3G Capital prepara sua mordida no Burger King Brasil - Relatório Reservado

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3G Capital prepara sua mordida no Burger King Brasil

  • 15/12/2010
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O empresário Luiz Eduardo Batalha, controlador do Burger King Brasil por meio da máster franqueada BGK, está sentindo um forte cheiro de carne queimada. A fumaça vem da sua própria cozinha. O motivo é o acordo firmado entre o Grupo Vierci, do Paraguai, e a 3G Capital holding de Jorge Paulo Lemann, Beto Sicupira e Marcelo Telles, que, em setembro, comprou o controle mundial da rede de fast food. Franqueada do Burger King no Paraguai, Uruguai e em Santa Catarina, a Vierci recebeu sinal verde para abrir restaurantes em São Paulo. A BGK não engoliu a decisão e o constrangimento de ter de dividir a operação brasileira com mais um franqueado. Na empresa, há quem enxergue neste enredo mais do que um mero contrato de franchising. O acordo com os paraguaios seria uma manobra da 3G para, mais a  frente, assumir a  fórceps o comando do Burger King no Brasil, que mantém uma estrutura societária desvinculada da rede norte-americana. Os novos controladores do Burger King estariam dispostos a fortalecer a posição da Vierci, inclusive financiando a abertura de novos restaurantes. O objetivo seria esvaziar a BGK e, desta forma, forçar sua saída do controle da operação brasileira na bacia das almas. Teorias da conspiração a  parte, não é a primeira vez que a BGK sofre uma ameaça desta natureza. No ano passado, antes, portanto, da venda para a 3G, o Burger King chegou a contratar mais um franqueado para São Paulo, o Grupo De Nadai ver RR Negócios & Finanças nº 3.741. Desta vez, no entanto, o risco é mais elevado. A 3G tem um poder de pressão sobre os máster franqueados exponencialmente maior do que os antigos controladores do Burger King, que, no ano passado, já estavam fragilizados com a dívida de quase US$ 1 bilhão. Embora tenha de seguir um corolário de rígidas obrigações contratuais para o uso da marca, a Burger King Brasil é um cluster, um principado com administração autônoma em relação a  matriz. Não é exatamente o modelo que mais agrada aos novos controladores do grupo. Lemann e cia. consideram que é vital assumir a operação brasileira com rédeas curtas, dado o potencial de crescimento da rede no país. Pesam contra a BGK sua reduzida musculatura financeira para ampliar consideravelmente a rede do Burger King no Brasil e, sobretudo, o permanente clima de conflagração societária da empresa. Batalha carrega um histórico de desavenças com os demais acionistas. Sócios da BGK chegaram a entrar na Justiça contra o empresário alegando não ter acesso a s demonstrações financeiras da companhia.

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