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11.08.10

Há um nervo exposto no prato do BNDES e da JBS Friboi

 Em meio a  agonia dos pequenos e médios frigoríficos nacionais e a s pesadas críticas do setor a  política do BNDES, as relações entre o banco e um de seus “cavalos vencedores”, a JBS Friboi, passam por um forte abalo sísmico. Os tremores são causados pelo comportamento de Joesley Batista, presidente e acionista da companhia. Aos olhos da própria diretoria do BNDES, o banco caminha de maneira quase inexorável para uma armadilha criada pelo empresário. Batista teria se sentado em cima do IPO da JBS USA, braço norte-americano do grupo, com o objetivo de forçar a instituição a aumentar sua participação no capital da JBS Friboi.  O impasse remonta ao início deste ano, quando o BNDES subscreveu quase a totalidade dos R$ 3,4 bilhões em debêntures emitidos pela JBS Friboi para financiar a compra da norte-americana Pilgrim?s. Pelo contrato, o grupo se comprometeu a abrir o capital da JBS USA até o fim deste ano. Com a emissão, o BNDES recuperaria parte expressiva dos recursos aportados na operação. No entanto, Batista já sinalizou ao banco que não pretende realizar o IPO. Usa como álibi as circunstâncias do mercado, hostis a  oferta de ações. Para o BNDES, não passa de um pretexto. No fim de 2009, quando o contrato foi sacramentado, a Bolsa já sofria problemas de liquidez, IPOs eram suspensos e, ainda assim, o frigorífico topou o acordo. Procurada pelo RR – Negócios & Finanças, a JBS Friboi informou que a relação com o banco “é das mais sólidas e cordiais e não existe nenhum impasse entre os dois.” O BNDES, por sua vez, não quis se pronunciar sobre o assunto. Sem a abertura de capital, as debêntures compradas pelo BNDES serão automaticamente convertidas em ações da JBS Friboi. Há oito meses, parecia um bom acordo para ambas as partes. Hoje, é uma espada encravada na carteira de crédito do banco. Embora prevista em contrato, a operação não agrada a  agência de fomento. Sua participação da JBS Friboi saltará de 19% para aproximadamente 35%. Há hora para tudo e este talvez não seja o momento para o banco ter uma exposure tão grande em uma única empresa quando o setor está enterrado em recuperações judiciais, dívidas, fechamento de indústrias e demissões. O aumento da participação na JBS Friboi só deverá amplificar a chiadeira dos pequenos e médios frigoríficos em relação a  política do BNDES. A JBS Friboi, por sua vez, está a cavalheiro no episódio, noves fora o desgaste político. Se fizer o IPO, colocará alguns milhões de dólares no bolso. Caso contrário, manterá a JBS USA como uma empresa 100% controlada. Ao mesmo tempo, deixará o BNDES ainda mais amarrado ao seu projeto de expansão, do qual o banco tem sido o principal financiador. E, tudo isso, ressalte-se, cumprindo a  risca o contrato com a instituição.

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