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A decisão do governo de criar o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), anunciada na última quarta-feira, está causando apreensão entre os grandes conglomerados empresariais de educação, a exemplo de Yduqs, Ânima e Cogna. Há o temor de que a gestão Lula tenha lançado o Enamed com o propósito deliberado de promover uma faxina entre os cursos de medicina do país, já a partir do fim deste ano letivo. Nesse caso, o novo sistema seria usado não apenas para embasar o fechamento de turmas já existentes como também para justificar a recusa a pedidos de aberturas de futuras faculdades.
Ou seja, o Enamed tem tudo para provocar mais faíscas no relacionamento entre os empresários da área educacional e o governo, com um considerável risco de aumento da judicialização do setor. Entre os grandes conglomerados, já existe um descontentamento com o ministro da Educação, Camilo Santana, devido a sua rígida política para as faculdades de medicina. Desde que assumiu, no início de 2023, Santana estreitou significativamente o funil, criando óbices à oferta de novos cursos.
Em resposta, grupos como Ânima Educação e Ser Educacional vêm abrindo turmas amparadas em liminares da Justiça. Toda ação provoca uma reação em força igual e contrária. No último mês de fevereiro, a pedido do MEC, o TRF-1 suspendeu uma fornada de liminares que autorizavam a realização de vestibulares para dez cursos de medicina.
O Enamed, ao que tudo indica, surge para esgarçar ainda mais esse cabo de guerra. De um lado, o governo tenta frear a abertura indiscriminada de faculdades de medicina, com base na premissa de que o excesso de oferta abastardou a qualidade – de 2010 para cá, o número de cursos disparou de 181 para 401. Do outro, os grupos de educação querem mais e mais turmas.
O que está em jogo é o segmento mais rentável no mercantilismo do ensino superior. Embora não somem mais do que 3% do número total de alunos matriculados no setor privado, os cursos de medicina respondem por algo em torno de 40% da receita no nível de graduação. As mensalidades batem nos R$ 10 mil, o equivalente a 12,5 vezes a média das demais formações.
Há ainda outro valioso indicador para as empresas de educação: na área de medicina, a taxa de evasão é inferior a 8%, contra quase 30% em outras graduações. Ou seja: os futuros médicos são clientes fiéis, resilientes e bons pagadores. Não por acaso, o mercado rapidamente acusou o golpe do impacto que o Enamed pode vir a ter sobre os conglomerados da área de educação.
No dia em que o governo anunciou o novo sistema de avaliação, as ações do setor despencaram. A Yduqs perdeu 7,6% do seu valor de mercado em um único pregão. No caso da Cogna, o tombo foi ainda maior: 12%.
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