Tag: Rio de Janeiro
Política externa
Itamaraty mobiliza embaixador na ONU após nota sobre operação no Rio
29/10/2025O chanceler Mauro Vieira foi encarregado da missão de convocar o embaixador do Brasil na ONU, Sérgio França Danese, para que preste explicações à agência multilateral sobre o morticínio ocorrido na cidade brasileira mais conhecida do mundo. A ONU divulgou nota se dizendo “horrorizada” com a operação no Rio. Para efeito externo, o governo brasileiro fere direitos humanos, é assassino e usa práticas ineficientes contra o crime que assola o país. Os resultados são mais mortes, mais mortes e mais mortes. Caberá a Danese cavar um espaço para dar as explicações do governo brasileiro. A recomendação ao embaixador do Brasil na ONU é que consiga extrair do Alto Comissariado de Direitos Humanos da entidade algum pronunciamento capaz de reduzir, ainda que minimante, o tom da nota divulgada. O risco é que a situação trágica do Rio assuma um papel de maior preponderância entre os temas que serão discutidos na COP 30.
Segurança
Brasília e Rio blindam Forças Armadas da tragédia na segurança pública
29/10/2025Na conversa entre o ministro Rui Costa e Claudio Castro ficaram acertados dois pontos cruciais dos discursos do governador e do presidente Lula ou qualquer representante que venha a vocalizar o governo central. O primeiro deles, não mencionar em qualquer hipótese a possibilidade de intervenção federal, prevista na Constituição em situações como essa. Até porque a medida implicaria a substituição temporária no comando do estado na segurança pública. O segundo ponto, de acordo com uma alta fonte do governo federal, é evitar ao máximo a citação às Forças Armadas, especialmente ao nome dos comandantes militares. Essa última recomendação foi seguida à risco no caso da explicação sobre a requisição de uso dos blindados da Marinha, encaminhada, em janeiro, ao ministro da Defesa, José Mucio. Ao menos por ora, o projeto é sumir com os militares da tragédia no Rio.
Segurança
O dia em que o Rio bateu a Faixa de Gaza
29/10/2025Até o momento, Lula não se manifestou sobre a megaoperação operação policial e a barbárie registrada ontem no Rio. O presidente deverá se pronunciar ao longo da tarde, após reunião agendada com o ministro da Casa Civil, Rui Costa. Além das nuances políticas em torno do assunto, o cuidado do Palácio do Planalto se explica também pela repercussão do episódio no exterior. Desde ontem, a Secom monitora a cobertura da mídia internacional sobre o tema. As cenas de guerra no Rio eclodem a menos de duas semanas da abertura da COP30, que trará ao Brasil autoridades de mais de uma centena de países. No Planalto, há também uma preocupação em aquilatar o impacto do episódio sobre a imagem do próprio presidente da República, que acaba de regressar de sua viagem à Ásia, trazendo a reboque a exitosa reunião com Donald Trump. O estrago na imprensa estrangeira foi grande. Levantamento feito pelo RR em mais de 2.600 veículos jornalísticos de 190 países aponta 27.721 menções à tragédia entre às 10h30 de ontem e às 12h30 de hoje (horário de Brasília). Em média, são mais de 145 citações por país ou dez registros por publicação. Significa dizer que, no intervalo de tempo analisado, a mídia internacional produziu 1.066 reportagens por hora sobre a violência no Rio de Janeiro. Talvez tenha sido o dia em que a “Cidade Maravilhosa” eclipsou a Faixa de Gaza e a Ucrânia no noticiário. Uma catástrofe!
Segurança
O que Claudio Castro não disse (e não deveria mesmo dizer)
29/10/2025Em sua entrevista coletiva concedida há pouco, o governador Claudio Castro procurou claramente manter a firmeza diante da operação policial da véspera e de todas as cenas de violência na cidade do Rio. Castro afirmou que diversos governadores ligaram para ele, nas suas palavras parabenizando-o pela ação e oferecendo ajuda. O que Castro não revelou é que os telefonemas trataram, principalmente, da necessidade ou não de cooperação para “bloquear” as fronteiras. Nas conversas, os governadores manifestaram preocupação com o risco de que fugitivos da megaoperação policial no Rio, notadamente lideranças do Comando Vermelho, se bandeiem para outros estados. Da mesma forma, os chefes de governo externaram a Castro o receio de que esses bandidos contem com o apoio de células da própria facção ou de outras organizações criminosas fora do Rio. Nos contatos, alguns dos governadores mencionaram a intenção de fortalecer o policiamento na entrada dos estados, manifestando até mesmo a possibilidade, no limite, de instalar barreiras de contenção para dificultar o eventual fluxo de criminosos.
Quando perguntado sobre a hipótese de envio de forças de segurança adicionais, Castro disse que não precisa de mais soldados, mas, sim, de recursos para intensificar as ações contra o crime. Um dos grandes desafios neste momento, entre tantos, é evitar o retorno dos criminosos fugitivos às áreas alvo da operação de ontem. É sintomático também que o governador tenha afastado a possibilidade de repetir experiências já fracassadas de ocupação. Esse é um campo minado. Além do fiasco das UPPs, outra forma de ocupação de áreas conflagradas no Rio foi um insucesso ainda maior. A intervenção federal de 2018 não teve o efeito esperado – e contribuiu, inclusive, para macular a reputação das Forças Armadas. Ainda que a operação tenha sido feita no governo Temer, esse é um assunto que remete ao maior aliado de Castro, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Não custa lembrar que o comando da ação militar no Rio ficou a cargo do general Braga Netto, ministro da Casa Civil e candidato a vice de Bolsonaro em 2022. Entre o dito e não dito, o que ficou subentendido nas entrelinhas é que a guerra está longe de terminar. Vem mais por aí.
Política
Eduardo Paes inventou uma caixa-preta para esconder-se de si próprio
15/07/2025O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, precisa encontrar um outro slogan além da caixa-preta para justificar a lambança na operação de bilhetagem do Rio, com a criação do Jaé. A caixa-preta, seja lá o que contenha, refere-se ao motivo intrincado pelo qual dedicou sua gestão ao cassar o direito da Riocard – empresa pertencente à holding Riopar, que tem como acionistas sindicatos de ônibus. Sempre foi assim. Até porque a Riocard é uma das poucas prestações na área dos serviços públicos que atende bem ao cidadão carioca. Até a atual gestão, Paes não tinha identificado o “anátema” da Riocard. Não que o alcaide não fizesse críticas operacionais ao sistema. Mas em meados de 2023, surge a demoníaca caixa-preta. A partir daí, a expressão é a bête noire do prefeito, repetida ad nauseam, como se não houvesse outro assunto relevante em sua gestão. Paes pode até estar sofrendo de um transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) com a enigmática caixa-preta. Ou mesmo de ecolalia ou palilalia – distúrbio de repetição de palavras. A caixa-preta esconderia cobras e lagartos, e sobre esses bichos haveria um manto granítico encobrindo sua transparência. E mais não se revela. Ora, se for um problema de ordem psicológica, ou algum tipo de paranoia, Paes precisa urgentemente se tratar. Sua fixação pelo termo, que significa mais um conceito do que dados objetivos, está transtornando o transporte urbano da cidade. Ao mesmo tempo, o prefeito parece querer quebrar as empresas de ônibus do município.
Mas vamos aos fatos. O RR consultou 80 veículos de comunicação impressos e online do Rio de Janeiro, entre julho de 2023, aurora do Jaé, e maio de 2025, com a nova operação de bilhetagem já entrando em “pleno” funcionamento. Nesse intervalo, Paes fez 1.237 menções críticas a caixa-preta (65%) e 665 (35%) críticas operacionais ao funcionamento do sistema – aspectos variados do mal serviço da mobilidade no Rio. O total é de 1.902 críticas, sendo que, com relação aos aspectos diversos, o prefeito também inclui, indiretamente, a famigerada caixa-preta. Com relação às menções críticas ao Jaé, o prefeito, o criador, não condena a sua própria criação, que parece ser um sistema perfeito. Não é o que pensam os usuários do Jaé. Em idêntico levantamento, foram relacionadas as menções críticas de usuários, nas mesmas mídias e mesmo intervalo de tempo. A diferença é abissal: são 21 menções diretas ao termo caixa-preta, somadas as críticas à falta de transparência e ao acesso aos dados (8%) e 2.244 citações ao Jaé (92%), todas com queixas ao funcionamento da nova bilhetagem. Paes não aceita reclamações sobre o Jaé, e interpela a própria imprensa quando ela tenta fazer seus questionamentos. Na entrevista coletiva, no dia 8 de janeiro, durante o anúncio de mais um adiamento da bilhetagem exclusiva do Jaé, o prefeito chamou os empresários de ônibus de “mafiosos” da cidade; disse que bilhões estão em jogo; e mais uma vez afirmou que vai abrir a caixa-preta. Na ocasião, Eduardo Paes usou a expressão máfia ou mafiosos oito vezes para se referir à Semove, entidade representativa dos ônibus do Rio de Janeiro. Paes submeteu ao constrangimento até os jornalistas presentes, que ele identificou como “jornalistas que defendem o Riocard”. Apontando para eles, que estavam em um canto da sala, o prefeito disse que os profissionais da imprensa não deveriam ficar do lado dos empresários de ônibus. A sanha do alcaide o levou a perder a lisura quando postou vídeos atacando a concorrência do Jaé da forma mais rancorosa, se mostrando de corpo inteiro nas redes sociais.
Não faltam vitupérios lançados contra a caixa-preta. Paes usa a palavra “delinquente” para se referir aos empresários de ônibus, que seriam os usufruidores da “mamata”. Em recente editorial, O Globo comenta a irracionalidade na operação do Jaé, afirmando que “é patética a confusão em torno do lançamento do cartão Jaé, exigido desde o último fim de semana para usuários com direito a gratuidade nos transportes municipais do Rio de Janeiro – ônibus, BRT, VLT e vans. A obrigatoriedade será estendida a todos os passageiros a partir de 2 de agosto. Quem usa trens, metrô, barcas e ônibus intermunicipais, sob controle do estado, precisará ter outro cartão. Trata-se de uma irracionalidade. A exigência de dois cartões e incompatível com as boas práticas de qualquer metrópole”.
Observando por qualquer ângulo, é difícil encontrar motivos para tamanha indisposição do prefeito em negociar uma solução pacífica para resolução dos problemas que porventura existam na bilhetagem. Consta que o alcaide sequer aceita receber os donos da Riocard. É ruim, porque qualquer tipo de autoritarismo envolvendo a coisa pública, tal como proibir que o atual operador participasse do leilão da bilhetagem, induz à fantasia de alguma circunstância inconfessável. Ressalte-se que em nenhum momento pretende-se criminalizar o prefeito. Até prova em contrário, ele é ilibado e não há caixa-preta nenhuma que leve a se pensar de outra forma. Acusar o prefeito, jamais. É mais fácil Paes estar dormindo com um paralelepípedo sobre a cabeça, tamanha sua obsessão.
Destaque
G20 aumenta a tensão do governo com o crime no Rio de Janeiro
26/10/2023As discussões no governo federal sobre os ataques criminosos no Rio de Janeiro não estão circunscritas às áreas da Justiça e Segurança e de Defesa. O tema transbordou para o âmbito da Comissão Nacional para a Coordenação da Presidência do G20, comandada pelos ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e das Relações Exteriores, Mauro Vieira – da qual fazem parte ainda diversos outros ministros e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Há dois níveis de apreensão.
No aspecto reputacional, o que preocupa é a repercussão internacional da onda de violência no Rio a pouco mais de um ano do encontro do G20 na capital fluminense, em novembro de 2024. Existe o receio de uma repetição dos ataques no curto prazo, o que desmoralizaria o aparelho de segurança do Brasil, seja na esfera estadual ou federal. Ao mesmo tempo, os graves episódios da última segunda-feira, quando 35 ônibus e um trem foram queimados por criminosos, aumentam a tensão em torno do esquema de segurança que será montado para os sucessivos eventos oficiais do G20 programados para o ano que vem.
O momento crucial é a reunião de cúpula, com a presença na cidade dos chefes de Estado das 19 maiores economias do mundo e de altas autoridades da União Europeia. O temor é que o crime organizado aproveite as circunstâncias e a visibilidade global para dar uma demonstração de poder, com atos de violência no Rio durante o encontro dos líderes mundiais.
O governo dispõe de dados que permitem medir um pouco da temperatura no exterior em relação aos atos criminosos no Rio de Janeiro. A Secom vem monitorando o impacto que a violência na cidade tem na mídia internacional. Levantamento realizado a partir de uma base com mais de 614 mil veículos estrangeiros apontou, entre a noite da última segunda-feira e o início da tarde de hoje, 1.252 menções vinculando o Rio de Janeiro à criminalidade.
Os termos mais utilizados foram “mortes” e “homicídios” (427 registros), milícias (295) e violência (207). Ressalte-se que este é um recorte inferior a 48 horas. O mesmo trabalho de mineração traz outros indicadores ainda mais expressivos.
Considerando-se a mesma base, ao longo deste ano os veículos internacionais já publicaram 48.023 citações sobre o Rio associadas ao crime. Para se ter uma melhor noção do que representa, esse número corresponde a 39,8% da soma de todas as menções às outras 26 capitais do Brasil relacionadas à segurança pública (120.448). Destrinchando-se o mapeamento é possível observar as expressões mais associadas ao Rio.
Desde janeiro, são 25.418 referências vinculadas aos termos “homicídios” e “assassinatos”. Há 12.183 menções com a expressão “violência”. Além de 3.623 registros alusivos a “crime organizado” e “milícias”.
Em meio às conversas transversais entre diferentes áreas do governo, Lula adota manobras diversionistas, tentando ganhar tempo até encontrar medidas mais efetivas contra à crise na segurança pública. O primeiro movimento foi o envio de uma segunda leva de integrantes da Força Nacional de Segurança (FNS), uma solução que nada soluciona. No total, são 300 agentes, ou seja, na média um único homem para cada 25 quilômetros quadrados da Região Metropolitana do Rio. Outro balão de ensaio, que de tão usado por seus antecessores mal sai do chão, é o ressurgimento da proposta de criação do Ministério da Segurança Pública – ideia que já passou pelas gestões de Michel Temer, de Jair Bolsonaro e pela campanha eleitoral do próprio Lula.
Não passa de mais um truque de prestidigitação retórica para desviar o foco da plateia. Difícil achar uma saída que não passe por um movimento mais radical: muito provavelmente, a questão vai cair, mais uma vez, no colo dos militares.
Entre auxiliares próximos a Lula, existem vozes que defendem a intervenção federal como única medida possível para o enfrentamento do crime organizado no Rio de Janeiro. Há, inclusive, quem pondere que o envio de tropas das Forças Armadas para o Rio deveria ser feito logo agora, o mais longe possível de novembro de 2024, de forma a descolar a ação militar da reunião do G20. No entanto, independentemente do timing, Lula rechaça a ideia. Na última terça-feira, em entrevista, negou a intenção de decretar intervenção no Rio.
A recusa se deve a motivos óbvios: o presidente resiste a repetir Michel Temer e levar para dentro do Palácio do Planalto a responsabilidade pela crise na segurança pública, em última instância algo que compete aos governos estaduais.
Do ponto de vista político, os riscos são muito maiores do que o ganho potencial. Que o diga o próprio Temer. Durante a intervenção federal de 2018 no Rio, muitos dos índices de criminalidade regrediram. Mas os efeitos benéficos duraram pouco. Alguns meses após os militares se retirarem das ruas, os números voltaram ao patamar antigo.
É mais um motivo que pesa na balança e contribui para a resistência de Lula. Se 2018 deixou uma lição é que os oito meses de intervenção federal do governo Temer no Rio serviram apenas para varrer um pouco da poeira na superfície. Para ter de fato um impacto profundo, o Exército teria de permanecer um longo tempo à frente da segurança pública no Rio.
Em meio a pressões da opinião pública, assessores políticos do presidente Lula já monitoram também cobranças políticas, notadamente do Congresso, para a adoção de medidas mais duras e de caráter estrutural. Além de ações para a área de segurança stricto sensu, os ataques criminosos do início da semana fizeram recrudescer entre os parlamentares discussões em torno da proposta de que o Rio de Janeiro volte a ter o status de capital federal, coexistindo com Brasília. Em 2020, o então deputado federal bolsonarista Daniel Silveira chegou a divulgar a minuta de uma PEC sobre o tema. Mas o projeto não foi protocolado na Câmara. Diante das circunstâncias, o tema reaparece, mais atual e premente do que nunca. Seria uma medida de efeito reparador, na tentativa de fechar as chagas abertas com a transferência da capital. Foi um ato de violência do qual o Rio jamais se recuperou.
Justiça
Ações contra a saúde pública entopem o TRF-2
3/04/2023O Tribunal Regional Federal da 2ª Região, do Rio de Janeiro, vai fazer uma espécie de tour de force para acelerar o julgamento de ações relacionadas ao sistema público de saúde. O Rio é um dos campeões da judicialização no setor: a Corte soma mais de 5,5 mil processos relacionados ao tema. Cerca de 2,2 mil dessas ações se devem a medicamentos não entregues pelo Estado. Segundo um levantamento ao qual o RR teve acesso, há processos parados na Justiça Federal há mais de 20 anos. São números que dizem muito. Tanto sobre a morosidade do Judiciário quanto sobre o drama da saúde pública no Brasil.
Negócios
Festival de música desafina e vira caso de Justiça
14/02/2023O lamaçal e as graves falhas operacionais que provocaram a suspensão do REP Festival, no Rio de Janeiro, talvez sejam o menor dos problemas dos organizadores do evento, à frente o empresário Fabrício Stofel. Segundo o RR apurou, a Ingresse, uma das principais plataformas de venda de bilhetes para shows e eventos do Brasil, estuda processar Stofel e seus sócios. A empresa teme um calote de altos decibéis. No início de fevereiro, a menos de dez dias dos shows, os organizadores do REP Festival anunciaram a mudança de local no Rio de Janeiro. A essa altura, milhares de ingressos já haviam sido comercializados. A alteração provocou uma onda de pedidos de cancelamento da compra dos bilhetes à Ingresse, até agora sem resolução, de acordo com a fonte do RR. A plataforma joga a culpa para cima dos donos do festival, que já receberam o dinheiro das vendas e até o momento não teriam devolvido o montante necessário para o ressarcimento dos tíquetes. A própria Ingresse tem informado aos clientes que, até amanhã, no mais tardar, “seus advogados adotarão as providências necessárias” em relação aos organizadores do REP Festival, uma espécie de Rock In Rio em miniatura que, literalmente, fez água. E muita lama.
Política
Uma voz importante na área de educação vai falar no Rio
22/11/2022O integrante do comitê de transição da Educação, Henrique Paim, desce agora à tarde no Rio de Janeiro para palestra fechada na Academia Brasileira de Ciência da Administração. Ele deverá apresentar as primeiras tinturas da política da Educação no governo Lula. Paim foi secretário executivo do Ministério na gestão Aloizio Mercadante. Quando este último foi para a Casa Civil do governo Dilma, assumiu o cargo de ministro da Educação. Bastante preparado, com total confiança do PT e ligado à academia, é um dos nomes mais cotados para a Pasta.
Imóvel encalhado
6/10/2022A venda do mítico edifício A Noite, na Praça Mauá, Zona Portuária do Rio, encalhou. Na licitação realizada em setembro, não houve propostas. Agora, o prédio, sede histórica da Rádio Nacional, foi colocado em leilão eletrônico no site Vendasgov, com um desconto de 25%. Quem pagar R$ 28,9 milhões leva. Até o momento, consta apenas uma oferta. E dizer que um dia Paulo Guedes prometeu arrecadar R$ 1 trilhão com a venda de imóveis da União.
Milícias do Rio merecem um Judiciário só para elas
10/08/2022O Tribunal de Justiça do Rio vai apertar o cerco ao crime organizado. Segundo o RR apurou, o TJ-RJ prepara a criação de mais duas Varas Criminais Especializadas, focadas exclusivamente em lavagem de dinheiro, corrupção e ocultação de bens e valores, entre outros delitos similares. O alvo principal é o combate às milícias, que, além de um rastro de violência e assassinatos, têm ampliado seus tentáculos em diversos ramos de negócio como fachada para suas atividades criminosas.
Entram nesse rol distribuição de combustíveis, construção civil, farmácias e até serviços financeiros e mineração, como apontam recentes investigações. Em contato com o RR, o TJ-RJ confirmou que as duas novas Varas Criminais Especializadas estão em “fase final de estruturação e devem ser instaladas no início de setembro”. Em 2019, o TJ-RJ implantou a 1a Vara Criminal Especializada – conforme o próprio RR antecipou à época, na edição de 26 de setembro daquele ano. Somente em seu primeiro ano de atuação, cerca de 500 mandados de prisão foram expedidos.
Hoje, a 1a Vara já está abarrotada com mais de 700 inquéritos e medidas sigilosas em curso. Não está dando vazão para tanto processo. Nos últimos três anos, estima-se que a área de atuação do crime organizado, notadamente das milícias, na capital tenha crescido algo em torno de 20%. Pesquisas mais recentes apontam que esses grupos já estão presentes em mais de cem dos 163 bairros da cidade do Rio, abrangendo uma população de quase quatro milhões de pessoas.
“Rio do silício”
6/07/2022O governador Claudio Castro vai incluir em seu programa de governo um pacote de estímulos com o objetivo de atrair empresas de TI para o Rio de Janeiro. Um dos formuladores do projeto é o senador Carlos Portinho. Sergio Cabral chegou a idealizar um projeto semelhante. Ficou só no Power Point.
Eike Batista é um show
23/05/2022Eike Batista não perde a pose. O ex-megaempresário, cercado de quatro jovens, ministrava, uma pequena aula, em pé, para seus petizes, na última sexta-feira (dia 20), na esquina da Rua Farani, em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. Eike discorria sobre suas façanhas com a pose de um “Jean Paul Belmondo tupiniquim”, ressaltada pelo cachecol azul enrolado no pescoço esguio. O empresário, apesar do desastre nos seus empreendimentos e a confessa participação em tenebrosas negociações, continua pop. Todos que passavam, inclusive dirigindo automóveis, davam uma espiada em Eike. O RR viu e confirma. Nunca existirá um outro empresário com o aplomb de Mr. Batista.
Rei da delação?
20/05/2022O empresário Arthur César de Menezes Soares Filho já fez chegar o recado a um seletíssimo núcleo do Poder no Rio: se for extraditado para o Brasil, vai contar tudo o que sabe. Nos Estados Unidos desde 2017, o “Rei Arthur” foi por muitos anos o monarca das licitações públicas no Rio.
Um réquiem para o Rio direto de Londres
29/03/2022Sábado, 19h30, a temperatura girando em torno de sete graus, com sensação térmica de quatro graus. Londres mais Londres do que nunca. O cenário é o restaurante estrelado Savoy Grill, ao lado do tradicional hotel Savoy. A cozinha da casa é pilotada pelo renomado chefe Gordon Ramsay. Quase no centro do salão, uma mesa ocupada por dois homens jovens chamava a atenção pelo tom de voz alto de ambos. O RR estava ao lado e entreouviu a conversa, identificando a dupla como gestores de fortunas de uma badalada asset management carioca. Um deles conhecido pela newsletter. O papo foi mais ou menos o seguinte:
Sr. A: O Rio está inviável. Não faz mais sentido permanecermos na cidade.
Sr. B: Todas as instituições financeiras vão partir.
Sr. A: Ficarão só o Dínamo, o Gávea e o Opportunity.
Sr. B : Mais o Opportunity não é bem uma gestora ou banco. É um bicho diferente. Sempre foi.
Sr. A: Vão sair todos. Questão de tempo.
Sr. B: A parada é São Paulo. É onde está todo mundo. E o dinheiro está lá.
Sr. A: Ou aqui, em Londres, que é a capital da grana. O André (Esteves) sacou na frente. Fez o circuito São Paulo/Londres/São Paulo.
Sr. B: Não tem jeito. Vamos sair. Só ficarão os obsessivos ou perdedores.
Pausa para um bife Wellington, preciosidade da casa, servido por um garçom treinado até a medula.
Um dos homens reconheceu o RR, acenou um tanto constrangido e voltou a conversar com seu interlocutor. Agora, em voz baixa. Síntese do jantar: o Rio vai ficar um deserto. Mexa-se Eduardo Paes. Antes que o dinheiro grosso da cidade escoe pela ponte aérea.
Crônica de um desastre anunciado no Rio de Janeiro
3/02/2021O transporte urbano no Rio de Janeiro está à beira de um colapso. Trata-se da mais grave crise de um setor da economia em todo o Brasil. O cenário combina uma brutal redução dos usuários pagantes, perda de passageiros nos trechos mais rentáveis, concorrência com o transporte clandestino, esgotamento financeiro das empresas e a iminência de uma quebradeira com milhares de demissões. Duramente atingidos pela pandemia, todos os modais vêm operando com taxas de ocupação bem abaixo da sua média
histórica.
De acordo com informações obtidas junto a interlocutor permanente da Secretaria de Transportes, na primeira semana de janeiro, os ônibus circularam com apenas 62% da sua capacidade. Em determina- do momento de 2020, esse índice chegou a ser de 29%. Segundo a fonte do RR, no mesmo período o BRT e os trens funcionaram, respectivamente, com 54% e 52% da sua ocupação. O metrô, por sua vez, operou com apenas 45%. Os índices mais baixos foram registrados no VLT (35%) e nas barcas (23%). A conta não fecha para nenhum dos segmentos. O ano de 2020 foi dramático para o transporte público no Rio.
Segundo o RR apurou, todos os modais, somados, registraram 950 milhões de viagens a menos na comparação com 2019 – o número inclui bilhetagem e pagamentos em dinheiro. No segmento de ônibus, por exemplo, a queda de receita chegou a R$ 2,6 bilhões, contabilizando-se tanto as linhas que circulam dentro da cidade do Rio quanto as intermunicipais. O prejuízo passou de R$ 1,2 bilhão. O resultado: desemprego e mais desemprego.
Ao longo de 2020, 19 empresas de ônibus fecharam as portas no estado. Há uma inexplicável incompreensão das autoridades em relação a esse setor vital para a economia. O Poder Público parece ter aparteado o segmento de transportes de suas prioridades. O presidente Jair Bolsonaro, não custa lembrar, vetou a liberação de R$ 4 bilhões em recursos emergenciais para o setor de transporte coletivo, aprovada pelo Congresso. Não é por falta de proposições que a situação chegou aonde chegou. O setor tem levado às autoridades uma pauta de ações para criar novas fontes de recursos e mitigar uma crise que pode se tornar estrutural. Entre as propostas apresentadas estão a tributação de gasolina e a taxação de aplicativos, além de subsídio das passagens. São Paulo incentiva em torno de 50%. O Rio, zero vezes zero. Se tudo continuar como está, as empresas vão quebrar e o estado terá a maior crise na mobilidade urbana da sua história.
Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Deu crise na cabeça
8/12/2020A pandemia não poupa nem a contravenção: a arrecadação do jogo do bicho no Rio de Janeiro caiu aproximadamente 40% ao longo deste ano, duramente atingida pelo isolamento social e pela crise econômica. A informação foi auscultada pelo RR junto à cúpula da Segurança do Rio.
Que pandemia?
25/11/2020A taxa de ocupação dos hotéis do Rio de Janeiro para o réveillon já está em 50%. Segundo o dirigente de um dos principais grupos hoteleiros do país disse ao RR, o setor crava que esse índice chegará a 70% até meados de dezembro.
Uma no cravo…
3/08/2020Mais um símbolo do Rio está na corda bamba. Os lojistas do Mercado das Flores, no Centro da cidade, reivindicam apoio da Prefeitura para não fechar as portas. Os espinhos da pandemia machucam não só o varejo, mas toda a cadeia da floricultura. Estima-se que, desde março, mais de 60 milhões de toneladas de flores já tenham virado adubo.
Política
Eduardo Paes inventou uma caixa-preta para esconder-se de si próprio
15/07/2020O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, precisa encontrar um outro slogan além da caixa-preta para justificar a lambança na operação de bilhetagem do Rio, com a criação do Jaé. A caixa-preta, seja lá o que contenha, refere-se ao motivo intrincado pelo qual dedicou sua gestão ao cassar o direito da Riocard – empresa pertencente à holding Riopar, que tem como acionistas sindicatos de ônibus. Sempre foi assim. Até porque a Riocard é uma das poucas prestações na área dos serviços públicos que atende bem ao cidadão carioca. Até a atual gestão, Paes não tinha identificado o “anátema” da Riocard. Não que o alcaide não fizesse críticas operacionais ao sistema. Mas em meados de 2023, surge a demoníaca caixa-preta. A partir daí, a expressão é a bête noire do prefeito, repetida ad nauseam, como se não houvesse outro assunto relevante em sua gestão. Paes pode até estar sofrendo de um transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) com a enigmática caixa-preta. Ou mesmo de ecolalia ou palilalia – distúrbio de repetição de palavras. A caixa-preta esconderia cobras e lagartos, e sobre esses bichos haveria um manto granítico encobrindo sua transparência. E mais não se revela. Ora, se for um problema de ordem psicológica, ou algum tipo de paranoia, Paes precisa urgentemente se tratar. Sua fixação pelo termo, que significa mais um conceito do que dados objetivos, está transtornando o transporte urbano da cidade. Ao mesmo tempo, o prefeito parece querer quebrar as empresas de ônibus do município.
Mas vamos aos fatos. O RR consultou 80 veículos de comunicação impressos e online do Rio de Janeiro, entre julho de 2023, aurora do Jaé, e maio de 2025, com a nova operação de bilhetagem já entrando em “pleno” funcionamento. Nesse intervalo, Paes fez 1.237 menções críticas a caixa-preta (65%) e 665 (35%) críticas operacionais ao funcionamento do sistema – aspectos variados do mal serviço da mobilidade no Rio. O total é de 1.902 críticas, sendo que, com relação aos aspectos diversos, o prefeito também inclui, indiretamente, a famigerada caixa-preta. Com relação às menções críticas ao Jaé, o prefeito, o criador, não condena a sua própria criação, que parece ser um sistema perfeito. Não é o que pensam os usuários do Jaé. Em idêntico levantamento, foram relacionadas as menções críticas de usuários, nas mesmas mídias e mesmo intervalo de tempo. A diferença é abissal: são 21 menções diretas ao termo caixa-preta, somadas as críticas à falta de transparência e ao acesso aos dados (8%) e 2.244 citações ao Jaé (92%), todas com queixas ao funcionamento da nova bilhetagem. Paes não aceita reclamações sobre o Jaé, e interpela a própria imprensa quando ela tenta fazer seus questionamentos. Na entrevista coletiva, no dia 8 de janeiro, durante o anúncio de mais um adiamento da bilhetagem exclusiva do Jaé, o prefeito chamou os empresários de ônibus de “mafiosos” da cidade; disse que bilhões estão em jogo; e mais uma vez afirmou que vai abrir a caixa-preta. Na ocasião, Eduardo Paes usou a expressão máfia ou mafiosos oito vezes para se referir à Semove, entidade representativa dos ônibus do Rio de Janeiro. Paes submeteu ao constrangimento até os jornalistas presentes, que ele identificou como “jornalistas que defendem o Riocard”. Apontando para eles, que estavam em um canto da sala, o prefeito disse que os profissionais da imprensa não deveriam ficar do lado dos empresários de ônibus. A sanha do alcaide o levou a perder a lisura quando postou vídeos atacando a concorrência do Jaé da forma mais rancorosa, se mostrando de corpo inteiro nas redes sociais.
Não faltam vitupérios lançados contra a caixa-preta. Paes usa a palavra “delinquente” para se referir aos empresários de ônibus, que seriam os usufruidores da “mamata”. Em recente editorial, O Globo comenta a irracionalidade na operação do Jaé, afirmando que “é patética a confusão em torno do lançamento do cartão Jaé, exigido desde o último fim de semana para usuários com direito a gratuidade nos transportes municipais do Rio de Janeiro – ônibus, BRT, VLT e vans. A obrigatoriedade será estendida a todos os passageiros a partir de 2 de agosto. Quem usa trens, metrô, barcas e ônibus intermunicipais, sob controle do estado, precisará ter outro cartão. Trata-se de uma irracionalidade. A exigência de dois cartões e incompatível com as boas práticas de qualquer metrópole”.
Observando por qualquer ângulo, é difícil encontrar motivos para tamanha indisposição do prefeito em negociar uma solução pacífica para resolução dos problemas que porventura existam na bilhetagem. Consta que o alcaide sequer aceita receber os donos da Riocard. É ruim, porque qualquer tipo de autoritarismo envolvendo a coisa pública, tal como proibir que o atual operador participasse do leilão da bilhetagem, induz à fantasia de alguma circunstância inconfessável. Ressalte-se que em nenhum momento pretende-se criminalizar o prefeito. Até prova em contrário, ele é ilibado e não há caixa-preta nenhuma que leve a se pensar de outra forma. Acusar o prefeito, jamais. É mais fácil Paes estar dormindo com um paralelepípedo sobre a cabeça, tamanha sua obsessão.
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