Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

Em meio a prejuízos, Femsa reavalia futuro da Oxxo no Brasil

12/02/2026
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A solidão societária da Femsa na operação da Oxxo no Brasil seria apenas um rito de transição. Segundo informações filtradas pelo RR, os mexicanos avaliam vender parte ou mesmo integralmente o controle da rede de lojas de conveniência. A Femsa se viu forçada a assumir 100% do capital com a decisão da Raízen, sua sócia, de deixar o negócio – informação antecipada pelo RR. A Femsa trouxe a operação para o Brasil sonhando alto, com a meta de abrir cinco mil lojas. Parou em pouco mais de 600. Consta que a rede varejista tem operado no vermelho desde 2022 – somente nos anos de 2023 e 2024, as perdas acumuladas passaram dos R$ 410 milhões. Nos últimos três anos, o grupo mexicano e a Raízen tiveram de aportar cerca de R$ 150 milhões para cobrir os prejuízos e sustentar os investimentos em expansão. A joint venture entre Cosan e Shell, que já tem seus próprios problemas, desistiu de enxugar gelo. E a Femsa também não está mais disposta a tampar as fissuras no dique com os próprios dedos. Consultado, o grupo mexicano não retornou.

#Oxxo

Incentivos à solar e eólica expõem Planalto a pressão cruzada

12/02/2026
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O governo está como uma concha na disputa entre o rochedo e o mar em meio à celeuma dos subsídios às fontes incentivadas de energia. De um lado, é imprensado por investidores e desenvolvedores do setor elétrico, que cobram a manutenção da previsibilidade regulatória que sustenta projetos bilionários em solar e eólica. Entre os interessados estão grupos como Casa dos Ventos, Voltalia, Enel Green Power, Neoenergia e plataformas apoiadas por fundos como a Brookfield Asset Management e a Actis. No lado oposto, está o Tribunal de Contas da União (TCU), que identificou irregularidades na portaria publicada pelo Ministério para regulamentar a MP 1212/2024, que estendeu prazos para a entrada em operação de usinas incentivadas com subvenções.

Os grupos privados alegam que estruturaram investimentos considerando descontos nas tarifas de uso da rede, que podem chegar a 50% para fontes incentivadas, reduzindo significativamente o custo de escoamento da energia e impactando diretamente a taxa interna de retorno (TIR) dos projetos. Hoje, o Brasil já soma mais de 40 GW de capacidade instalada em energia solar e cerca de 30 GW em eólica. Boa parte desses empreendimentos foi estruturada no mercado livre de energia, onde a competitividade do preço final depende, em larga medida, da manutenção dos incentivos tarifários. Alterações abruptas no regramento podem afetar contratos de longo prazo (PPAs) já firmados, pressionar covenants financeiros e elevar o custo de capital em novas captações.  Ocorre que o TCU apontou que a interpretação adotada poderia gerar distorções e ampliar subsídios além do previsto em lei, com reflexos na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), encargo que é rateado entre consumidores.

#Energia

Produtores de leite temem virar pó com acordo entre Mercosul e UE

12/02/2026
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A relação entre produtores de leite e o governo Lula vive um novo ponto de fervura, na esteira do acordo Mercosul-União Europeia. Vocalizando os pecuaristas, a Frente Parlamentar da Agricultura cobra do ministro Carlos Fávaro medidas para mitigar eventuais impactos negativos do tratado para o setor. Entre as propostas que têm sido levadas a Fávaro estão a criação de um fundo de equalização de renda para produtores afetados por surtos de importação; ampliação de linhas de crédito do Plano Safra com juros subsidiados para modernização de instalações, genética e ganho de produtividade; reforço à política de preços mínimos e à aquisição pública de leite e derivados via Conab e programas sociais; e gatilhos automáticos de salvaguarda caso volumes importados superem determinado patamar.

Entre outros efeitos, os pecuaristas temem que a ampliação de cotas para leite em pó e queijos europeus, combinada à redução tarifária gradual, acentue a concorrência sobre um segmento que já opera com margens comprimidas. Ressalte-se que o setor já tem um histórico recente de fricções com o governo. Desde 2023, produtores e entidades como a CNA e a Abraleite vêm pressionando o governo por medidas de contenção às importações, especialmente de leite em pó da Argentina e do Uruguai. Em 2024, foram protocolados pedidos de investigação antidumping. Em 2025, houve protestos regionais e audiências públicas cobrando salvaguardas. Estados como Paraná e Santa Catarina aprovaram normas para limitar a reconstituição de leite em pó importado.

#Mercosul

Andrade Gutierrez ameaça empurrar licitação em SP para a Justiça

11/02/2026
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O Palácio dos Bandeirantes teme a judicialização da licitação da Linha 19‑Celeste do Metrô de São Paulo, projeto estratégico para ampliar a malha metroviária entre Guarulhos e a capital. No entorno do governador Tarcísio de Freitas há informações de que a Andrade Gutierrez avalia recorrer à Justiça para impugnar os resultados das propostas dos lotes 2 e 3, ambos vencidos pela Odebrecht. A companhia questiona a habilitação dos consórcios encabeçados pela concorrente e aponta suposta irregularidade na composição de preços e falhas em documentos da proposta comercial. Por ora, a Andrade Gutierrez não tem sido muito feliz na sua argumentação. Já perdeu o primeiro round, no âmbito administrativo – seus recursos para embargar a licitação foram negados. Ainda assim, entre os assessores de Tarcísio, a preocupação é que uma disputa nos tribunais descarrile o cronograma de construção dos dois trechos. A Linha 19-Celeste prevê 17,6 km de extensão e 15 estações, dividida em três blocos de obras civis, sendo que os lotes 2 e 3 somam propostas de cerca de R$ 13,6 bilhões (aproximadamente R$ 6,7 bi e R$ 6,9 bi, respectivamente).

#Andrade Gutierrez

Cosan e Shell resistem a aportar dinheiro novo na Raízen

11/02/2026
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Entre os credores da Raízen, cresce a leitura de que Cosan e Shell estão esticando a corda da empresa para que ela arrebente. O rompimento em questão seria o pedido de recuperação judicial da companhia, que carrega dívidas de curto prazo de R$ 53 bilhões. A percepção dos bancos de que ambas manobram nessa direção se acentuou nos últimos dias, alimentada pela mudança de postura da dupla em relação à capitalização emergencial da Raízen. Segundo informações apuradas pelo RR, tanto Cosan quanto Shell têm se mostrado resistentes à ideia de colocar dinheiro novo na empresa. É como se estivessem lavando as mãos diante da grave situação financeira da Raízen, apostando no cenário do “Quanto pior, melhor”. O “melhor”, nesse caso, seria não injetar capital na companhia, deixando a bola de neve transcorrer seu curso montanha abaixo até a recuperação judicial. Em contato com o RR, a Shell disse que reconhece os “significativos desafios financeiros que a Raízen enfrenta atualmente” e que “continua trabalhando com as equipes de liderança da Raízen e da Cosan em apoio a medidas que visem a redução do endividamento”. Segundo o grupo anglo-holandês, a “prioridade é garantir que a Raízen identifique e busque soluções equilibradas e sustentáveis para a joint venture, os acionistas e as demais partes interessadas da empresa”. Perguntada especificamente se pretende ou não acompanhar um aporte de capital na Raízen e sobre a possibilidade de um pedido de recuperação judicial, a Shell não se manifestou. Também consultados, Raízen e Cosan não quiseram comentar o assunto.

Do lado da Cosan, também pressionada por um elevado passivo, de R$ 18 bilhões, a prioridade é salvar os próprios dedos – no fim do ano passado, o empresário Rubens Ometto já entregou alguns anéis ao BTG e à Perfin Investimentos, que lideraram a capitalização de R$ 10 bilhões da companhia sucroalcooleira. A Shell, por sua vez, tem reduzido globalmente sua exposição a negócios de baixo retorno estrutural e em segmentos downstream ou voltados diretamente ao consumidor, notadamente que exigem muito capex, têm margens estruturalmente comprimidas, não apresentam escala ou vantagem competitiva global e oferecem risco por conta de elevada alavancagem e alto custo de financiamento. A Raízen gabarita todas essas variáveis.

As tratativas para o aporte de capital na Raízen se arrastam desde novembro do ano passado. As cifras sobre a mesa giram em torno de R$ 10 bilhões – ainda que algumas instituições financeiras, caso do JP Morgan, calculem que, por baixo, a companhia precisa de R$ 18 bilhões para reduzir sua alavancagem a níveis palatáveis. Além da Cosan e da Shell, a operação envolve também a entrada do próprio BTG no capital – conforme o RR antecipou. O recuo dos dois acionistas controladores traz um fato novo e quebra a engrenagem inicialmente idealizada para a operação. Nesse cenário, o aporte só sairia do papel se o BTG e eventualmente outros parceiros viessem a preencher a lacuna deixada por Cosan e Shell, diluindo a participação de ambas no capital. Pode ser que sim, pode ser que não, em meio ao mosaico de conjecturas que cercam a Raízen neste momento. O fato é que há uma recente sequência de movimentos da companhia que, aos olhos dos credores, soam como aproximações sucessivas de uma recuperação judicial. Recentemente, a Raízen contratou a Alvarez & Marsal, consultoria que é sinônimo de RJ. Na última segunda-feira, anunciou também a Rothschild & Co. como assessora financeira no processo de reestruturação da dívida.

#Raízen

“Liquidação” de ações antecipa decepção com o balanço do BB

11/02/2026
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No fim da tarde de ontem, em um movimento quase sincronizado, investidores institucionais descarregaram ações do Banco do Brasil, pressionando a cotação do papel. Segundo informações que circularam à boca miúda, o JP Morgan teria sido um dos principais puxadores das operações de venda. O movimento refletiu o pessimismo do mercado em relação aos resultados do BB em 2025, que serão divulgados hoje. Há estimativas de que a última linha do balanço mostrará uma queda de mais de 50% em relação ao lucro de 2024 (R$ 37,8 bilhões). O BB sofre os efeitos do aumento do risco de crédito e da inadimplência, sobretudo, no agronegócio. A instituição financeira é credora de quase todos os grandes grupos do setor que entraram em recuperação judicial, a exemplo da Agrogalaxy e do Grupo Formoso. O agronegócio é o maior segmento na carteira de crédito do BB – responde por mais de um terço. Quando vai bem, é sinônimo de resultados férteis para o banco. Quando vai mal, espalha algumas ervas daninhas no balanço da instituição financeira.

#Banco do Brasil

Zema insinua sabotagem do Planalto contra concessões rodoviárias em Minas

11/02/2026
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A política está deixando marcas de freadas nas estradas mineiras. Nos bastidores, Romeu Zema acusa o governo federal de manobrar a Associação Mineira de Municípios (AMM) contra o programa de concessões rodoviárias do estado. Na semana passada, a AMM entrou com uma representação junto ao Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) para barrar o leilão do lote rodoviário Noroeste, anunciado por Zema 15 dias antes – o pacote soma cerca de 767 quilômetros de estradas e prevê investimentos de R$ 4,7 bilhões. A alegação é que o governo mineiro jogou dentro do balaio da licitação trechos de rodovias federais sem a devida formalização de transferência de competência da União. O ponto central da controvérsia envolve vias como a BR-365, cuja gestão é vinculada ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). No governo Zema, porém, a avaliação é de que prefeitos estão se deixando instrumentalizar politicamente em favor do governo Lula. Assessores do governador rebatem a AMM dizendo que a estruturação do lote Noroeste foi autorizada pelo Ministério dos Transportes e conduzida com o apoio técnico do BNDES.

#Romeu Zema

The Simple Gym acelera expansão e mira entrada em São Paulo

11/02/2026
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A The Simple Gym vai anabolizar sua presença no mercado de fitness. Coqueluche entre influenciadores nas redes sociais, a startup carioca planeja abrir até três academias no Rio de Janeiro ao longo de 2026, duplicando o número de unidades. A ideia é ganhar musculatura para o passo seguinte: a entrada em São Paulo. O que se ouve no mercado é que esse movimento pode ser acompanhado de um novo aporte de capital. Entre os seus investidores, a figura principal é Rony Meisler, fundador da Reserva. Meisler aportou recursos na The Simple Gym no ano passado, por meio da Rebel Ventures, seu fundo de venture capital que tem como foco marcas do setor de saúde e de bem-estar. Para além do dinheiro que já colocou no negócio – e do que ainda deve colocar -, o empresário tem atuado como uma espécie de mentor estratégico da companhia, ajudando a calibrar posicionamento, crescimento orgânico e disciplina de execução — algo considerado crucial em um setor conhecido por queimar caixa como quem queima caloria na esteira.

#The Simple Gym

BTG trabalha para amarrar a fibra óptica da TIM, V.tal e I-Systems

10/02/2026
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O BTG conduz como um trator as negociações para uma possível fusão entre a V.tal, sua controlada no segmento de fibra óptica, e a TIM Brasil. Que o digam os acionistas da I-Systems, empresa de infraestrutura de telecomunicações da qual o próprio grupo italiano é sócio minoritário. A companhia virou peça-chave do quebra-cabeças que o banco pretende montar. O BTG trabalha com o objetivo de arrastá-la para dentro do M&A entre V.tal e TIM, de forma a dar uma escala maior ao futuro grupo. Para isso, segundo informações filtradas pelo RR, teria atravessado tratativas internas que vinham sendo conduzidas pelos sócios da I-Systems envolvendo a troca de controle. A Alloha, uma das maiores operadoras de fibra óptica do Brasil, apresentou uma oferta para a aquisição integral da fatia acionária da TIM (49%) e de parte do capital em poder do acionista majoritário, a nigeriana IHS Towers (dona dos 51% restantes). No total, a proposta envolve a transferência de 70% da I-Systems. Ou talvez seja melhor dizer “envolveria”. No que depender do BTG, a Alloha é carta fora desse baralho. Segundo a fonte do RR, a instituição financeira de André Esteves tenta convencer a TIM a comprar os 51% pertencentes aos nigerianos e, dessa maneira, assumir integralmente o controle da I-Systems. Com isso, a empresa de fibra óptica entraria automaticamente no cesto de ativos que poderão fazer parte da eventual fusão entre a TIM Brasil e a V.tal. O RR fez seguidos contatos com o BTG, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Também consultada, a TIM Brasil não quis comentar o assunto.

O BTG enxerga um problema objetivo na V.tal: escala existe, mas a conversão em receita segue aquém do necessário. Ao fim de 2024, a empresa tinha cerca de 22,4 milhões de casas passadas e apenas 4,3 milhões conectadas, o que resulta em um take-up de 19%. Em termos práticos, são quase 18 milhões de endereços cobertos que ainda não geram fluxo recorrente de caixa. Essa ociosidade passou a pesar de forma mais visível em 2025, quando a companhia viu suas margens se comprimirem, o capex permanecer elevado e os resultados mergulharem no vermelho, culminando em prejuízo de R$ 344 milhões no terceiro trimestre do ano passado. No acumulado entre janeiro e setembro, por sua vez, as perdas chegaram a R$ 700 milhões, contra um lucro de R$ 914 milhões em igual período em 2024.

Nesse contexto, o BTG compreende a I-Systems como uma engrenagem importante para dar mais peso à operação de fibra óptica combinada da TIM Brasil/V.tal. A empresa, curiosamente, nasceu de uma costela da própria operadora italiana. Criada a partir da antiga FiberCo da TIM, a I-Systems foi desenhada como o braço de infraestrutura fixa da companhia. Diferentemente da V.tal, que opera como atacadista de capacidade, a I-Systems está diretamente conectada à lógica industrial do varejo e à geração de clientes.

Para o BTG, incorporar esses ativos ao perímetro de uma fusão entre V.tal e TIM Brasil resolveria três problemas ao mesmo tempo. O primeiro seria a possibilidade de acelerar o aumento da ocupação da rede sem exigir um novo ciclo pesado de investimentos. A V.tal já tem a infraestrutura pronta; o que falta é demanda previsível em maior escala. Ao trazer a I-Systems para dentro do desenho, o grupo passaria a ter um instrumento direto para reduzir a dependência de terceiros e encurtar o caminho entre capex realizado e monetização.

O segundo ganho está na integração operacional. Hoje, a V.tal controla a grande malha de fibra, enquanto a I-Systems concentra a operação da rede secundária e a expansão orientada ao varejo da TIM. Sob um mesmo guarda-chuva societário, seria possível padronizar engenharia, eliminar sobreposições de construção, ganhar escala em compras e, sobretudo, coordenar a expansão e a manutenção da rede com um racional econômico único. Há ainda um terceiro vetor, de natureza societária. Seria um movimento defensivo do BTG/V.tal. Ao estimular a TIM Brasil a recomprar a fatia majoritária da I-Systems, o banco tiraria a nigeriana IHS do páreo e fecharia um caminho para o crescimento da Alloha no mercado de fibra óptica.

#BTG

Suzano avalia venda de terras e ativos logísticos para reduzir alavancagem

10/02/2026
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Reduzir a alavancagem virou palavra de ordem na Suzano. A empresa está montando um pacote de ativos que serão colocados à venda, como forma de reforçar o caixa e alongar o passivo. Segundo fontes próximas à companhia, a desmobilização deverá começar por terras próximas a centros urbanos. São áreas que passaram por razoável valorização imobiliária nos últimos anos. Outro bloco sensível envolveria ativos logísticos, especialmente terminais portuários. É o caso do Itacel, no Porto de Itaqui (MA), e do Terminal de Uso Privado de Caravelas (BA). Até mesmo o Portocel, associação com a Cenibra em Aracruz (ES), pode entrar na temporada de desmobilização de participações. São empreendimentos vistos como atrativos para fundos de infraestrutura, dispostos a pagar múltiplos elevados por receitas previsíveis e contratos de longo prazo. Nesses casos, a ideia da Suzano não seria zarpar de vez desses empreendimentos, mas, sim, manter uma fatia acionária. No último balanço, em setembro de 2025, a relação dívida líquida/Ebitda da Suzano estava em 3,1 vezes. A empresa tem acenado ao mercado que pretende descer essa sarrafo para 2,5 vezes. Muito provavelmente ainda não vai ser nas demonstrações de dezembro, que serão divulgadas hoje pela empresa. Procurada pelo RR, a Suzano não se manifestou até o fechamento desta matéria.

#Suzano

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