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O RR apurou que o plano de recuperação judicial da 123 Milhas, protocolado no apagar das luzes de 2024, já desperta rejeição entre os maiores credores da empresa, notadamente bancos. Segundo fonte de uma das instituições financeiras, a proposta contém condições pouco usuais, que aumentariam a insegurança em relação à capacidade da companhia de honrar seus compromissos. O ponto mais sensível é o prazo de carência estipulado pela 123 Milhas.
No caso dos quirografários, aqueles que aceitarem um haircut de 40% na dívida começarão a receber um ano e meio após a homologação do plano pela Justiça. Faz parte do jogo. No entanto, para os credores que não toparem o deságio a 123 Milhas estabelece um período de seis anos e meio para iniciar o pagamento dos passivos.
Ou seja: na melhor das hipóteses, se o plano fosse aprovado a jato no mês que vem, o que não deve acontecer, os credores só começariam a receber em agosto de 2031. Ressalte-se que o prazo médio de carência nas recuperações judiciais no Brasil fica entre dois anos e dois anos e meio.
Entre os credores quirografários estão os bancos, personagens nevrálgicos para a aprovação ou não do plano. Entre eles, pontifica o Banco do Brasil, o nervo mais exposto desse, digamos, sensível sistema neurológico. O BB é o maior credor da 123 Milhas. Tem cerca de R$ 120 milhões em créditos inscritos na recuperação judicial – de um passivo total de R$ 2,5 bilhões da plataforma de viagens.
No entanto, uma auditoria realizada por decisão judicial apontou que a dívida com o Banco do Brasil pode chegar a R$ 448 milhões. A relação é complicada, pode se dizer hostil. Em 2023, o banco estatal entrou na Justiça para suspender o processo de recuperação judicial da 123 Milhas.
Nos bastidores, fontes do BB falam de irregularidades no processo. Procurado, o banco disse que não comenta o assunto. O RR também entrou em contato com a 123 Milhas, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
As estranhezas apontadas no plano da 123 Milhas se estendem também aos clientes da companhia, que compõem a grande massa da recuperação judicial – entre os cerca de 756 mil credores, mais de 600 mil são consumidores. Por meio de um dispositivo incomum, a 123 Milhas promete pagar mais àqueles que pagarem à empresa. Os clientes-credores que adquirirem novas passagens e outros serviços na plataforma terão um cashback, recebendo de 4% a 12% do valor da compra. Pode até ser que a novidade cole, mas entre os bancos credores a aposta é que esse gatilho será mais um empecilho para a aprovação do plano.
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