Arquivo Notícias - Página 24 de 1972 - Relatório Reservado

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Tratamento de saúde não alterará rotina de campanha de José Dirceu

19/05/2026
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José Dirceu deixou há pouco o Hospital Sírio Libanês. Dirceu fará sessões de quimioterapia de quatro em quatros dias. Ou seja: a princípio, a rotina de tratamento do linfoma diagnosticado na semana passada pouco afetará sua campanha a deputado federal. Pelo relato da equipe médica, composta por Raul Cutait, Roberto Kalil e Celso Arrais., o quadro clínico é animador. Hoje mesmo, ainda no hospital, Dirceu disparou uma série de telefonemas e articulou uma agenda de encontros com lideranças petistas de São Paulo para os próximos dias. Além da sua própria candidatura à Câmara, a todos com quem conversou fez questão de repetir que mergulhará de cabeça nas campanhas de Lula a presidente de Fernando Haddad ao governo de São Paulo. No PT, há, inclusive, a expectativa de uma visita de Lula a Dirceu nos próximos dias – desde a revelação da doença do ex-ministro, o contato entre ambos se limitou a uma conversa telefônica na noite de ontem. Seria, no mínimo, um gesto generoso do presidente, sobretudo depois de Dirceu ter gravado um vídeo no hospital dizendo que uma de suas missões é trabalhar pela reeleição de Lula.

Governo vai buscar na Petrobras combustível eleitoral para a classe média

19/05/2026
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Vai ter dinheiro para a classe média. Ponto. O lançamento da linha de crédito de R$ 30 bilhões para taxistas e motoristas de aplicativo, programado para hoje, abre uma carreata de medidas que serão anunciadas nas próximas semanas com foco nesse estrato intermediário da população, um miolo no qual as taxas de aprovação de Lula patinam. Para isso, além do já asfixiado orçamento, a equipe econômica quebra a cabeça em busca de recursos para fundear as novas iniciativas. Entre as hipóteses discutidas na Fazenda, uma das ideias que já teria sinal verde do Palácio do Planalto é usar o que exceder o dividendos das estatais previstos no orçamento da União, que podemos considerar como guidance, carimbando esse dinheiro para custear novas “bondades” voltadas às Classes B e C. A proposta ganhou corpo, sobretudo, pela expectativa de um salto nos resultados da Petrobras por conta da disparada dos preços do petróleo. No primeiro trimestre deste ano, a estatal teve um lucro de R$ 32,7 bilhões, uma queda de 7,2% em relação a igual período em 2025. No entanto, cabe dizer que o balanço de janeiro e março ainda não capturou os efeitos da guerra no Irã sobre as cotações do petróleo e, consequentemente, sobre as exportações da companhia. Esse efeito dominó positivo é aguardado para as demonstrações financeiras do segundo trimestre. Com isso, cresce a possibilidade de a empresa pagar a seus acionistas um volume razoavelmente superior à cifra referente ao primeiro trimestre, de R$ 9 bilhões.

O Orçamento federal elaborado para este ano prevê um repasse ao Tesouro de R$ 54 bilhões em dividendos de estatais. Nos primeiros meses do ano, no entanto, a equipe econômica passou a trabalhar com um guidance mais modesto, na casa dos R$ 30 bilhões. A alta do petróleo e seu impacto sobre as contas da Petrobras aumentam a expectativa de aumento dessa cifra – no primeiro trimestre, ressalte-se, a companhia registrou o maior lucro entre todas as petroleiras do mundo, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. Ressalte-se que a estatal responde, historicamente, por algo entre 55% e 70% da transferência de recursos de empresas públicas para o Tesouro.

Dentro do governo, o cenário atual reforça a percepção de que a Petrobras pode funcionar como combustível para aditivar as medidas para a classe média. A estatal carrega ainda um tanque reserva. A direção da companhia já sinalizou ao mercado que não deverá distribuir dividendos extraordinários no curto prazo, em linha com a estratégia de preservar caixa e sustentar o plano de investimentos. Mas, dependendo das necessidades eleitorais de seu acionista controlador, quem sabe? Isso para não falar da possibilidade de um ganho adicional expressivo de arrecadação. Segundo estimativas do Ibre/FGV, publicadas na edição de ontem do Valor Econômico, com o Brent médio a US$ 90 e dólar a R$ 5,20, a arrecadação bruta adicional da União associada ao setor extrativo mineral poderia chegar a R$ 71 bilhões em 2026. Com o barril a US$ 100, o bônus subiria para R$ 104 bilhões.

Cabe enfatizar que a proposta de uso dos dividendos das estatais leva em consideração o cumprimento do arcabouço fiscal. A equipe econômica está convicta de que conseguirá entregar a meta deste ano, por conta do aumento na arrecadação. Da mesma forma, a ideia é não colocar mais nada no parafiscal, além dos quase R$ 150 bilhões que deverão entrar nesse balaio em 2026, segundo levantamento da Instituição Fiscal Independente (IFI), do Senado. A Fazenda não quer passar a ideia de que os benefícios à classe média serão mais uma artimanha fiscal em nome da reeleição.

Até o momento, o governo Lula fez poucos afagos à classe média. A rigor, a medida de maior impacto foi o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda. No entanto, pesquisas internas que circulam no Palácio do Planalto indicam que a iniciativa não produziu efeito expressivo nos índices de aprovação do governo junto às Classes B e C. A leitura é que uma medida isolada não basta para alterar a percepção desse eleitorado. No entorno de Lula existe a convicção de que é necessário montar um feixe de iniciativas, uma massa crítica de benefícios capaz de ser percebida no dia a dia por essa parcela da população. E elas virão em maior escala. Uma das propostas em estudo envolve o Reforma Casa Brasil, linha operada pela Caixa para financiar reformas, ampliações e adequações em imóveis urbanos. No início do mês, o programa foi ampliado: o limite para a renda familiar dos beneficiados passou de R$ 9,6 mil para R$ 13 mil, e o teto para os empréstimos subiu de R$ 30 mil para R$ 50 mil. Agora, a equipe econômica pretende ampliar o funding. Outra “bondade” em pauta é a ampliação da Bolsa Integral no Programa Universidade para Todos (ProUni). Hoje, apenas estudantes de famílias com renda de até 1,5 salário-mínimo têm direito a financiar 100% do valor de mensalidade. A ideia é elevar esse sarrafo para 3,5 salários-mínimos.

Consequentemente, a faixa dos beneficiários com crédito de 50% (hoje exatamente de 3,5 salários) também deverá subir alguns degraus. Ainda não se tem ideia do impacto da revelação das conversas entre Flavio Bolsonaro e Daniel Vorcaro sobre o candidato do PL. Talvez seja o início de um processo de erosão da candidatura de Flavio; talvez não provoque sequer uma ranhura na sua popularidade. O fato é que o cenário atual é preocupante para Lula. As pesquisas mostram que a eleição será decidida no photochart. Assim como foi em 2022, quando Lula bateu Jair Bolsonaro por apenas 1,8 ponto percentual. Assim como foi em 2014, quando Dilma Rousseff derrotou Aécio Neves por três pontos percentuais. Se os Estados Unidos têm os chamados “estados-pêndulo”, o Brasil tem eleitores pendulares. Trata-se de um grupamento não ideológico, sem carteirinha no fã clube da polarização, que se mexe levemente do centro para a direita ou para a esquerda em razão das circunstâncias de momento. Proporcionalmente, são poucos, mas capazes de decidir a eleição. Esse contingente está majoritariamente concentrado na classe média. É sobre esses eleitores que tanto Lula quanto Flavio terão de avançar para atrair o pêndulo para o seu lado. Qual é esse intervalo de oscilação? Na mais recente pesquisa Meio/Ideia, 27,2% dos que declararam voto em Lula disseram que ainda podem mudar de candidato. No caso de Flavio, o risco de volatilidade é maior – 43,1% de seus eleitores afirmaram que podem virar casaca. É sobre esses que o governo Lula vai despejar seus “Vale IR”, “Vale Casa”, “Vale Gás”, “Vale Obra” etc.

#Petrobras

Novo fundo da DNA Capital vai além das healthtechs de vitrine

19/05/2026
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A DNA Capital, da família Bueno, pretende usar seu novo fundo de saúde para avançar sobre uma fronteira ainda pouco explorada no Brasil: empresas com soluções para atacar ineficiências operacionais do setor, e não apenas healthtechs de vitrine. A gestora, que captou R$ 300 milhões, olha com especial atenção para negócios capazes de reduzir desperdícios em hospitais, operadoras, clínicas e laboratórios. Segundo informações que circulam no mercado, entram nesse radar plataformas de inteligência artificial para autorização de procedimentos, auditoria de contas médicas, faturamento, regulação, agendamento, gestão de filas, prontuário, prescrição digital e redução de glosas. Também há apetite por modelos ligados a cuidado domiciliar, atenção primária, saúde corporativa e monitoramento de pacientes crônicos.

A leitura da DNA é que o próximo ciclo de valor na saúde não virá apenas da digitalização da relação médico-paciente, mas da reorganização dos bastidores do sistema — justamente onde se concentram custos, retrabalho e perda de margem. O fundo do family office dos Bueno deve mirar companhias em estágio Série A e B, com cheques entre R$ 30 milhões e R$ 80 milhões. Em um setor pressionado por sinistralidade, judicialização, envelhecimento da população e crise de grupos listados, a gestora vê uma janela para comprar crescimento com desconto e ajudar a construir plataformas mais eficientes.

#DNA Capital

Enel lança estratégia para garantir sobrevida em SP até as eleições

19/05/2026
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Todos os esforços da Enel estão voltados a atravessar o “Rubicão eleitoral”. Segundo informações filtradas pelo RR, a ordem no grupo italiano é usar de todos os expedientes possíveis no âmbito administrativo e, se necessário, judicial para garantir a sobrevida da concessão da distribuidora em São Paulo até o pleito de outubro. O primeiro movimento nessa direção foi o pedido à Aneel de contratação de uma perícia independente no processo que pode levar à revogação da concessão. O objetivo é esvaziar a base construída pela agência reguladora para sustentar a eventual perda da licença, alegando que o órgão usou critérios sem previsão regulatória clara. É só o começo. O que se diz nos bastidores é que os próximos passos já estão traçados: os italianos vão pedir produção de novas provas, questionar a metodologia da Aneel, contestar indicadores de continuidade e atendimento, atribuir parte das falhas a eventos climáticos extremos, alegar ausência de isonomia em relação a outras distribuidoras, entre outros expedientes para ganhar tempo. Isso apenas no âmbito administrativo. A possibilidade de judicialização é amplamente discutida na empresa.

A Enel joga suas últimas fichas na hipótese de que, passado o calor das urnas, a pressão política pela caducidade da licença da distribuidora paulista possa arrefecer. Hoje, a distribuidora paulista não enfrenta apenas um processo técnico na Aneel; enfrenta uma guerra política em pleno ano eleitoral. O governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes transformaram a qualidade do serviço da companhia em vitrine de cobrança pública. Depois da decisão da Aneel de abrir o processo que pode levar à caducidade da concessão, ambos comemoraram o avanço do caso. O governador chegou a afirmar que a renovação do contrato da Enel seria uma “agressão” à população paulista; o prefeito, por sua vez, tem reiterado que os consumidores estão exaustos com a incapacidade da empresa de prestar um serviço digno. São frases boas de serem ditas em ano de eleição, sem entrar no mérito da qualidade – ou falta dela – dos serviços prestados pela empresa de energia. A distribuidora virou, na prática, o ponto de convergência entre três agendas: a pressão dos usuários depois dos apagões, a disputa institucional sobre a responsabilidade pela concessão e o cálculo eleitoral de quem não quer chegar às urnas associado à leniência com a empresa. É nesse tabuleiro que a Enel tenta ganhar tempo. 

 

#Enel

Governo Lula abre a porteira e deixa a boiada do “Dia do Agro” passar

19/05/2026
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O Palácio do Planalto baixou as lanças da articulação política — já bastante enferrujadas — e decidiu não comprar uma guerra aberta com a bancada ruralista na votação do pacotão do agro prevista para hoje no Congresso. Segundo informações que circularam no início da noite em Brasília, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, passou o dia de ontem em contatos com líderes da base aliada para evitar uma ofensiva governista contra as propostas que serão apreciadas hoje. Ainda ontem, havia focos de resistência no próprio PT e no PSOL. No Palácio do Planalto, o entendimento é que qualquer enfrentamento apenas servirá para colar no governo Lula mais uma derrota no parlamento. O caso mais sensível é o PL 5122/2023, em tramitação no Senado, sob relatoria de Renan Calheiros.

O texto autoriza o uso de até R$ 30 bilhões do Fundo Social do Pré-Sal para criar uma linha especial de financiamento a produtores rurais atingidos por eventos climáticos. O dinheiro poderá ser usado para quitar dívidas de crédito rural, empréstimos e Cédulas de Produto Rural contratados até 30 de junho de 2025, com prazos de até dez anos — ou até 15 anos em casos especiais. O projeto também suspende cobranças e execuções das dívidas enquadradas durante o período de contratação. A equipe econômica chegou a trabalhar no Congresso na tentativa de brecar a aprovação. Provavelmente gastou cordas vocais à toa. O cálculo do Planalto é pragmático. Em ano eleitoral, Lula não quer oferecer à oposição a imagem de um governo votando contra produtores endividados. O resultado é que, no “Dia do Agro”, como a sessão de hoje no Congresso é chamada pela bancada ruralista, a Frente Parlamentar da Agricultura vai ditar a música.

Na Câmara, a ofensiva ruralista inclui o PL 2951/2024, que moderniza o seguro rural e amplia a cobertura para prejuízos causados por fenômenos naturais, pragas, doenças, danos a máquinas, galpões e animais. Também estão na pauta de hoje o PL 5900/2025, que amplia o peso do Ministério da Agricultura na análise econômica de normas que afetem o setor; o PL 2827/2025, sobre Imposto de Renda em arrendamento rural; o PLP 34/2026, de ajustes em incentivos ao agro; e o PL 3123/2025, que cria o Sistema Nacional de Gestão de Risco de Crédito Rural.

#Agronegócio

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