Curtailment ameaça eletrocutar projetos da Atlas no Brasil

Energia

Curtailment ameaça eletrocutar projetos da Atlas no Brasil

  • 13/03/2026
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O imbróglio regulatório em torno do Curtailment – os cortes compulsórios na produção de energia determinados pelo ONS – começa a custar caro para o Brasil. Há informações no setor de que a Atlas Renewable Energy – controlada pelo fundo norte-americano Global Infrastructure Partners (GIP) – está reavaliando sua carteira de investimentos no Brasil. A empresa estuda vender ativos no mercado brasileiro e redirecionar recursos para outros países da América Latina em que atua, notadamente Chile e México. O portfólio da Atlas no Brasil soma 11 projetos em energia solar e eólica, com capacidade em torno de 4 MW. O redimensionamento da carteira no país estaria diretamente ligado às perdas impostas pelo curtailment, que pouco a pouco começam a minar projetos de investimento em energia renovável no Brasil. As amarras impostas pelo ONS se devem a um dos tantos gargalos estruturais do Brasil: a rede de transmissão não tem capacidade de receber e distribuir toda a energia gerada, o que obrigada usinas renováveis a suspenderem a produção e a comercialização. Ou seja: elas ficam impedidas de gerar receita sem reduzir na mesma proporção os custos fixos do projeto. Estima-se que, no passado, as empresas de geração solar e eólica perderam mais de R$ 1 bilhão.

Em março, a Atlas Renewable Energy fez uma série de demissões no Brasil. Os cortes se devem exatamente às perdas decorrentes do curtailment. Em contato com a RR, a empresa confirmou que “realizou um ajuste organizacional pontual no país após uma revisão de sua estrutura operacional, com o objetivo de adequá-la às condições atuais do mercado brasileiro de energia renovável”. A companhia ressalta que “o cenário de curtailment elevado e recorrente tem impactado os geradores ao afetar a previsibilidade de receitas e reduzir a visibilidade para novos aportes”. Perguntada sobre possíveis cortes de investimento, a Atlas disse que “realiza avaliações contínuas e criteriosas de seu portfólio de projetos, considerando as condições regulatórias, operacionais e de mercado vigentes em cada país onde atua. No Brasil, esse acompanhamento é especialmente atento diante do atual cenário de curtailment e dos desafios relacionados à infraestrutura de transmissão e à incerteza regulatória”. Ou seja: para bom entendedor… A Atlas afirma que “O Brasil continua sendo um mercado estratégico para a Atlas Renewable Energy e segue no radar prioritário da companhia na América Latina. Embora o cenário de curtailment e os gargalos de transmissão, bem como a falta de uma solução regulatória, tragam desafios relevantes para todo o setor, a empresa mantém seu compromisso de longo prazo com o país”. A emnpresa diz ainda que “avalia constantemente as condições de mercado em todas as geografias onde atua, mas isso faz parte de uma gestão responsável de portfólio e não representa um movimento de redirecionamento estrutural de investimentos para fora do Brasil. A companhia entende que o enfrentamento adequado das questões relacionadas ao curtailment é fundamental para preservar a confiança dos investidores e sustentar a expansão das energias renováveis no país.”Embora afirme que “não há, neste momento, qualquer decisão ou movimento de redistribuição de capital entre países da região”, a Atlas diz que “adota uma gestão disciplinada e técnica de seu portfólio na América Latina, baseada em avaliações contínuas das condições de cada mercado. Para isso, “considera um conjunto amplo e integrado de fatores em suas análises de investimento, incluindo estabilidade regulatória, previsibilidade de receitas, disponibilidade de infraestrutura, condições de financiamento e demanda de longo prazo por energia renovável”.

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