Governo está a uma vírgula de zerar o déficit primário nas contas de 2024 - Relatório Reservado

Economia

Governo está a uma vírgula de zerar o déficit primário nas contas de 2024

  • 9/01/2025
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O secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, está incumbido pelo ministro Fernando Haddad de catar coquinho nas contas públicas para zerar o déficit primário. Mello, ainda nesta semana, se antecipou e projetou um buraco de 0,4% para 2024, quase na esquina do intervalo de tolerância de 0,25%. Vale tudo: empoçamento, contingenciamento, redução de despesa, contas a pagar, revisão de cadastro. Mas o número de Mello foi somente uma trucagem. No momento em que o mercado precifica um déficit na faixa de 0,8% no resultado primário de 2024, Haddad anunciou ontem que o provável número será um “rombo” de 0,1%. Significa dizer que o governo estaria a uma agulha de alcançar a meta colocada pelo próprio ministro, de zerar o déficit, um resultado com forte valor simbólico. Haddad honraria o compromisso de trazer o primário para o zero a zero. O timing em cima da hora do anúncio permite concluir que o percentual já está dado. O ministro não divulgaria um resultado praticamente cravado senão tivesse elementos para isso. O arranjo da comunicação com Mello, jogando o déficit primário para cima, daria condições ao ministro de surpreender o mercado com um resultado bem melhor e ter algum argumento para combater as catastróficas previsões fiscais.

Guilherme Mello tem a difícil missão de achar uma forma de zerar o déficit. Mas, para o governo, a grande vitória no coliseu das contas orçamentárias seria um superávit primário em 2024 mesmo que minúsculo, da ordem de 0,1%. Seria um presentaço para Lula nesse início de ano, em que os números do setor real foram muito acima da curva e o entroncamento entre o fiscal, o monetário e o recrudescimento da inflação turvou o cenário de melhoria da qualidade de vida da população. E o como o mercado deverá interpretar esse resultado inusitado?

Segundo as fontes do RR, as instituições financeiras provavelmente farão forfait para a surpresa. Podem até prosseguir piorando o Focus, com a potencialização da variável Donald Trump. E mais: dirão que o resultado primário é fake, pois um caminhão de despesas foi excluído do orçamento devido ao critério de excepcionalidade. Outro argumento que deve correr na raia dos analistas é que nenhuma das iniciativas com o objetivo de trazer as contas públicas para a proximidade – ou dentro – da meta é estruturante. Seriam apenas floreios fiscais passageiros, medidas que até podem mudar o placar, mas deixam a sensação de que a derrota por pênaltis após o tempo normal é inexorável.

De qualquer forma, os avanços possíveis continuam esbarrando na perspectiva de uma melhor comunicação do governo. Haddad tem a qualidade de passar tranquilidade, mas não transmite vibração e ar de conquista. Tudo aquilo que anunciou como positivo teve um efeito gélido sobre o mercado. Mesmo a esperada reforma tributária alcançou poucos minutos de glória. Aliás, reforma que ainda se encontra encalacrada. A ver se todas as medidas, manobras e bons resultados eventuais do governo serão recebidos com desdém.

O diferencial dessa equação pode ser um jogador já escalado, mas que ainda está se aquecendo para a partida. O nome da peça é Sidônio Palmeira, novo chefe da Secretaria de Comunicação (Secom) do governo. Sidônio será uma espécie de Paulo Guedes da Comunicação. Guedes, quando ministro da Economia, pairava sobre todos os ministérios. Sidônio terá a mesma condição de onipresença e onipotência. Na sua competência residem parte das condições eleitorais competitivas de Lula e o PT. Em ordem de grandeza, o papel de mitigar a situação encalacrada do governo, era um díptico, com Haddad e Lula. Agora tornou-se um tríptico, com Sidônio se consolidando como a terceira perna. Será um bom teste para saber se a comunicação tem o condão de arrumar a bagunça. E se as conquistas do governo, parcas ou não, vão ressoar junto àqueles que formam as expectativas.

 

#Déficit Primário #Ministério da Fazenda

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