Advent quer juntar Pão de Açúcar e Sonda na mesma gôndola

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Advent quer juntar Pão de Açúcar e Sonda na mesma gôndola

  • 2/10/2025
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Há um novo personagem, candidatíssimo a protagonista, na novela da venda do Pão de Açúcar. De acordo com informações filtradas pelo RR, o Advent abriu conversações com o Casino para a compra da sua participação na rede varejista. Os franceses estão pedindo cerca de 90 milhões de euros, ou R$ 560 milhões, pela sua fatia acionária de 22,5% – um ágio de 28% sobre o atual valor da ação em bolsa.

Existem outros pretendentes ao negócio, como a Roldão Atacadista, o Supermercados BH e a chilena Cencosud – emissários destas duas últimas, inclusive, têm feito visitas a lojas do Pão de Açúcar. No entanto, há um fator que impulsiona o Advent à mesa de negociações. O que se diz em petit comité no mercado é que a gestora norte-americana pretende montar uma vertical no varejo brasileiro, enfeixando um arco de participações no setor.

O primeiro pingente desse colar de ativos já é mais do que conhecido: o Advent está em negociações avançadas para comprar o controle do Supermercados Sonda, por algo em torno de R$ 3,5 bilhões. Do ponto de vista da escala da operação – e da presença no principal mercado do país, São Paulo – juntar Sonda e Pão de Açúcar sob o mesmo guarda-chuva seria um promissor ponto de partida para os planos do Advent no varejo brasileiro. As duas empresas somam 778 lojas e um faturamento combinado superior a R$ 25 bilhões por ano.

No caso do Pão de Açúcar, ressalte-se, o que está sobre o balcão não é o controle acionário. Hoje o Casino sequer é o maior acionista da companhia. O Advent teria, portanto, de fazer uma composição de forças com os demais sócios, a começar pela família Coelho Diniz, dona da rede de supermercados homônima de Minas Gerais, que detém atualmente a maior participação, 24,6% do GPA (Grupo Pão de Açúcar).

Não chega a ser exatamente um sacrifício. Ao contrário. Seria um movimento com vantagens para ambas as partes. O Advent não quer apenas montar um portfólio de investimentos no varejo brasileiro. Sua intenção é estar na linha de frente dos negócios. O acordo com os Diniz Coelho daria à gestora de private equity poder de influência sobre a gestão do Pão de Açúcar.

O clã, por sua vez, teria ao seu lado um sócio abastado, com musculatura de sobra para equacionar os problemas financeiros da GPA, que não são poucos. Somente a dívida tributária passa dos R$ 3 bilhões. Este tem sido, inclusive, um entrave ao avanço nas negociações entre o Casino e outras redes varejistas, conforme informou o RR.

Em tempo: esta não é a primeira investida do Advent sobre o Pão Açúcar. Em 2019, a gestora chegou a abrir tratativas com o Casino para a aquisição da rede supermercadista, mas as conversas não foram adiante.

Por sinal, os norte-americanos já tiveram uma breve – e rentável – passagem pelo varejo no Brasil. Em 2018, o Advent comprou 80% do Walmart no país por R$ 2 bilhões. Três anos depois, revendeu a participação para o Carrefour por R$ 7,5 bilhões.

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