Ofensiva dos EUA contra crime organizado cobra um preço adicional à XP

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Ofensiva dos EUA contra crime organizado cobra um preço adicional à XP

  • 3/06/2026
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A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas promete cobrar uma fatura pesada do sistema financeiro brasileiro. Bancos, corretoras e fintechs terão de desembolsar somas crescentes para reforçar estruturas de compliance, monitoramento e prevenção à lavagem de dinheiro e atender a uma nova e mais rigorosa régua de compliance. O próprio ministro da Fazenda, Dario Durigan, já externalizou a sua preocupação com o assunto. Em entrevista ao Valor, publicada ontem, Durigan enfatizou que bancos brasileiros já estão sendo forçados a contratar escritórios de advocacia no exterior e fortalecer processos de compliance, mesmo cumprindo exigências da legislação nacional e da regulação do Banco Central. Por um inevitável efeito de transmissão, essa é uma conta que vai bater no cliente: “Os bancos e as fintechs vão ter que aumentar custos e, como a gente sabe, passar isso para tarifa que você paga, para o spread”, disse o ministro.

Nesse novo tabuleiro, segundo quatro analistas ouvidos pelo RR, a XP Investimentos desponta como uma das instituições mais expostas aos efeitos colaterais da medida. O impacto potencialmente maior decorre do próprio modelo de negócios do banco. A atuação comercial da XP está fortemente baseada em uma extensa rede de agentes autônimos espalhados pelo país. São mais de 18,3 mil assessores, reunidos em aproximadamente 600 escritórios. Significa dizer que, de cada três agentes autônomos credenciados no Brasil, dois trabalham para a XP. Essa atomização da força de venda foi fundamental para a instituição financeira atingir o tamanho que tem hoje. No entanto, em um ambiente de redobrada vigilância internacional, ela se torna objeto de maior escrutínio. Até que ponto é possível garantir uniformidade de procedimentos de compliance em cerca de 600 escritórios espalhados pelo país? É exequível manter um grau de supervisão sobre milhares de representantes comerciais compatível com o padrão de diligência que passa a ser exigido pelas autoridades americanas? São questionamentos que tendem a pairar sobre a XP em um cenário em que reguladores, bancos correspondentes, custodiante internacionais e autoridades americanas olharão com muito mais atenção para os mecanismos de controle das instituições financeiras brasileiras.

O debate ganha relevância justamente porque a própria CVM atribui às instituições financeiras a responsabilidade pela fiscalização dos assessores vinculados às suas plataformas. Em outras palavras, quanto maior a rede, maior a carga de supervisão. E quanto maior a carga de supervisão, maior a conta. Ou seja: o mesmo modelo de distribuição que transformou a XP na principal força de ruptura do sistema bancário tradicional pode agora se tornar uma fonte adicional de custos em um ambiente de endurecimento regulatório global.

#XP Investimentos

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