Usineiros do Nordeste cobram do governo federal medidas emergenciais para mitigar o impacto do tarifaço norte-americano sobre o açúcar brasileiro. Entre os pleitos estão uma linha de crédito especial do Banco do Nordeste e a renegociação de dívidas junto a instituições financeiras públicas, a começar pelo Banco do Brasil. O açúcar segue no índex do governo Trump, com uma sobretaxa de 50%. Historicamente, as usinas do Nordeste, assim como do Norte, são as principais beneficiadas dentro do sistema de cotas a que o Brasil tem direito para a exportação da commodity aos Estados Unidos – as duas regiões respondem por quase todos os embarques dentro do regime especial. No entanto, com o tarifaço, a vantagem se evaporou, e os produtores do Nordeste e do Norte perderam competitividade. Ressalte-se que ainda há um outro fator de risco: a possibilidade de o Brasil ceder aos Estados Unidos uma cota maior para a compra de etanol norte-americano, pleito antigo dos norte-americanos. Por uma conjunção de fatores, a medida prejudicaria, em uma proporção maior, as usinas sucroalcooleiras do Nordeste – ver RR (
https://relatorioreservado.com.br/noticias/quimica-entre-lula-e-trump-vira-ameaca-para-usineiros-do-nordeste/). Por questões de ordem logística, a maior parte do combustível importado dos Estados Unidos entra no Brasil exatamente pela região, mais especificamente por Suape (PE) e de Itaqui (MA). Com isso, já na partida o etanol made in USA chega no Nordeste a preços mais baixos do que em outras áreas do país, deslocando mercado dos produtores locais.