos na concessão de direitos minerários – seis desses projetos estão incluídos no PPI (Programa de Parcerias de Investimentos). Em contato com o RR, o Ministério de Minas e Energia (MME) confirmou que “o ministro Alexandre Silveira está em constante diálogo com a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, para tratar sobre o assunto.” O MME diz ainda que a reestruturação e o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração (ANM) são as maiores prioridades da Pasta.”
O Ministério afirma que tanto Silveira quanto Esther Dweck “reconhecem que a Agência é imprescindível para o desenvolvimento sustentável e seguro da atividade minerária no país e que a atual estrutura precisa ser reforçada.”
O número limitado de funcionários tem causado também um desgaste político para o governo Lula junto a estados e municípios. A ANM tem atrasado sistematicamente a análise e distribuição dos royalties referentes à CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral). O último repasse se deu em maio. Em calendário já encaminhado a governos de estado e prefeituras, a agência se compromete a realizar os pagamentos referentes ao período entre junho e dezembro no fim do ano – mais precisamente em 5/12.
Leia ainda hoje: o Plano de B de Flavio Dino para aumentar o efetivo da PF
Destaque
Atrasos na CFEM provocam reação de governadores e prefeitos
22/08/2023A CFEM (Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais) está provocando um atrito federativo. A Agência Nacional de Mineração (ANM) tem atrasado seguidamente o repasse a estados e municípios do quinhão que lhes cabe nos recursos arrecadados com o tributo. No momento, segundo o RR apurou, os valores retidos seriam da ordem de R$ 300 milhões, referentes aos meses de maio e junho. Os governadores do Pará, Helder Barbalho, e de Minas Gerais, Romeu Zema, têm cobrado do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e da ANM a liberação dos recursos arrecadados. Os dois estados respondem por mais de 80% da arrecadação da CFEM. O coro dos insatisfeitos é engrossado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM), que já enviou ofícios à agência reguladora. O RR fez seguidas tentativas de contato com a ANM, mas o órgão não se manifestou até o fechamento desta matéria.
Nos bastidores, a agência estaria atribuindo o atraso nos repasses à demora na regulamentação da Lei 14.514/2022, que altera os critérios de distribuição da derrama da CFEM entre União, Estados e Municípios. O assunto ricocheteia nos gabinetes de Brasília desde o governo Bolsonaro. Após inúmeras idas e vindas, a lei foi aprovada no fim de 2022. Mas, somente na quinta-feira passada, oito meses depois, o Ministério de Minas e Energia encaminhou à Casa Civil o texto do decreto que regulamenta a nova legislação. Ainda que ele seja publicado com celeridade, há ritos a serem cumpridos para a sua plena entrada em vigor: a ANM terá, por exemplo, de promover audiências públicas. Nessa toada, há o risco de que as novas regras só passem a valer a partir do ano que vem. Estados e municípios querem que o pagamento seja normalizado agora. Mesmo porque há um outro impasse nessa história: governadores e prefeitos das cidades beneficiados temem que a nova Lei tenha efeito retroativo. Ou seja, venha a ser aplicada na divisão dos recursos retidos pela ANM, mesmo que o recolhimento do tributo tenha sido feito antes da regulamentação e, portanto, sob as regras anteriores. A mudança na legislação vai aumentar o número de municípios com direito aos repasses, diminuindo, assim, o volume de recursos transferido a cada Prefeitura.
Um pouquinho de adubo no Plano Nacional de Fertilizantes
18/10/2022Mais um grupo estrangeiro deverá desembarcar no setor de fertilizantes no Brasil. A canadense Capstone Mining tem interesse na jazida de fosfato de Miriri, na Paraíba. A reserva, estimada em aproximadamente 102 milhões de toneladas, será leiloada pela ANM (Agência Nacional de Mineração) em 7 de dezembro. O projeto está incluído no Plano Nacional de Fertilizantes. Por sinal, sete meses após seu lançamento, o plano ainda engatinha. De qualquer forma, dessa vez não é uma empresa russa.
Mapa da mina 2
15/08/2022Nos gabinetes da ANM circula a informação de que a canadense Quinto Resources, já com negócios no Brasil, tem forte interesse em novas licenças para a exploração de ouro no Pará.
Lembrai-vos de Mariana e Brumadinho
21/07/2022A ANM (Agência Nacional de Mineração) montou um plano emergencial para intensificar a inspeção de barragens de mineradoras no Nordeste. Em função das fortes chuvas na região, algumas dessas estruturas estão por um fio da sua capacidade máxima.
Ferro e fogo
25/08/2016Após passar por 49 sessões deliberativas na Câmara dos Deputados e tramitar por mais de cinco anos, o governo federal deverá finalmente conseguir aprovar o projeto de lei que cria a Agência Nacional de Mineração (ANM). Um acordo de líderes da base governista está em fase final de costura para aprovar a matéria na primeira sessão deliberativa ordinária de setembro.