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Startup mexicana chega ao Brasil com fome de M&A
2/10/2025A startup mexicana OCN (One Car Now) chegou ao Brasil com apetite para aquisições. A empresa está garimpando o mercado em busca de plataformas de soluções de transporte e mesmo fintechs que tenham sinergia com o setor de mobilidade urbana e locação de automóveis. A OCN pretende investir R$ 50 milhões no Brasil para montar uma operação de aluguel de veículos para motoristas de aplicativos. O início das atividades está previsto para o próximo mês de janeiro. Até o momento, a companhia mexicana já recebeu mais de US$ 150 milhões em capital. O Brasil está longe de ser um mercado fácil para startups do setor. Que o diga a também mexicana Kavak, que chegou ao Brasil em 2021 e sofreu com várias derrapagens – de cortes de investimento a demissões – até engatar a quinta marcha.
Dividendos sintéticos: a estratégia de opções que transforma volatilidade em fluxo de caixa recorrente
2/10/2025E se eu dissesse que você não precisa esperar a boa vontade das empresas para receber dividendos? Que é possível criar seu próprio fluxo de renda recorrente, mês a mês, usando apenas as ferramentas que a própria bolsa já oferece?
Não se trata de um atalho miraculoso. É o que muitos chamam de “dividendos sintéticos”: a estratégia de vender opções de compra (calls) e vender opções de venda (puts) para receber os valores das vendas (prêmios) como uma renda periódica.
Mas, afinal, o que são opções?
As opções são contratos derivativos que dão ao comprador o direito (mas não a obrigação) de comprar ou vender um ativo por um preço de exercício previamente acordado (chamado de strike), em uma data futura.
A palavra call vem do inglês “chamar” — ou seja, o direito de chamar o ativo para si, comprando-o. Já put vem de “colocar” — ou seja, o direito de colocar o ativo na mão de alguém, vendendo-o.
Independentemente do resultado da estratégia, quem compra opções paga um prêmio por esse direito. E quem vende opções recebe imediatamente esse prêmio em troca de assumir a obrigação.
O maior ponto cego do investidor tradicional é dirigir olhando apenas pelo retrovisor — acreditando que dividendos só podem vir das empresas, baseados em resultados já passados. Já o investidor que domina o mercado de opções amplia o campo de visão: olha para todos os lados — e também para frente — percebendo que pode transformar a volatilidade em fluxo de caixa imediato, capturando os prêmios que o mercado está disposto a pagar hoje, sem depender do calendário de dividendos.
Essa diferença muda tudo: no modelo tradicional, o investidor é passivo, refém da decisão da empresa. Com os dividendos sintéticos, ele se torna protagonista, capaz de desenhar o próprio fluxo de caixa.
Na prática, a mecânica é relativamente simples:
Venda de calls cobertas: o investidor já possui a ação e vende o direito de outro investidor comprá-la de você por um preço maior do que o atual. Se na data do vencimento a ação não chegar a esse preço, o investidor continua com o papel e o prêmio. Se chegar, vende mais caro do que venderia hoje — e ainda fica com o prêmio.
Venda de puts lastreadas em caixa: o investidor reserva dinheiro e vende o direito de outro investidor lhe “empurrar” a ação por um preço menor do que o atual. Se, na data do vencimento a ação não cair até esse preço, nada acontece e o investidor fica com o prêmio. Se cair, ele compra a ação desejada mais barata do que compraria hoje — com o prêmio já recebido funcionando como desconto.
Olhando pelo lado positivo, o pior que pode acontecer é:
• Na call, o investidor vender uma ação que já tinha em carteira por um preço maior do que venderia hoje.
• Na put, o investidor comprar uma ação que gostaria de ter, usando um caixa já reservado, por um preço menor do que pagaria hoje.
Por isso, a regra de ouro é clara: só venda calls de ações que você já tem em carteira e só venda puts de ações que você gostaria de ter — e para as quais já dispõe de caixa para comprar.
O discurso fácil seria dizer que isso garante uma renda passiva previsível. Mas o investidor sofisticado sabe: não existe almoço grátis.
• Na venda de calls, se o preço da ação disparar e a opção for exercida, você terá de vendê-la pelo valor previamente combinado. Isso significa abrir mão de parte da valorização extra acima desse preço — mas ainda assim venderá por um valor maior do que o de hoje, além de ficar com o prêmio recebido.
• Na venda de puts, se o preço da ação cair abaixo do valor combinado e a opção for exercida, você será obrigado a comprar pelo preço acordado, mesmo que ela esteja valendo menos no mercado. A diferença é que você já recebeu o prêmio, o que reduz o custo efetivo da compra.
É por isso que os dividendos sintéticos não são para qualquer perfil. Eles exigem disciplina, capital de margem e, sobretudo, consciência de risco. Mas, quando bem aplicados, permitem algo raro: extrair retorno do tempo, e não apenas do preço.
O que precisa ser dito?
Dividendos sintéticos não são simplesmente um espelho maior: são a prova de que, no mercado, quem enxerga além do retrovisor dirige com mais liberdade.
Enquanto a maioria fica parada esperando o próximo anúncio de dividendos, o investidor que entende de opções produz o próprio dividendo.
Ele transforma volatilidade em fluxo de caixa.
Ele transforma risco em prêmio.
Ele transforma tempo em renda.
O verdadeiro diferencial não está em encontrar a ação mais promissora ou esperar o dividendo mais generoso. Está em enxergar além do ponto cego: perceber que a sua renda não precisa ser decidida apenas pelas empresas. Quem domina os dividendos sintéticos descobre que o mercado paga prêmios todos os meses — e que a escolha de capturá-los está só nas suas mãos.
Marcos Tanner é Engenheiro de Produção com MBA em Investimentos Financeiros e Private Banking pelo IBMEC, atua como consultor financeiro e investidor, colaborador especial do Relatório Reservado.
Advent quer juntar Pão de Açúcar e Sonda na mesma gôndola
2/10/2025Há um novo personagem, candidatíssimo a protagonista, na novela da venda do Pão de Açúcar. De acordo com informações filtradas pelo RR, o Advent abriu conversações com o Casino para a compra da sua participação na rede varejista. Os franceses estão pedindo cerca de 90 milhões de euros, ou R$ 560 milhões, pela sua fatia acionária de 22,5% – um ágio de 28% sobre o atual valor da ação em bolsa.
Existem outros pretendentes ao negócio, como a Roldão Atacadista, o Supermercados BH e a chilena Cencosud – emissários destas duas últimas, inclusive, têm feito visitas a lojas do Pão de Açúcar. No entanto, há um fator que impulsiona o Advent à mesa de negociações. O que se diz em petit comité no mercado é que a gestora norte-americana pretende montar uma vertical no varejo brasileiro, enfeixando um arco de participações no setor.
O primeiro pingente desse colar de ativos já é mais do que conhecido: o Advent está em negociações avançadas para comprar o controle do Supermercados Sonda, por algo em torno de R$ 3,5 bilhões. Do ponto de vista da escala da operação – e da presença no principal mercado do país, São Paulo – juntar Sonda e Pão de Açúcar sob o mesmo guarda-chuva seria um promissor ponto de partida para os planos do Advent no varejo brasileiro. As duas empresas somam 778 lojas e um faturamento combinado superior a R$ 25 bilhões por ano.
No caso do Pão de Açúcar, ressalte-se, o que está sobre o balcão não é o controle acionário. Hoje o Casino sequer é o maior acionista da companhia. O Advent teria, portanto, de fazer uma composição de forças com os demais sócios, a começar pela família Coelho Diniz, dona da rede de supermercados homônima de Minas Gerais, que detém atualmente a maior participação, 24,6% do GPA (Grupo Pão de Açúcar).
Não chega a ser exatamente um sacrifício. Ao contrário. Seria um movimento com vantagens para ambas as partes. O Advent não quer apenas montar um portfólio de investimentos no varejo brasileiro. Sua intenção é estar na linha de frente dos negócios. O acordo com os Diniz Coelho daria à gestora de private equity poder de influência sobre a gestão do Pão de Açúcar.
O clã, por sua vez, teria ao seu lado um sócio abastado, com musculatura de sobra para equacionar os problemas financeiros da GPA, que não são poucos. Somente a dívida tributária passa dos R$ 3 bilhões. Este tem sido, inclusive, um entrave ao avanço nas negociações entre o Casino e outras redes varejistas, conforme informou o RR.
Em tempo: esta não é a primeira investida do Advent sobre o Pão Açúcar. Em 2019, a gestora chegou a abrir tratativas com o Casino para a aquisição da rede supermercadista, mas as conversas não foram adiante.
Por sinal, os norte-americanos já tiveram uma breve – e rentável – passagem pelo varejo no Brasil. Em 2018, o Advent comprou 80% do Walmart no país por R$ 2 bilhões. Três anos depois, revendeu a participação para o Carrefour por R$ 7,5 bilhões.
Com selo de investment grade, Vibra prepara captação
2/10/2025Há informações no mercado que a Vibra avalia uma emissão de títulos em dólar. Seria a primeira captação da empresa após obter seu grau de investimento – na semana passada, a S&P Global Ratings atribuiu à companhia a nota BBB- com perspectiva estável, dois degraus acima da classificação de risco do Brasil (BB). A Vibra vislumbra a oportunidade de se aproveitar da janela que se abriu para empresas brasileiras. A Aegea emitiu recentemente US$ 750 milhões em bonds. Já a Vamos, locadora de máquinas e caminhões, levantou US$ 350 milhões com a emissão de títulos em dólar. Procurada pelo RR, a Vibra não quis manifestar.
STJ decide se Schvartsman volta ou não ao rol de condenáveis por Brumadinho
2/10/2025A tragédia de Brumadinho volta a pairar sobre o ex-presidente da Vale Fábio Schvartsman. O que se ouve nos gabinetes do STJ é que a Sexta Turma da Corte estaria inclinada a aceitar o recurso do Ministério Público Federal, que pede a reinclusão do executivo na ação penal relacionada ao rompimento da barragem da mineradora em Córrego do Feijão. O relator, ministro Sebastião Reis Júnior, já votou favoravelmente ao recurso do MPF. Schvartsman era o CEO da Vale quando ocorreu a catástrofe, que deixou 270 mortes. Em 2024, a defesa do executivo impetrou um habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), requerendo que seu nome fosse retirado da lista de possíveis criminalizados pelo desastre. O TRF6 acatou o pedido, a partir do entendimento de que que a denúncia não apresentava elementos mínimos contra o ex-CEO da Vale.
Amaggi e Inpasa traçam os próximos passos de sua bilionária parceria
2/10/2025Amaggi e Inpasa, que anunciaram recentemente a criação de uma joint venture de R$ 7 bilhões para a construção de três usinas de etanol de milho no Mato Grosso, têm outros planos no pipeline. Existem estudos para instalação de até outras três plantas em Goiás e Tocantins. A estrutura logística das duas companhias e a safrinha de milho formam uma poderosa combinação para a ampliação do acordo. Ao mesmo tempo, Amaggi e Inpasa miram em outros setores. O que se diz no mercado é que as conversas entre as duas empresas passam ainda pela produção conjunta de biometano a partir de resíduos industriais. A dupla tem interesse também na negociação de créditos de carbono.
