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Acervo RR
590 Madison Avenue, 27º andar. É no nobre endereço em Manhattan que está sendo decidido o futuro da Agrenco, empresa de agronegócio que vive um calvário há mais de três anos ? com prisão de controladores, um rumoroso processo de recuperação judicial e paralisação das atividades industriais. Nos últimos dias, é intenso o vai-vem de credores da companhia na sede do Global Emerging Markets (GEM), em Nova York. O private equity fez uma oferta para entrar no capital da Agrenco Limited, holding onde está pendurada a Agrenco Brasil. O fundo deverá aportar entre R$ 130 milhões e R$ 180 milhões mediante a compra de ações pertencentes aos sócios controladores, a começar pelo empresário Antonio Iafelice, principal acionista. As negociações têm sido conduzidas pela consultoria internacional Alvarez & Marsal. Os credores, por sua vez, são representados pelo Bank of New York Mellon. A expectativa é de que um acordo preliminar seja anunciado até a próxima semana. O valor preciso do aporte será definido com base no preço das ações da Agrenco em Bolsa em um determinado período. As projeções indicam que esta cifra para a subscrição ficará entre R$ 1,79 e R$ 2,00 ? haverá um deságio de 10,5% sobre a cotação média. No total, o GEM deverá ficar com algo próximo de 65 milhões de ações da Agrenco. O aporte deverá ser feito por meio do GEM Global Yield, um dos fundos da gestora de private equity. Na semana passada, foi realizada uma assembleia geral extraordinária de acionistas da Agrenco, que modificou os estatutos, não por coincidência com mudanças que passaram a facilitar a entrada de um novo acionista no bloco de controle. As negociações com a GEM ocorrem em um momento decisivo para a Agrenco. Nos próximos dias, além do eventual acordo com o private equity, importantes mudanças deverão ocorrer na companhia. A assembleia geral de credores marcada para 14 de abril deverá sacramentar a substituição de todo o Conselho de Administração. Na prática, a medida significará a ruptura do contrato com o consultor Nelson Bastos, integrante do Conselho da Agrenco Brasil. Representará também, ainda que indiretamente, uma vitória do controlador da empresa, Antonio Iafelice, que, há meses, disputa uma queda de braço com os credores para afastar Bastos do negócio. Outro importante passo em curso diz respeito a retomada das operações industriais da Agrenco, que entrou em recuperação judicial em 2008 com dívidas em torno de R$ 1 bilhão. Com o eventual aporte da GEM, a fábrica de biodiesel de Alto Araguaia (MT) entraria imediatamente em funcionamento. Posteriormente, seria a vez da unidade de Caarapó (MS).
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