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Destaque
A entrada do BTG e da Perfin Investimentos no capital da Cosan começa a ter seus primeiros desdobramentos sobre os negócios que compõem a holding de Rubens Ometto. Há informações de que Ometto e seus novos sócios discutem mudanças estratégicas na Rumo Logística.
No curtíssimo prazo, a prioridade é se livrar da Malha Oeste, vista dentro da companhia como um fardo, pela sua baixa rentabilidade e pela permanente queima de caixa – nos seis primeiros meses do ano, a ferrovia torrou cerca de R$ 215 milhões. O desafio da Cosan é fechar um acordo com o governo para a devolução da concessão até dezembro, seis meses antes, portanto, do fim do contrato, previsto para junho de 2026.
O assunto ricocheteia no Ministério dos Transportes e no TCU, atravessando trilhos sinuosos, por onde, aliás, circulam interesses privados e políticos. Um exemplo: o que se diz à boca miúda em Brasília é que, nas últimas semanas, o ex-ministro José Dirceu entrou nesse comboio em busca de uma solução para o imbróglio. Por solução, leia-se a relicitação da ferrovia, com o aval do TCU. É a porta de saída de que a Rumo precisa.
A Malha Oeste é a questão premente, fumegante, que precisa ser resolvida para ontem. Olhando-se mais para o médio e longo prazo, quem está na berlinda é a própria gestão da Rumo Logística, à frente o CEO, Pedro Palma. Há questionamentos à condução estratégica da empresa.
Entre os investidores, era dado como certo que a Rumo conseguiria um aumento considerável em seus preços de frete neste ano. Não só não ocorreu, como a companhia teve de engolir um decréscimo: na média, os contratos de transporte de grãos fechados no segundo trimestre deste ano tiveram preço de R$ 246 por tonelada, abaixo do valor médio de R$ 261 no ano passado. Aos olhos do BTG e da Perfin, a conta não fecha.
O maior fator de pressão sobre os resultados vem do binômio yelds cadentes/capex elevado. Quem o diz é o próprio banco de André Esteves: em recente relatório da área de research, o BTG apontou o baixo retorno sobre o capital aplicado e a gestão do plano de investimentos como dois problemas centrais da companhia.
Procurada pelo RR, a Rumo não se manifestou.
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