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Brasil é pole position no projeto da BYD para a Fórmula-1
Os planos da BYD de entrar no automobilismo, notadamente na Fórmula 1 – revelados pela Bloomberg no último dia 11 –, passam obrigatoriamente pelo Brasil. Segundo o RR apurou, o projeto envolve a contratação de um piloto brasileiro. O alvo principal seria o próprio Gabriel Bortoleto, que está em seu segundo ano na categoria e tem contrato com a Audi apenas até o fim desta temporada. Outro nome no radar seria o de Rafael Câmara, piloto da Fórmula 2, que deverá fazer alguns treinos livres pela Ferrari ao longo deste ano. A BYD matura a ideia de ter sua própria equipe de F-1, seja com a aquisição de uma escuderia, seja com a criação de um time do zero. A “BYD Racing” desponta como um projeto de afirmação soberana, como quase tudo que diz respeito a investimentos chineses no mundo. Mais do que uma mera iniciativa esportiva ou empresarial, seria mais uma conquista geoeconômica de Pequim, com a entrada de sua montadora mais conhecida em um seleto clube historicamente dominado pela indústria automobilística europeia, com algumas incursões pontuais de marcas norte-americanas. Procurada pelo RR, a BYD não se manifestou até o fechamento desta matéria.
O Brasil tornou-se peça central na engrenagem de negócios da BYD. O país é o pilar da estratégia global da montadora. Trata-se do segundo maior mercado da companhia, atrás apenas da própria China. No ano passado, a companhia comercializou cerca de 113 mil veículos no Brasil. Seu market share no segmento de automóveis elétricos é de 70%. Esse peso não é apenas comercial. A companhia fez no Brasil uma de suas principais apostas industriais fora da China no país, com a fábrica de Camaçari (BA), projetada para produzir inicialmente 150 mil veículos por ano, com planos de expansão significativa e geração de milhares de empregos. A operação brasileira também é estratégica como plataforma de exportação para a América Latina, consolidando o país como hub regional da marca.
É nesse contexto que um eventual projeto na Fórmula 1 ganha contornos brasileiros. A lógica é direta: a principal vitrine esportiva da empresa tende a refletir seus mercados prioritários. E, hoje, nenhum país fora da China reúne tanto peso estratégico quanto o Brasil. A presença de um piloto brasileiro — seja Gabriel Bortoleto ou outro nome — funcionaria como extensão natural dessa estratégia, aproximando a marca de seu público mais relevante fora do eixo asiático. Some-se ainda o retorno dos direitos da F-1 ao maior conglomerado de mídia da América Latina, com transmissões tanto na Globo quanto no Sportv.