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Governo
O plano dos Correios de levantar R$ 1,5 bilhão com a venda de imóveis começa a ser tratada dentro da própria estatal como inexequível. O ceticismo decorre do descompasso entre a meta financeira e a qualidade do portfólio disponível para alienação. Um primeiro levantamento mostrou que uma parcela expressiva dos imóveis é antiga, exige reformas pesadas e está localizada em áreas que perderam valor de mercado ao longo do tempo. Uma amostra dessa depreciação: nas próximas semanas, os Correios pretendem levar a leilão um primeiro lote de prédios e terrenos contabilmente estimados em cerca de R$ 600 milhões. A própria companhia calcula que o deságio chegará a 80%. Ou seja: a cifra levantada não passará dos R$ 120 milhões.
O problema é que o plano de desinvestimento imobiliário é um dos pilares da estratégia de reestruturação dos Correios. Outras medidas em curso são a renegociação da dívida com credores financeiros e fornecedores e um plano de demissões voluntárias que tem como meta reduzir o efetivo em até dez mil funcionários. Com perdas recorrentes, estimadas em R$ 9 bilhões no ano passado, a estatal tornou-se uma “caloteira” contumaz. No ano passado, os Correios não quitaram cerca de R$ 3,7 bilhões em obrigações financeiras, incluindo fornecedores, pagamento de tributos e contribuições para o fundo de pensão, o Postalis, e o plano de saúde de seus trabalhadores, o Postal Saúde.
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