BTG trabalha para amarrar a fibra óptica da TIM, V.tal e I-Systems

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BTG trabalha para amarrar a fibra óptica da TIM, V.tal e I-Systems

  • 10/02/2026
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O BTG conduz como um trator as negociações para uma possível fusão entre a V.tal, sua controlada no segmento de fibra óptica, e a TIM Brasil. Que o digam os acionistas da I-Systems, empresa de infraestrutura de telecomunicações da qual o próprio grupo italiano é sócio minoritário. A companhia virou peça-chave do quebra-cabeças que o banco pretende montar. O BTG trabalha com o objetivo de arrastá-la para dentro do M&A entre V.tal e TIM, de forma a dar uma escala maior ao futuro grupo. Para isso, segundo informações filtradas pelo RR, teria atravessado tratativas internas que vinham sendo conduzidas pelos sócios da I-Systems envolvendo a troca de controle. A Alloha, uma das maiores operadoras de fibra óptica do Brasil, apresentou uma oferta para a aquisição integral da fatia acionária da TIM (49%) e de parte do capital em poder do acionista majoritário, a nigeriana IHS Towers (dona dos 51% restantes). No total, a proposta envolve a transferência de 70% da I-Systems. Ou talvez seja melhor dizer “envolveria”. No que depender do BTG, a Alloha é carta fora desse baralho. Segundo a fonte do RR, a instituição financeira de André Esteves tenta convencer a TIM a comprar os 51% pertencentes aos nigerianos e, dessa maneira, assumir integralmente o controle da I-Systems. Com isso, a empresa de fibra óptica entraria automaticamente no cesto de ativos que poderão fazer parte da eventual fusão entre a TIM Brasil e a V.tal. O RR fez seguidos contatos com o BTG, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Também consultada, a TIM Brasil não quis comentar o assunto.

O BTG enxerga um problema objetivo na V.tal: escala existe, mas a conversão em receita segue aquém do necessário. Ao fim de 2024, a empresa tinha cerca de 22,4 milhões de casas passadas e apenas 4,3 milhões conectadas, o que resulta em um take-up de 19%. Em termos práticos, são quase 18 milhões de endereços cobertos que ainda não geram fluxo recorrente de caixa. Essa ociosidade passou a pesar de forma mais visível em 2025, quando a companhia viu suas margens se comprimirem, o capex permanecer elevado e os resultados mergulharem no vermelho, culminando em prejuízo de R$ 344 milhões no terceiro trimestre do ano passado. No acumulado entre janeiro e setembro, por sua vez, as perdas chegaram a R$ 700 milhões, contra um lucro de R$ 914 milhões em igual período em 2024.

Nesse contexto, o BTG compreende a I-Systems como uma engrenagem importante para dar mais peso à operação de fibra óptica combinada da TIM Brasil/V.tal. A empresa, curiosamente, nasceu de uma costela da própria operadora italiana. Criada a partir da antiga FiberCo da TIM, a I-Systems foi desenhada como o braço de infraestrutura fixa da companhia. Diferentemente da V.tal, que opera como atacadista de capacidade, a I-Systems está diretamente conectada à lógica industrial do varejo e à geração de clientes.

Para o BTG, incorporar esses ativos ao perímetro de uma fusão entre V.tal e TIM Brasil resolveria três problemas ao mesmo tempo. O primeiro seria a possibilidade de acelerar o aumento da ocupação da rede sem exigir um novo ciclo pesado de investimentos. A V.tal já tem a infraestrutura pronta; o que falta é demanda previsível em maior escala. Ao trazer a I-Systems para dentro do desenho, o grupo passaria a ter um instrumento direto para reduzir a dependência de terceiros e encurtar o caminho entre capex realizado e monetização.

O segundo ganho está na integração operacional. Hoje, a V.tal controla a grande malha de fibra, enquanto a I-Systems concentra a operação da rede secundária e a expansão orientada ao varejo da TIM. Sob um mesmo guarda-chuva societário, seria possível padronizar engenharia, eliminar sobreposições de construção, ganhar escala em compras e, sobretudo, coordenar a expansão e a manutenção da rede com um racional econômico único. Há ainda um terceiro vetor, de natureza societária. Seria um movimento defensivo do BTG/V.tal. Ao estimular a TIM Brasil a recomprar a fatia majoritária da I-Systems, o banco tiraria a nigeriana IHS do páreo e fecharia um caminho para o crescimento da Alloha no mercado de fibra óptica.

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