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Raízen encaminha a venda de suas operações na Argentina e no Paraguai
A Raízen prepara, a um só tempo, dois movimentos mais agudos em seu plano de desmobilização de ativos. A empresa está prestes a fechar a venda de suas operações na Argentina e no Paraguai. O acordo mais avançado, que deve ser anunciado nos próximos dias, é a negociação dos ativos no mercado argentino para um consórcio formado pelos empresários locais José Luis Manzano e Daniel Vila e pela suíça Mercuria. Segundo informações filtradas pelo RR, tanto a Cosan quanto a Shell, controladores do grupo, já teriam aceitado a oferta colocada sobre a mesa, em torno de US$ 1,3 bilhão. O pacote engloba a refinaria Dock Sud e cerca de 700 postos da bandeira Shell, que representam quase 20% do mercado de distribuição de combustíveis no país – atrás apenas da estatal YPF (55%). No Paraguai, por sua vez, as tratativas passam pela venda de 300 postos de combustíveis para estatal Petropar. A Raízen detém uma participação de 27% no negócio, em sociedade com a família Ortega Echeverría. A saída da Argentina e do Paraguai marcará o fim das atividades operacionais da empresa no exterior – restarão apenas escritórios comerciais.
A venda dos ativos na Argentina desponta como o passo mais impactante no processo de desmobilização de ativos até o momento. Para se ter uma ideia, em termos financeiros a operação vai superar, com alguma folga, a soma de todos os demais ativos negociados pela companhia desde março. Nesse período, a joint venture entre Cosan e Shell levantou cerca de R$ 4,5 bilhões, com a venda de usinas de álcool e açúcar e de controladas na área de geração de energia. É o esforço da guerra da Raízen para fazer frente a um passivo de R$ 50 bilhões e a uma alavancagem (dívida líquida/Ebitda) de 4,5 vezes. A empresa trabalha com a meta de amealhar R$ 15 bilhões com a desmobilização de participações. Procurada pelo RR, a companhia não quis comentar o assunto.
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