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Petróleo
O ingresso do Brasil no cartel OPEP + praticamente sacramenta a exploração de petróleo da Margem Equatorial. O Brasil sempre teve condições entrar no clube da segunda divisão, a OPEP +. Nunca manifestou maior interesse. Mudou.
As novas reservas aumentaram o status petrolífero da Petrobras. Em meio aos blefes, véspera da COP 30, o governo vai promover uma campanha asfixiante para fazer da Margem Equatorial a maior riqueza e solução para os males sociais do país. É muito fubá debaixo da terra.
Só que perfurar na região amazônica com um provável laudo negativo ambiental das instituições responsáveis e simultaneamente se meter na confraria da OPEP + deixa o Brasil com péssima imagem junto às nações tidas como respeitáveis.
O Brasil fez sua escolha. Prefere passar por traiçoeiro e inconfiável ao não postergar, no mínimo, a exploração da Margem Equatorial. Aliás, a perfuração da margem é o único motivo que aproxima como irmãos os maiores ditadores e os emissores de gases poluentes. Talvez o ministro Alexandre Silveira torça pela medida por algum irresistível ato de civismo. É tudo quase ruim.
Mas nem tudo. Alguns amenizadores da lambança: o país entra como observador. Não precisa votar ou influenciar decisões do colegiado. De qualquer maneira vai sentar à mesa dos maiores carbonizadores do globo. Mas hilária mesmo é a explicação dada pelo ministro Alexandre Silveira para a decisão de caráter geoeconômico e geopolítico do governo.
Silveira afirmou que era tão ambientalista quanto os militantes. Um dos motivos da medida, segundo o ministro, foi ingressar na entidade para colaborar na renovação da matriz energética por dentro do cartel. Meio um quinta coluna brasileiro pró-ambiental na Yakuza. Sem comentários.
O Brasil tem de correr para transforma a Margem Equatorial em um fato consumado, se quiser chegar ao fim da reta. E apresentar-se como player candidato à OPEP do andar de cima. Quando formalizar a exploração da megajazida, se sentará à mesa das agências e instituições mais tóxicas ao meio ambiente. Diversas ou todas. Vai defender uma maior produção de energia fóssil.
As iniciativas têm sido acompanhadas de perto pelas Três Forças Armadas. É uma decisão de Estado. Daqui até o final do governo, seus ocupantes vão ter de se esmerar para criar narrativas capazes de diluir esse desmoralizado e falso dilema moral da energia fóssil. Parece mais fácil o inverso, porque os grupos ativistas e a mídia não perdoarão a diplomacia petrolífera.
A Margem vai ser furada, o país vai ficar mais rico, essa riqueza provavelmente nãos será transferida para o aumento da renda das famílias; o Brasil vai frequentar agremiações líderes em poluência. Ah, talvez a ministra Marina Silva saia do governo pela segunda vez depois da COP 30. Já está meio que precificado.
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