Tag: Banco Safra
Destaque
Não há diáspora societária capaz de abalar os planos e resultados do Safra
2/01/2025Que outro banco passaria incólume a uma disputa “fratricida” entre seus acionistas? Que outro banco atravessaria intacto uma segunda disputa “fratricida” entre seus acionistas? Que outro banco permaneceria impávido diante de uma terceira disputa “fraticida” entre seus acionistas? Assim como ocorreu no litígio entre Edmond, o irmão mais velho e mais bem sucedido, e Joseph e Moise, posteriormente entre os dois últimos e, mais recentemente, na rinha entre a segunda geração, com a contenda pública entre Alberto Safra e seus irmãos David e Jacob e a mãe, Vicky, o Safra saiu sem qualquer ranhura do seu próprio “gabinete do ódio”.
Sob o comando de David, o banco empilha resultados positivos e prepara os próximos movimentos. Segundo informações filtradas pelo RR, o Safra está rastreando o mercado em busca de novas aquisições na área de gestão de recursos. Em fevereiro deste ano, o banco comprou a Guide Investimentos, adicionando cerca de R$ 20 bilhões a sua carteira. Existem ativos interessantes na vitrine.
Um exemplo? Desde meados do ano, corre a informação de que a HSI Investimentos busca um comprador. A gestora tem cerca de R$ 13 bilhões em seu portfólio, a maior parte no setor de real estate.
O Safra entra em 2025 também com o desafio de tocar uma espécie nova em seu ecossistema de negócios: a Safra Sociedade de Crédito Direto (SCD), sua recém-criada fintech – a autorização do Banco Central saiu no último mês de outubro. O cardápio de serviços inclui crédito, cartão de crédito e contas de pagamento pré-pagas. O próximo alvo no radar seria a oferta de soluções de pagamento.
Para uma instituição vetusta e empertigada como o Safra – o “banco dos banqueiros” -, esse é um terreno que pede passos cautelosos. Até porque David Safra já carrega uma experiência malsucedida: o AgZero. O banco digital do Safra foi criado em 2020 no embalo da crescente digitalização dos serviços financeiros.
Três anos depois, sem grandes resultados, acabou extinto, sendo substituído pelo Safra One, uma conta corrente digital do próprio Safra. Uma rara poeira de insucesso na afortunada trajetória bancária do clã.
O Safra está empenhado também em ampliar sua carteira de negócios vinculados a metas de sustentabilidade.
Um dos focos é transição energética. Em agosto, o banco lançou o FIP Copérnico, de R$ 250 milhões, para financiar empreendimentos em geração solar. A própria família Safra estaria investindo na aquisição de terras para a instalação de usinas fotovoltaicas. Os projetos dedicados à temática ESG estão debaixo do guarda-chuva do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, diretor de Estratégia Econômica e Relações com o Mercado do Safra. Levy, por sinal, é vice-presidente e responsável pelo Grupo Consultivo Brasil da Glasgow Finance Alliance for Net Zero, uma coalizão global de bancos comprometidos com a transição para o carbono zero.
Os Safra têm uma história de diásporas em seus negócios. Para ficarmos apenas nas gerações mais recentes, Edmond deixou o Banco Safra com os irmãos Joseph e Moise para cuidar do Republic National Bank of New York. Posteriormente, já nos anos 2000, foi a vez de Joseph, o “Seu José”, e Moise, se separarem, não sem antes uma disputa consanguínea. “Seu José” chegou a abrir outro banco, o J. Safra, para rivalizar e sorver parte da clientela do Safra.
Em nenhum desses momentos, no entanto, houve tanto fel de parte a parte quanto no embate entre os herdeiros de Joseph. Alberto acusou os irmãos e a própria mãe de terem agido deliberadamente para reduzir sua participação nos negócios da família. O armistício veio no último mês de agosto, quando Alberto vendeu sua participação no Banco Safra e na J. Safra Holding para David e Jacob – no fim de 2024 surgiu a notícia de que Esther Safra, igualmente filha de Joseph e Vicky, também está transferindo suas ações na holding para os dois irmãos.
Mesmo no auge da disputa societária entre os herdeiros de Joseph, o Safra jamais teve um abalo em sua performance. Entre 2022 e 2023, quando os filhos e a viúva de “seu José” se enfrentavam nos tribunais, o lucro do banco saltou R$ 2,2 bilhões para R$ 3,3 bilhões, um aumento de 50%. Nos nove primeiros meses de 2024, o ganho registrado chegou a R$ 2,26 bilhões, praticamente o mesmo verificado em igual período em 2023 (R$ 2,75 bilhões). É assim desde que o clã criou sua primeira instituição financeira, em 1840, em Alepo, na Síria. O “banco dos banqueiros” nunca chegou aos primeiros lugares do ranking, mas permanece onde sempre esteve: em uma boa colocação, logo após os líderes da tabela.
Economia
Todo brasileiro adoraria viver no Brasil de Joaquim Levy
24/05/2024
Empresa
Vinci Partners está de olho em shopping da Iguatemi
30/01/2024A Vinci Partners, de Gilberto Sayão, tem mantido tratativas com a Iguatemi, da família Jereissati. Em pauta, a compra do controle do shopping Iguatemi São Carlos, no interior de São Paulo. O mandato de venda do ativo está nas mãos do Banco Safra.
Em tempo: não é o única “mercadoria” na vitrine dos Jereissati. O grupo também colocou à venda sua participação no Iguatemi Alphaville. Consultada, a Iguatemi disse que “não comenta rumores de mercado”. A Vinci não se manifestou.
Empresa
Um “nada consta” para os acionistas de referência das Americanas
1/12/2023Há uma razão principal para o Safra não ter aceitado o acordo com o trio Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, que prevê a conversão de dívidas a capitalização da Americanas. Na leitura dos advogados do banco, existe uma sutileza jurídica na proposta. O entendimento é que, mais à frente, o próprio trio poderá usar o acordo como uma espécie de concordância legal dos credores de que os sócios de referência da Americanas não tiveram participação na fraude contábil. Procurado, o banco não se pronunciou.
Os Safra jamais utilizariam publicamente o termo com que tratam os “Lemann Brothers”. Mas, nas internas, o epiteto comum é “fora da lei”. Não obstante a nomenclatura ser forte, os Safra não estão errados. Deixar de enxergar durante 20 anos as fraudes nos balanços da sua própria empresa merecia uma segunda Lava Jato, na versão varejo. Mas o trio calafrio tem um marketing impecável.
Lemann, Telles e Sicupira se tornaram vítimas nesse episódio de referência internacional. By the way: a Americanas não está sozinha. Não faltariam casos para entrar no radar de uma eventual “Lava Jato varejista”. O Magazine Luiza admitiu recentemente que cometeu um “erro contábil” no balanço de março, referente ao reconhecimento das receitas de bonificações a fornecedores.
Em 2019, investigação independente constatou fraudes contábeis nas demonstrações da ViaVarejo relacionadas à “manipulação da provisão para processos trabalhistas”.
Contencioso
Banco Safra avança sobre recebíveis da Americanas
1/09/2023O Banco Safra deverá entrar na Justiça com um pedido de bloqueio dos R$ 192 milhões que a Americanas vai receber pelo encerramento das atividades da Vem Conveniência, joint venture com a Vibra Energia. A instituição financeira quer que os recursos sejam usados automaticamente para pagar credores da rede varejista. Não será a primeira vez que o Safra faz um movimento similar.
Em março, o banco conseguiu, por meio de decisão da 18ª Câmara de Direito Privado do TJ-Rio, reter R$ 95 milhões em recursos da Americanas para cobrir créditos contra a companhia. No total, a empresa de Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles deve R$ 2,4 bilhões ao Safra. Procurados pelo RR, Americanas e Safra não se manifestaram.
Destaque
Contencioso entre os Safra deve ter novo capítulo na Justiça de Nova York
30/06/2023Há uma tensa expectativa na família Safra. É esperada para a próxima semana alguma decisão da Suprema Corte do Estado de Nova York sobre o processo aberto pelo bilionário Alberto Safra contra a matriarca da família, Vick Safra (viúva do antigo manda chuva, Joseph Safra) e seus irmãos, Jacob Safra, que comanda a operação internacional do grupo, e David Safra – responsável pelos negócios do clã no Brasil. A briga é feia. A família, à exceção da irmã Esther, quer deserdar Alberto, praticamente expulsando-o da SNBNY – holding que controla o banco americano Safra National Bank. Alberto afirma que foi diluído na SNBNY quando estava muito enfermo. A família diz que “pouco depois de receber a doação do Sr. Joseph como antecipação da herança, Alberto deixou o Banco Safra, sem atender os apelos feitos pessoalmente pelo seu pai, e iniciou negócio concorrente, tendo, inclusive, assediado e contratado vários executivos do Grupo.” Em nota oficial, os Safra em bloco chamam Alberto de conspirador. O fato é que quem deserdou Alberto foi o próprio Joseph.
Alberto Safra descarrega nos irmãos, dizendo que eles foram responsáveis por ações ilegais. Nas internas, fala-se que Vick Safra é a mais incomodada com o comportamento de Alberto e quem está apertando o torniquete da alienação do filho de todos os negócios. Pode ser. As mulheres da família Safra são notórias pela força e determinação, vide a falecida Lily Safra, duríssima na queda. Lily, mulher do também falecido Edmond Safra, deixou uma fortuna de US$ 1,3 bilhão para a caridade. Muita água – ou sangue metaforicamente – ainda vai rolar nessa guerra.
Os Safras são detentores de um império detentor de ativos estimados em US$ 90 bilhões em ativos. Alberto, sozinho, teria mais de US$ 8 bilhões, sem contar o quinhão em disputa. É uma pena todo o episódio. Apesar das recorrentes brigas em família, os Safra são reconhecidos pela elegância. O publicitário Nizan Guanaes define o marketing do banco com uma palavra: “silêncio”. Agora é torcer para que Hollywood não se anime com o enredo. Por enquanto, o relevante é aguardar o que dirá a Justiça de Nova York. Depois, é inevitável que uma enxurrada de ações seja impetrada. É muito, mas muito dinheiro em jogo.
Economia
A ciranda de nomes para a Secretaria do Tesouro
19/12/2022O final de semana de Fernando Haddad foi reservado a perscrutar que pode ser o secretário do Tesouro Nacional. Não está nada fácil. A ideia inicial foi de que o Secretário da STN tocasse de ouvido com o secretário da Reforma Tributária, Bernard Appy. Haddad foi, então, convencido de que fazer uma dupla de ataque nesta área acabaria gerando mais concordância do que um frutuoso debate. O Tesouro e toda a parte tributária afunilam em algum momento. O futuro ministro não quer montar patota. Surgiu, então, o nome de Felipe Salto, atual secretário da Fazenda de São Paulo. Aliás, um nome que vai e volta. Salto é um craque, mas esbarra em alguns próceres do PT. Como alternativa, foi soprado no ouvido de Haddad o nome do economista chefe do Banco Safra, Joaquim Levy, que já pilotou a STN em governo pretérito do PT. Levy já teria, inclusive, acenado com algo mais ou menos assim: “Olha, estou aqui para colaborar em qualquer coisa”. Só que não colou. Falta empatia com Haddad. E as informações que o futuro ministro colheu são de que Levy é dificílimo de relacionamento.
Surgiu, então, o nome de Vilma Pinto, economista, mulher, negra, e uma fera em finança públicas, analista do Congresso para questões fiscais. Por pouco o ministro não bateu o martelo. No final, depois de visitas variadas na sua casa, preferiu dar um tempo e abrir novas conversas. De qualquer forma, a busca continua. Haddad prossegue, com uma lanterna na mão, como o filósofo Diógenes, procurando não somente um homem íntegro, mas que entenda profundamente das contas públicas e seja um sujeito de equipe, de bom trato e que não tenha um histórico de brigão.
Saída pela tangente
17/08/2022A candidatura de Emerson Fittipaldi ao Senado italiano acendeu um sinal de alerta no Banco Safra. Na instituição financeira, a interpretação é que a eventual imunidade parlamentar pode dar ao ex-piloto uma rota de escape para suas pendências jurídicas com credores. O bicampeão de Fórmula 1 responde a mais de uma centena de processos na Justiça por dívidas estimadas em cerca de R$ 55 milhões. O litígio com o Safra é o mais rumoroso. Em ação na Justiça de São Paulo, o banco acusa Fittipaldi de usar empresas de fachada para ocultar seu patrimônio.
É pau puro no Safra
15/07/2022Tudo continua conforme sempre no clã dos Safra. O pau come com a tradicional discrição no seio da família. As gerações que se sucedem perpetuam hostilidades entre si.
* * *
E, por falar em Safra, que fim terá levado o “Bigode”, polivalente chanceler do banco?
“Education washing”
10/06/2022O site Inteligência Financeira (IF) do Itaú tem um segundo movimento: ganhar a franquia de que o banco é o principal disseminador da “educação financeira” no país. O IF, que já está sendo chamado de “Carta do Banco Itaú”, inclusive, é cheio de informações didáticas, não deixando dúvida aonde quer chegar. Ocorre que o mar de publicidade com que o Itaú invadiu a mídia transformou a newsletter em uma ação de propaganda, mudando a mensagem original da iniciativa. A questão se tornou controversa no próprio banco. O Banco Safra é pioneiro em newsletter de instituição financeira, com sua carta “O Especialista”. O Safra, porém, faz pouco barulho e atua em um nicho muito menor. Há dúvidas se o IF não sofrerá um recuo estratégico. Ou uma mudança na forma como vem sendo apresentado. O fato é que a publicação tem notícias velhas e “pequenas aulinhas” que pouco acrescentam. De “Inteligência”, não tem nada – seja no sentido norte-americano da palavra, seja no sentido usual.
Emerson Fittipaldi disputa uma corrida com o Banco Safra
17/12/2021O “pega” entre Emerson Fittipaldi e seus credores ganhou novos contornos. O ex-piloto partiu para o ataque ao Banco Safra. Segundo o RR apurou, Fittipaldi teria entrado com uma ação contra o “banco dos banqueiros”, acusando a instituição financeira de irregularidades em processos movidos contra ele. Uma das alegações é que o Safra teria levantado provas infundadas para comprovar graves acusações feitas contra Fittipaldi. Na Justiça, o banco alega que o bicampeão mundial de F-1 estaria se valendo de empresas de fachada para ocultar patrimônio e ludibriar credores. Consultada, a defesa de Fittipaldi não cita nominalmente o Safra “por questão de sigilo processual”. Mas confirmou ao RR que “já estão sendo tomadas as medidas cabíveis em desfavor do banco que cometeu irregularidades nos processos”. Procurado, o Safra não se pronunciou. Há mais de uma centena de processos de credores contra Emerson Fittipaldi. Individualmente, os valores são picados – como no caso do Safra (a dívida original é de aproximadamente R$ 750 mil). Somados, no entanto, os passivos chegariam à casa dos R$ 50 milhões. Ao RR a defesa do ex-piloto informou que “existem, sim, vários processos em seu desfavor, porém, na grande maioria dos casos já fora feita a quitação dos valores, dependendo apenas de trâmites processuais para arquivamento destes processos.” Do lado do Safra, sabe-se que vai vir chumbo muito grosso.
Fratricídio dos Safra: uma história que se repete
31/10/2019O ex-CEO e atual integrante do Conselho do Banco Safra, Carlos Alberto Vieira, está entre a cruz e a espada. Ele viu os três “meninos”, os irmãos Alberto, Jacob e David, crescerem, enquanto era braço direito de Joseph e Moise, donos do conglomerado bancário. Vieira vai ter de fazer uma escolha entre os garotos. Alberto e David são filhos de Joseph, que praticamente forçou o irmão Moise a deixar o banco em uma manobra que contou com o forte apoio de Alberto.
Uma história que mistura Othelo, Hamlet e Ricardo III. Na ocasião, Vieira escolheu Joseph. O Safra, em comunicado oficial, colocou panos quentes sobre o caso, afirmando que está tudo muito bem entre os sócios. Exatamente como fez quando da contenda entre Joseph e Moise. Basta procurar o report na ocasião para constatar a semelhança; parecem fotocópias. De certa forma, a narrativa se repete com contenda entre os irmãos na segunda geração. Alberto, o então presidente do Safra, deixou a instituição financeira para tocar seus negócios.
Impossibilitado por problemas graves de saúde de arbitrar a odienta disputa, Joseph é forçado a assistir ao replay da operação que o levou ao poder absoluto, com menos requintes de som e fúria. Alberto Safra vai abrir outra instituição com o mesmo sobrenome. Tendo uma carteira de contatos e clientes pessoa jurídica e, portanto, carregando consigo uma jazida mais valiosa do que a área de pessoa física de David, já está escrito que Alberto forçará o irmão a vender sua parte – o outro irmão, Jacob, toma conta da área externa, onde se destacam as praças norte-americana e a de Mônaco. Inicialmente os dois manos vão disputar o segmento de internet banking, cada um voltado para sua área de interesse. A maquinação de Alberto, que precipitou a saída do banco, é igual à que foi feita por Joseph, criando o quase homônimo banco J.Safra, bem na calçada em frente ao Banco Safra, para imprensar Moise.
É questão de aguardar onde Alberto vai abrir o seu “Banco Safra”. Mas o que Carlos Alberto Vieira tem a ver com essa história? Ele é objeto de cobiça entre os garotos, devido ao conhecimento intestino do Safra e a pretensa capacidade de influenciar os conselheiros a manterem ou trocarem seus lados. Algumas decisões já foram tomadas. O presidente do Safra, Rossano Maranhão, optou por seguir com Alberto. Maranhão é quase uma garantia de que o futuro Safra manterá uma operação bancária clássica, a despeito das aventuras na internet. Do lado oposto, David reteve o conselheiro Alberto Corsetti, também móveis e utensílios do “Safrão” e elevou-o à posição de CEO do banco.
Se for para fazer uma aposta, vale cravar em uma aliança sibilina entre Vieira e Alberto. Os dois têm mais em comum. Essa fábula bancária de Caim e Abel, repaginada para o Século XXI, teria começado com divergências por ocasião das discussões sobre a compra do Citi, que foi adquirido pelo Itaú. De lá para cá os dois rosnaram um para o outro. Agora, a batalha se desenrolará inexoravelmente. Seu epicentro são os negócios bancários online. Uma versão eletrônica e cibernética do que foi a guerra entre os Safra da geração anterior. Os velhos clientes da comunidade judaica já devem ter feito sua escolha. Seja David, seja Alberto, seja Jacob, essa carteira os Safra não perdem jamais.
O Banco Safra não é mais o mesmo
13/09/2019A entrevista de Alberto Safra afirmando que o Banco Safra trabalha para ser uma das líderes do varejo é mais uma demonstração que o tempo de “Seu José” passou. Caso ainda detivesse o cetro do banco em suas mãos, Joseph Safra jamais deixaria uma declaração dessas, sem carne, sem estofo, ser dada quase que infantilmente. Quer dizer então que o Banco Safra vai ser um dos campeões do varejo porque tem poucas agências? Ok, ficamos assim.
Crônica de um banqueiro acima do bem e do mal
22/08/2019Quando se trata de estranhas transações, é difícil antepor o nome de Joseph Safra ao do seu banco. O banqueiro está – e não está associado às delações de Antônio Palocci, envolvendo o repasse de dinheiro por fora para o Instituto Lula e a campanha eleitoral de Fernando Haddad, aos casos de facilitação da venda da Aracruz Celulose para o Votorantim e aos negócios incluindo Casino, Carrefour e Abílio Diniz. Mas o banco está presente em todos. Joseph igualmente está – e não está – ligado à Operação Zelotes e ao Caso Wikileaks. Mas, o banco está presente. Ele está – e não está – indexado às estripulias cambiais que levaram a Aracruz à garra antes de ser adquirida pela então Votorantim Celulose e Papel (VCP), posteriormente Fibria Celulose e recém-incorporada pela Suzano.
E a instituição comparece. Joseph sempre esteve – e não esteve – vinculado a virtuais operações de gestão temerária ou contravenção. O banqueiro dos banqueiros sempre conseguiu que sua pessoa física se diluísse na placa do banco. Ele deslizou pelos meandros da instituição financeira devido às discussões judiciais por suspeito recebimento de dinheiro desviado de obras públicas durante a gestão do ex-prefeito paulistano Paulo Maluf. Coube ao Safra National Bank of New York a responsabilidade pela operação. O banco firmou um termo de ajuste de conduta (TAC) no valor de US$ 10 milhões. Joseph também esteve – mas não esteve – no episódio de lavagem de dinheiro, na Suíça. Quem compareceu foi o J. Safra Sarasin Ag, junto com mais quatro bancos, com o montante total de US$ 1 bilhão. Talvez a única vez que o lendário banqueiro teve arranhada sua impoluta imagem tenha sido na Operação Zelotes, em processo no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).
Seu nome, quase um arcano, veio à tona. Joseph foi acusado, junto com seu ex-funcionário João Inácio Puga, de pagamentos por fora à Receita Federal para obter a anulação de multas da ordem de mais de R$ 2 bilhões. Em um primeiro momento, o Ministério Público chegou a considerar o banqueiro como o “longa manus” de Puga. Mas, como sempre, Joseph acabou diluído no imbróglio. Puga dirimiu-o de qualquer reponsabilidade, assumindo, sozinho, uma decisão de tamanha monta. O Sistema Nacional de Passaportes identificou que o banqueiro passou 151 dias no exterior e por isso não tinha tempo para discutir pessoalmente o assunto. E como era de se esperar, em 12 de dezembro de 2016 o Tribunal Regional Federal da 1° Região encerrou a ação penal contra o banqueiro Joseph Safra. Assim como algumas criaturas da literatura, é possível que o dono do Banco Safra não exista. Seja um espectro que paira sobre o sistema financeiro. Joseph, o mais emblemático e silencioso dos banqueiros, gostaria que essa versão fosse a realidade.
Safra digital
22/07/2019O SafraWallet, carteira de pagamentos eletrônicos lançada pelo Banco Safra, é a isca e não necessariamente o peixe. Além do negócio per si, a instituição pretende fisgar milhares e milhares de dados de potenciais correntistas do banco digital que pretende lançar em 2020.
“Safratech”
31/01/2019O Banco Safra resistiu, resistiu, mas acabou cedendo e está minerando fintechs. O banco é uma instituição de aristocratas judeus, notórios por preservar práticas bancárias tradicionais e deter uma clientela tradicionalíssima. Agora também terão startups no seu portfólio de investimentos.
O Safra ataca
20/03/2018O Banco Safra está adotando uma estratégia comercial predatória no mercado de pagamentos eletrônicos. A SafraPay tem oferecido até três meses de isenção de taxas para cooptar clientes de seus principais competidores, como GetNet (Santander) e PagSeguro. Vai ter retaliação em breve.
Safra flerta com um déjà vu na celulose
2/03/2018A eventual fusão da Suzano com a Fibria poderá trazer um gostinho de passado ao futuro da indústria brasileira de celulose. O Banco Safra estaria assessorando a empresa dos Feffer nas conversas com o Grupo Votorantim. Mais do que isso: para além da função de adviser, o banco de Joseph Safra já teria demonstrado interesse em vestir também o figurino de sócio na operação, com uma participação minoritária na nova companhia. Seria um tonitruante retorno ao setor. O Safra era sócio dos Ermírio de Moraes e do empresário Erling Lorentzen na antiga Aracruz, que posteriormente foi incorporada pela Votorantim Celulose e Papel para dar origem à Fibria. A Aracruz não terminou bem, mas essa é outra história.
“Ordem de despejo”
7/02/2018Um notório empresário do Rio de Janeiro cliente do Safra tomou um susto ontem ao tentar pagar seu IPTU por meio da instituição. Foi informado de que o banco, assim como o Mercantil, foi descredenciado pela Prefeitura do Rio. Logo o Safra, tão cioso da sua imagem.
Retorno garantido
23/05/2017O Safra vai anunciar até agosto a estreia do seu braço digital. Conforme a tradição do banco, o negócio ja se inicia com o retorno garantido.
Dono da Qualicorp esbanja saúde no réveillon
3/01/2017O sócio fundador da empresa de planos de saúde Qualicorp, José Seripieri Junior, comemorou a passagem do Ano Novo como se não houvesse outra. Júnior, como é mais conhecido, comandou uma queima de fogos na praia privê do condomínio Portogalo, em Angra dos Reis, de nove minutos. Foi de tirar o fôlego!
Cada um dos condôminos locais entrou com um dízimo para fazer as festas nos céus de Angra. Entre os doadores estavam ainda o ex-presidente do Banco Central Carlos Langoni e o ex-presidente do Banco Safra Carlos Alberto “Bigode” Vieira. Junior foi o grande contribuidor da vaquinha fogueteira: pagou o sétuplo de cada um dos nobres vizinhos, fração correspondente às sete casas de sua propriedade no condomínio.
Todas estão à venda, pela bagatela de US$ 2 milhões, em média, cada uma. Junior deve ter rezado com fé à Iansã para que ela ajude a transformar logo seus imóveis em liquidez, proteja seu compadre Lula e espante esse encosto curitibano para bem longe. Eparrêi!
Mudança de identidade
12/12/2016O Banco Safra está pensando em uma repaginada na sua identidade visual.
Acervo RR
Chinese wall
19/04/2016A Operação Zelotes está tentando identificar exatamente em que momento do dia o advogado Carlos Pelá trocava o figurino de Tax Director do Banco Safra pelo de conselheiro do Carf, cargos que ele acumulou nos últimos anos.
Zelotes
4/04/2016À luz da história, não seria nada improvável se o ex-presidente do Banco Safra Carlos Alberto Vieira se imolasse em púbico dizendo: “Sou eu! O culpado de tudo sou eu. Não coloquem o ‘seu’ José nessa!”
Mundo BTG
8/12/2015O Banco Safra tem sido uma das instituições mais agressivas na captura de clientes do BTG, notadamente na área de gestão de fortunas. Os sócios do BTG temem um novo rebaixamento da nota de crédito pela S&P ainda neste ano. Na semana passada, a agência rebaixou o rating do banco de BB para BB-, retirando o grau de investimento. A Bravante, empresa de logística marítima da qual o BTG é acionista, estaria atrasando o pagamento de fornecedores. Procuradas pelo RR, as seguintes empresas não retornaram ou não comentaram o assunto: BTG e Bravante
Bancos e bancas
17/08/2015Recomendação de Joseph Safra, que anda meio baleado, a Rossano Maranhão antes dele participar da reunião entre os banqueiros e Joaquim Levy: “Entre e finja-se de morto”. *** Aliás, Joaquim Levy descortinou para Dilma Rousseff um mundo novo, ou seja, o de que os empresários têm mais votos no Congresso do que os seus ministros.
Acervo RR
Banco Safra
31/07/2015O Banco Safra vai dar pinta na Lava Jato? Não, o RR não acredita. Mas se, por acaso, o governo tiver dúvida pode fazer que nem fez com o HSBC e pedir a lista das contas. O governo suíço está afinadíssimo com o Brasil.
Banco Safra
31/07/2015O Banco Safra vai dar pinta na Lava Jato? Não, o RR não acredita. Mas se, por acaso, o governo tiver dúvida pode fazer que nem fez com o HSBC e pedir a lista das contas. O governo suíço está afinadíssimo com o Brasil.
Que fase!
14/05/2015Em apenas dois meses, o Banco Safra apareceu na Zelotes, no SwissLeaks e na lista de clientes da consultoria de Antônio Palocci. Para fechar o Grand Slam dos escândalos, só falta ser citado na Lava Jato.
Poucos metros separam o Safra do HSBC
31/03/2015Só a título de ilustração: a sede do Banco Safra em Mônaco fica ao lado do suntuoso Hotel Café de Paris de Monte Carlo, bem em frente ao badalado cassino. Um bocadinho que seja daquelas fortunas depositadas no Safra devem sair de lá direto para girar nas roletas ou evaporar nas mesas de bacará. A sua direita, descendo uns 200 metros de ladeira fica o HSBC de Mônaco. Segundo informações obtidas por um correntista internacional, o Safra está sugando os clientes do HSBC, principalmente brasileiros. A instituição lavadora de dinheiro tupiniquim que alugou as páginas da mídia elevou a s alturas as taxas de administração de “pequenas fortunas” – leia-se US$ 2 milhões a US$ 3 milhões. Por esta razão, muitas contas mais “modestas” foram fechadas. Mas o HSBC que nos perdoe! Respira-se Safra no Principado. Não é preciso dizer o perfil do seu cliente. Ele é fiel e atravessa em média três vezes por ano o corredor bucólico, coberto de plantas que leva a fortaleza dos Safra. Se você quiser esquecê-los, cuidado para o lado que vira. Se for a direita, a uns setecentos metros do HSBC, de frente para Marina, está incrustado o prédio em cujo apartamento foi vitimado Edmond, o Safra manda-chuva – Joseph e Moses eram “Safrinhas”. A debandada para o banco de Joseph enseja um possível risco de “SafraLeaks”. Que seja, pois depois de tanto rolo nos últimos anos o banco deve estar cuidadosíssimo. Do jeito que anda, o êxodo do ervanário caminha em sua direção, apesar da concorrência de uns bancos badalados, tais como o Jules Bere e o Union Bancaire Privé. Nessas circunstâncias, não parece haver outro conselho: “Ei, você aí, que tem US$ 5 milhões e quer esse dinheiro bem distante e na moita, não tenha dúvida: vem para o Safra você também!”