Arquivo Notícias - Página 23 de 1972 - Relatório Reservado

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Agro avança sobre território do CMN nas regras para crédito rural

20/05/2026
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A CNA (Confederação Nacional da Agricultura) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) preparam uma nova ofensiva sobre o Conselho Monetário Nacional (CMN). Coisa de quem está habituado a ter seus pleitos e ambições atendidos integralmente, e não pela metade. Recentemente, o CMN flexibilizou algumas das exigências para a concessão de crédito rural, mas longe de satisfazer ao agronegócio. A ponto de a FPA já trabalhar nos bastidores por uma solução legislativa, leia-se um projeto de lei, o que, na prática, seria uma forma de subtrair atribuições e poder do CMN para deliberar sobre o tema. O conselho adiou a entrada em vigor de novas restrições para a liberação de empréstimos e escalonou os prazos conforme o tamanho da propriedade rural, dando mais tempo para adaptação. A regra, que havia começado a valer em abril, passará a ser aplicada a partir de janeiro de 2027. O órgão também permitiu aos produtores que tiveram pedidos de financiamento negados durante o curto período de vigência da norma reapresentem as propostas. Mas o que irritou o agronegócio não foi o que o CMN fez, mas, sim, o que deixou de fazer. O crédito rural continua condicionado à verificação de supressão de vegetação nativa identificada por monitoramento via Prodes após 31 de julho de 2019. O Prodes – Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite – é o sistema do Inpe usado como referência oficial para medir o desmatamento por corte raso; ao longo dos anos, sua metodologia foi estendida ou adaptada para o acompanhamento de outros biomas. Para o agro, o problema central não é apenas o calendário de implementação, mas a própria lógica da exigência. As entidades alegam que o Prodes detecta a supressão de vegetação, mas não diferencia automaticamente desmatamento ilegal de supressão autorizada por órgão ambiental; tampouco resolveria, por si só, problemas de sobreposição de imóveis e polígonos. Pode ser; pode não ser. O fato é que a bancada ruralista quer desidratar o CMN e ela própria decidir quem no agronegócio terá ou não direito a crédito.

Sergio Moro já calcula o custo de estar ao lado de Flavio

20/05/2026
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O olhar intencionalmente perdido e a distância que Sergio Moro manteve de Flavio Bolsonaro durante o pronunciamento deste último, ontem, na Câmara dos Deputados são mais do que reveladores. Aos poucos, a candidatura do “01” começa a encontrar focos de resistência dentro do próprio PL. E Moro é um deles. Segundo o RR apurou, Flavio tem uma viagem a Curitiba marcada para o próximo dia 29, onde se encontrará com Moro e com Filipe Barros, aliado do ex-ministro da Justiça e candidato ao Senado pelo PL. A princípio, o roteiro traçado previa uma declaração de ambos em apoio a Flavio. No entanto, a revelação das relações promíscuas com Daniel Vorcaro deverá provocar rasuras no script. De acordo com a fonte do RR, Moro está reticente em se manifestar formalmente a favor da candidatura de Flavio à Presidência. A interlocutores próximos, o ex-juiz já confidenciou que, à luz dos novos fatos, não está disposto a entrar na batalha sanguinolenta entre Lula e os Bolsonaro. Ele pode até bater no presidente da República – afinal, para os seus, sempre terá o capital político de poder dizer “eu coloquei o Lula na cadeia -, mas não pretende fazê-lo na posição de backing vocal do clã Bolsonaro.

Moro está hoje em uma posição razoavelmente confortável no Paraná. Lidera com folga todos os cenários para o governo estadual e já consolidou o apoio do eleitor bolsonarista, historicamente predominante no estado. Pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril mostrou o senador com 35% das intenções de voto, contra 18% de Requião Filho e 15% de Rafael Greca. Em um cenário sem Greca, o ex-ministro sobe para 42%. Com esse capital político já sedimentado entre os eleitores de direita, Moro avalia que pode preservar um prudente distanciamento do clã Bolsonaro sem perder sua base eleitoral no Paraná — sobretudo no momento em que as revelações envolvendo Daniel Vorcaro aumentam o custo de uma associação ostensiva a Flavio Bolsonaro.

A resistência de Moro não é um caso isolado, mas parte de um movimento mais difuso de cautela dentro da própria direita. Nos últimos dias, aliados de Flavio passaram a tratar o caso Vorcaro não apenas como um problema eleitoral, mas como uma crise de confiança. Integrantes da própria campanha, a começar pelo coordenador, senador Rogério Marinho (PL-RN), foram surpreendidos pela extensão dos contatos do senador com o ex-dono do Banco Master e passaram a temer que novas mensagens, diálogos ou acusações venham à tona. O desconforto já se traduz em sintomas visíveis: a defesa pública de Flavio por aliados próximos do PL tem sido menos efusiva do que o próprio senador esperava. A reviravolta do senador — primeiro negando maior proximidade com Vorcaro, depois admitindo conversas e a visita ao banqueiro — deixou aliados atordoados. No núcleo de campanha, há uma crescente sensação de que o que Flavio diz não se escreve.

#Sérgio Moro

O que há de tão grave assim nos balanços da Ambipar?

20/05/2026
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A Ambipar está no centro de um tiroteio de especulações no mercado. O novo adiamento da divulgação dos balanços – a empresa não apresenta suas demonstrações desde junho do ano passado – aumentou a desconfiança dos investidores sobre o real estado financeiro da companhia. Entre investidores, circulam rumores de que a causa da nova postergação seriam graves inconsistências contábeis e falhas de compliance que teriam sido flagradas pela auditoria. Dessa forma, os auditores independentes estariam enfrentando dificuldades para validar informações essenciais, como caixa, dívida, covenants financeiros e contingências. No mercado, correm ainda informações de que a Ambipar teria sido obrigada a fazer reclassificações contábeis relevantes e revisar passivos. São especulações que só amplificam a desconfiança dos agentes financeiros em relação à gestão da empresa de Tercio Borlenghi. Procurada pelo RR, a Ambipar não quis comentar o assunto.

Tudo parece depor contra a Ambipar. A demissão de 35 executivos de áreas sensíveis, como financeiro, jurídico, tributário, RI, RH e controladoria, no fim do ano passado, adicionou novas camadas de descrédito e suspeições no mercado. À época, a própria empresa atribuiu as dispensas a “falhas graves na execução das melhores práticas de governança e gestão de riscos”. Que falhas graves foram essas? Tudo é difuso, não dito, o que aumenta a percepção de risco entre os investidores e faz com que as ilações mais corrosivas ganhem eco no mercado.

#Ambipar

Convocação deve engordar conta de Neymar em mais de R$ 150 milhões

20/05/2026
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Enquanto Neymar Jr. festeja a ida à Copa do Mundo, Neymar Pai esfrega as mãos e já faz cálculos da prosperidade que virá a reboque da convocação. Na última segunda-feira, logo após a mise en scène promovida pela CBF no Museu do Amanhã, o que se ouvia à boca miúda de dirigentes da própria entidade é que o jogador já tem dois grandes contratos de publicidade engatilhados, um deles com uma plataforma de bets. Faltava apenas a confirmação da sua presença no Mundial para a assinatura. Agora, não falta mais. Segundo um importante executivo da área de marketing esportivo ouvido pelo RR, a convocação poderá render a Neymar receitas adicionais com publicidade superiores a R$ 150 milhões. Além de novos contratos, a ida à Copa do Mundo deve destravar bonificações de acordos já em vigor, a começar pelo patrocínio da Puma, que rende ao atleta ganhos fixos anuais da ordem de 25 milhões de euros. Há ainda a possibilidade dos “penduricalhos” nas redes sociais. Estima-se que um único post patrocinado endossado pelo camisa 10 custe algo entre US$ 900 mil e US$ 1,2 milhão.

#Neymar

TCU ameaça travar projeto da Transnordestina em Pernambuco

20/05/2026
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Mais um solavanco à vista no caminho da Transnordestina, um dos mais encruados projetos de infraestrutura do Brasil. O TCU ameaça paralisar o processo de construção da ferrovia entre Salgueiro e Suape, em Pernambuco, a cargo do governo federal. O tiro de advertência veio na semana passada, quando o Tribunal de Contas determinou que o Ministério dos Transportes e a Infra S.A. não podem assumir novos compromissos financeiros relacionados às obras enquanto não for sanada uma falha de origem: a ausência de estudos atualizados de viabilidade técnica, econômica e ambiental. Em outras palavras, o governo quer avançar com contratações antes de demonstrar, com base robusta, que o empreendimento faz sentido como obra pública e futura concessão.

  • O trecho Salgueiro-Suape soma 544 km. O investimento previsto gira em torno de R$ 4 bilhões, mas, dentro do próprio Ministério dos Transportes, já se cogita que a conta deve passar dos R$ 5 bilhões – há defasagem dos estudos e da necessidade de atualização de projetos, custos, lotes, cronograma e modelagem. Do traçado previsto, cerca de 179 km — aproximadamente 38% — já teriam sido executados. Esse trecho, não custa lembrar, estava originalmente sob responsabilidade da CSN, mas foi devolvido à União. O ponto central da polêmica no TCU é o EVTEA, o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental. O Tribunal entende que o estudo disponível está defasado — a referência é de 2017 — e não basta para justificar novos desembolsos em um projeto que mudou de natureza, de premissas e de modelagem ao longo dos anos. A Infra S.A. terá de apresentar um plano de ação para concluir um EVTEA atualizado. Até lá, a ordem é evitar que a União avance em novos gastos sem comprovar a pertinência, a vantajosidade socioeconômica e a aderência do projeto ao interesse público.

#Transnordestina

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