Pressionada por dívidas, Raízen esvazia seu tanque no Paraguai

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Pressionada por dívidas, Raízen esvazia seu tanque no Paraguai

  • 19/03/2025
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O RR apurou que a Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, busca um comprador para a sua operação no Paraguai. O negócio envolve a venda da sua participação de 50% na Barcos y Rodados, maior distribuidora de combustíveis do país vizinho, com mais de 300 postos. A Raízen se associou à empresa em 2021, ao custo de US$ 130 milhões.

Há fortes motivos que empurram o grupo para fora do Paraguai. A começar por uma questão de ordem legiferante, o decreto 1.952, assinado pelo presidente Santiago Peña no ano passado. A medida obriga todos os revendedores de combustíveis a terem tanques com capacidade para o armazenamento de 16 milhões de litros.

A canetada beneficiou diretamente a estatal Petropar, “coincidentemente” a única empresa do setor a atender à cláusula de barreira. Assim como todas as demais distribuidoras, a Raízen terá de fazer pesados investimentos em estrutura para cumprir a nova regra. A conta não fecha. Tanto que, no ano passado, a companhia informou ao mercado o plano de reduzir sua posição no capital da Barcos y Rodados para 27,4%.

O que mudou desde então para a dobradinha Cosan e Shell fazer um movimento ainda mais drástico e deixar o Paraguai? O principal motivo para a guinada é a premência da Raízen em se desfazer de ativos para reduzir seu endividamento. Em dezembro, a companhia levantou R$ 475 milhões com a transferência de 31 projetos de geração solar distribuída para a Brasol, uma sociedade entre a BlackRock e a Siemens.

Há pouco mais de um mês, colocou à venda suas operações na Argentina – a refinaria Dock Sud, em Buenos Aires, e uma rede de 700 postos da bandeira Shell – conforme a Bloomberg noticiou. No setor, há informações sobre a disposição da Raízen vender também usinas de álcool e açúcar. Procurada pelo RR, a empresa não quis se pronunciar.

“Desculpe o francês, mas estamos ferrados”.

A frase foi disparada por Rubens Ometto ao então diretor de Política Monetária do BC, Gabriel Galípolo, em novembro do ano passado, durante um evento em São Paulo, Na ocasião, para todos os efeitos, Ometto fazia uma alusão à condução da política econômica. Mas talvez já fosse uma referência ao que estava por vir em suas empresas. Dizer que Cosan e Raízen estão “ferradas” pode ser um tanto quanto exagerado, a depender do peso que se dê à palavra.

Mas ambas entraram em uma espiral de desmobilização de ativos pressionada pelo seu desconfortável nível de alavancagem. A Raízen encerrou o terceiro trimestre da safra 2024/25 com uma relação dívida líquida/Ebitda de três vezes. Um ano antes, esse índice era de 1,9 vez.

A Cosan, por sua vez, fechou 2024 com uma alavancagem de 2,9 vezes, contra 2,4 vezes em dezembro do ano anterior. A subida forçou a empresa a negociar sua participação de 9% na Vale. Além disso, já colocou à venda sua participação na comercializadora de energia Raízen Power. E quer ser desfazer também do projeto de construção do Porto de São Luís – informação antecipada pelo RR (https://relatorioreservado.com.br/?s=porto+cosan&search-type=normal&post_type=post).

 

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