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13.09.17
ED. 5703

Luciano Coutinho veste a armadura do acadêmico

O ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho traçou uma rota para atravessar o período de turbulência. Vai concentrar sua atividade e exposição em questões de ordem acadêmica, preferencialmente não relacionadas ao banco. Apesar da indissociabilidade com a LCA Consultoria, pretende se divorciar temporariamente de funções executivas, mesmo continuando ligado à empresa.

Luciano acha que o melhor desinfetante para as agruras sofridas com a Lava Jato é voltar a ser o que sempre foi: um economista industrialista, e escrever, escrever, como se não houvesse amanhã. Essa é sua chinese wall. Ele atravessa com a placidez de um monge os tormentos das circunstâncias, tais como o bloqueio dos seus bens por um juiz federal do Mato Grosso. Nada a ver com a Lava Jato. Aliás, o maior espalha-brasas entre todos os delatores, o empresário Joesley Batista, fez questão de ressaltar que Coutinho não tinha qualquer relação com suas operações pouco republicanas.

Em meio a tanta notícia desagradável, eis um fato positivo: Luciano Coutinho é um dos economistas com maior network entre os empresários de São Paulo e relacionamento no circuito internacional de agências de fomento. Ele continua a ser visitado, emitindo opiniões e prestando conselhos. Com seu jeito zen, não se arrepende sequer da longa temporada no BNDES, uma antiga obsessão profissional.

Coutinho largou umas das consultorias mais bem-sucedidas de São Paulo para dar expedientes de 15 horas com uma remuneração bem inferior à que tinha na sua empresa. Agora, inexoravelmente vai ter seu momento de Geni, tomando pedradas aqui e acolá. Por isso não é o momento de falar da teoria que fundamentava os “cavalos campeões” ou da exportação de serviços de engenharia. Em situações de linchamento não há defesa que se sustente. Mas, Coutinho faria quase tudo outra vez.

Seus amigos dizem que ele repensaria o timing de saída do banco, que poderia ter ocorrido quando se iniciaram os escândalos envolvendo a Petrobras. No entanto, ele quis se defender dentro da instituição. Depois do engenheiro Marcos Vianna foi o mais longevo presidente do banco e o mais identificado com a corporação. Quanto a sua gestão, os dados estão contidos no “livro verde”, com o qual o atual presidente, Paulo Rabello de Castro, vem defendendo a lisura e acerto técnico dos profissionais do banco.

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15.09.15
ED. 5206

Um algodão entre os cristais do ajuste fiscal

O ministro Joaquim Levy já recebeu o conselho, de viva voz, em São Paulo, de um admirador colaborativo: “Chama o Luciano Coutinho para te ajudar. Você está muito sozinho”. A conversa escorria, com as devidas mesuras protocolares, sobre a guerra fria entre Levy, Nelson Barbosa e Aloizio Mercadante, a impossibilidade da onipresença do ministro da Fazenda e seu baixo traquejo para a negociação do ajuste fiscal. Coutinho, que está quieto no BNDES, viria para missões específicas, tais como representar Levy em reuniões do Banco Mundial ou do FMI, por exemplo. O staff do ministro não tem quadros dessa envergadura. Mas a maior das suas incumbências seria a “missão de todas as missões”: Coutinho seria uma espécie de embaixador para a negociação com o Congresso, empresários e a mídia do pacote de corte de gastos e aumento das receitas. Alguém se lembra do ministro extraordinário para renegociação da dívida externa? Foi no governo Collor que o embaixador Jorio Dauster exerceu com notório êxito a função. Na ocasião, o Joaquim Levy d’antanho, com o perdão da comparação, era a todopoderosa ministra Zélia Cardoso de Mello. O economista Antônio Kandir era o que havia de mais fronteiriço a Nelson Barbosa. Dauster foi se dedicar exclusivamente ao assunto, sem criar ciúmes, superposições, fofocadas. Seu exemplo avaliza o replay do modelo. Luciano Coutinho reúne as características essenciais para a função: é inabalável, possui uma paciência de Jó, entende do assunto, tem trânsito no PMDB – foi um dos fundadores do partido original –, conhece o empresariado que interessa e pode fazer uma boa ponte com a Unicamp – onde foi professor de Dilma Rousseff e de Mercadante, só para dizer alguns. E ainda tem o fundamental: uma boa relação com Levy. A mediação em tempo integral permitiria que o economista, com seu estilo zen, ficasse debelando incêndios e abatendo os balões de ensaio que são soltos a cada minuto. Coutinho, com seu estilo didático, teria o perfil para percorrer incansavelmente os gabinetes do Congresso explicando cada vírgula do ajuste. Segundo o interlocutor de Levy, a ideia seria uma resposta aos defensores simplórios de que tudo se resolve dando o que o PMDB quer, portanto laborar no assunto é uma atitude moralmente defensável, mas pragmaticamente inoperante. Coutinho tem como adversário a campanha deflagrada contra o BNDES. Mas, por enquanto, nada colou.

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20.08.15
ED. 5189

BNDES inicia sua longa jornada noite adentro

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, desembarca hoje no Congresso Nacional com a missão inglória de impedir o estupro da instituição. A CPI do BNDES é uma cortina de fumaça para aleijar o banco. Não bastará à instituição purgar em praça pública a averiguação de eventuais desmandos financeiros, a exemplo da Petrobras. O banco, não sendo extinto, precisa ser descaracterizado em sua essência, ou seja, uma agência de fomento que tem por função prioritária a concessão de financiamentos ao setor industrial. O RR apurou que a presidente Dilma Rousseff abandonou a causa da integridade do BNDES. O que Dilma não quer é que o banco se constitua em mais um escândalo, uma espécie de segunda Petrobras. Seu empenho é empurrar para longe as acusações de corrupção e malversação de recursos. Essas denúncias recaem na direção do expresidente Lula, sinônimo de CPI do BNDES. Lula precisa ser preservado, o governo precisa ser preservado, mas o banco, na ótica palaciana, poderia entregar dedos e anéis. A pressão é para que o BNDES encolha, reduza seu enraizamento com a política industrial, se torne uma espécie de Sebrae tonificado, perdendo o seu protagonismo estratégico. Nesse contexto, a palavra subsídio é tida como um anátema. Coutinho adentra a CPI empunhando três bandeiras: a defesa da probidade e lisura das operações do banco, a preservação do que for possível na sua estrutura de funcionamento e salvar sua própria pele. O curioso da CPI é que existem apenas suspeições, algumas delas bisonhas. O caso das privatizações no governo FHC, notadamente da Telebras, BNDES inicia sua longa jornada noite adentro em que a corrupção foi pública, sequer é mencionado. Ao contrário do escândalo da “telegangue”, neste momento não há um nome acusado de desvio de recursos ou de aceitação de propina na inquisição do BNDES. Afinal, quem é o Paulo Roberto Costa do banco? Algumas denúncias sugerem uma CPI do aparelho de Estado brasileiro, devido à amplitude de participação do governo. Por exemplo: o financiamento à prestação de serviços em outros países é chancelado pelo Ministério das Relações Exteriores, conta com a participação do Ministério do Desenvolvimento e a permissão do BC, para citar somente três órgãos governamentais. E o repasse dos recursos do Tesouro? Ora, o banco somente aceitou a decisão da Fazenda, que o escolheu como instrumento da sua política contracíclica para enfrentar a crise internacional. E os “cavalos vencedores”? Pode ser uma decisão questionável, mas já foi provado que as operações não incorreram em prejuízo. A CPI pretende propor medidas no melhor estilo do senador Joseph McCarthy, tais como a criação de um “grupo de inteligência” do Senado, que vai investigar as informações mais intestinas do banco. Os critérios para seleção dos investimentos também seriam escolhidos pelos parlamentares. Ninguém sabe o que ficará fazendo a melhor equipe técnica do país. A impressão é que o real objetivo da CPI do BNDES está encoberto pelo mar de lama no qual pretende se afogar o banco. O nome da CPI deveria ser a do “fim do BNDES”. Ou melhor, a CPI de Ignácio Rangel, Roberto Campos e Celso Furtado, os mentores da existência do BNDES e de seus melhores propósitos.

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