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Governo
A sucessão de Carlos Fávaro no Ministério da Agricultura abriu uma disputa intestina dentro do governo Lula entre PT e PSD. A escolha pende para o partido de Gilberto Kassab: o atual ministro da Pesca, André de Paula (PSD-PE), é o favorito para assumir a cadeira de Fávaro, que vai deixá-la para disputar a eleição ao Senado. De Paula tem o respaldo da bancada da legenda e, sobretudo, do atual titular da Agricultura, seu principal cabo eleitoral junto a Lula. Mas o PT ainda tenta, no apagar das luzes, reverter a desvantagem e emplacar no cargo Carlos Ernesto Augustin, assessor especial do Ministério. Augustin, conhecido como “Teti”, é dono da Petrovina, uma das maiores produtoras de sementes de soja do Brasil. Ele ganhou espaço no governo desde a transição e é visto como um nome de continuidade da atual gestão, com trânsito entre técnicos e parte do agronegócio. Além disso, há um handicap adicional: embora não seja um quadro orgânico do PT, Augustin tem, digamos assim, relações fraternais com o partido. É irmão de Arno Augustin, que foi secretário do Tesouro Nacional no Lula II e no Dilma I.
A disputa expõe implicações que vão além da troca de nomes. A permanência do PSD no comando do ministério representaria um aceno do Palácio do Planalto ao Congresso e ao centrão, preservando o equilíbrio político da coalizão e mantendo uma relação mais pragmática com o agronegócio. Já a escolha de um nome do PT, como Augustin, indicaria uma inflexão: maior controle do partido sobre a agenda agrícola, mas ao custo potencial de tensionar a relação com um setor historicamente refratário ao governo.
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