Cosan e Shell resistem a aportar dinheiro novo na Raízen - Relatório Reservado

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Cosan e Shell resistem a aportar dinheiro novo na Raízen

  • 11/02/2026
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Entre os credores da Raízen, cresce a leitura de que Cosan e Shell estão esticando a corda da empresa para que ela arrebente. O rompimento em questão seria o pedido de recuperação judicial da companhia, que carrega dívidas de curto prazo de R$ 53 bilhões. A percepção dos bancos de que ambas manobram nessa direção se acentuou nos últimos dias, alimentada pela mudança de postura da dupla em relação à capitalização emergencial da Raízen. Segundo informações apuradas pelo RR, tanto Cosan quanto Shell têm se mostrado resistentes à ideia de colocar dinheiro novo na empresa. É como se estivessem lavando as mãos diante da grave situação financeira da Raízen, apostando no cenário do “Quanto pior, melhor”. O “melhor”, nesse caso, seria não injetar capital na companhia, deixando a bola de neve transcorrer seu curso montanha abaixo até a recuperação judicial. Em contato com o RR, a Shell disse que reconhece os “significativos desafios financeiros que a Raízen enfrenta atualmente” e que “continua trabalhando com as equipes de liderança da Raízen e da Cosan em apoio a medidas que visem a redução do endividamento”. Segundo o grupo anglo-holandês, a “prioridade é garantir que a Raízen identifique e busque soluções equilibradas e sustentáveis para a joint venture, os acionistas e as demais partes interessadas da empresa”. Perguntada especificamente se pretende ou não acompanhar um aporte de capital na Raízen e sobre a possibilidade de um pedido de recuperação judicial, a Shell não se manifestou. Também consultados, Raízen e Cosan não quiseram comentar o assunto.

Do lado da Cosan, também pressionada por um elevado passivo, de R$ 18 bilhões, a prioridade é salvar os próprios dedos – no fim do ano passado, o empresário Rubens Ometto já entregou alguns anéis ao BTG e à Perfin Investimentos, que lideraram a capitalização de R$ 10 bilhões da companhia sucroalcooleira. A Shell, por sua vez, tem reduzido globalmente sua exposição a negócios de baixo retorno estrutural e em segmentos downstream ou voltados diretamente ao consumidor, notadamente que exigem muito capex, têm margens estruturalmente comprimidas, não apresentam escala ou vantagem competitiva global e oferecem risco por conta de elevada alavancagem e alto custo de financiamento. A Raízen gabarita todas essas variáveis.

As tratativas para o aporte de capital na Raízen se arrastam desde novembro do ano passado. As cifras sobre a mesa giram em torno de R$ 10 bilhões – ainda que algumas instituições financeiras, caso do JP Morgan, calculem que, por baixo, a companhia precisa de R$ 18 bilhões para reduzir sua alavancagem a níveis palatáveis. Além da Cosan e da Shell, a operação envolve também a entrada do próprio BTG no capital – conforme o RR antecipou. O recuo dos dois acionistas controladores traz um fato novo e quebra a engrenagem inicialmente idealizada para a operação. Nesse cenário, o aporte só sairia do papel se o BTG e eventualmente outros parceiros viessem a preencher a lacuna deixada por Cosan e Shell, diluindo a participação de ambas no capital. Pode ser que sim, pode ser que não, em meio ao mosaico de conjecturas que cercam a Raízen neste momento. O fato é que há uma recente sequência de movimentos da companhia que, aos olhos dos credores, soam como aproximações sucessivas de uma recuperação judicial. Recentemente, a Raízen contratou a Alvarez & Marsal, consultoria que é sinônimo de RJ. Na última segunda-feira, anunciou também a Rothschild & Co. como assessora financeira no processo de reestruturação da dívida.

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