Redação RR - Relatório Reservado

Artigos: Redação RR

Governo Tarcísio faz mea culpa e tenta salvar PPPs de saneamento

19/02/2026
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Emissários do governador Tarcísio de Freitas têm conduzido uma rodada de conversas com grandes grupos do saneamento, a exemplo da Aegea e da BRK Ambiental. A missão é convencer estes players a disputar os leilões de Parcerias Público-Privadas (PPPs) previstos para este ano. Em jogo, um pacote de investimentos que pode chegar a R$ 40 bilhões. Nas tratativas, segundo uma fonte do setor, o governo tem feito uma mea culpa, reconhecendo que o formato anterior foi duplamente fracassado: não alcançou a adesão esperada dos municípios e do mercado privado. Além disso, o Palácio dos Bandeirantes acena com subsídios financeiros para as concessões, uma isca a mais para os investidores.
O projeto de lei 1.083/2025, que deverá ser aprovado na Assembleia Legislativa (Alesp) nas próximas semanas, reorganiza os territórios de saneamento em subunidades menores e viabiliza a concessão dessas áreas por meio de PPPs. A ideia é que esse modelo aumentará a atratividade dos blocos para investidores privados – um recuo parcial em relação à estratégia de 2021, em que apenas o bloco da Sabesp prosperou.
No diagnóstico feito entre os assessores de Tarcísio de Freitas, a baixa adesão de prefeitos à primeira rodada de regionalização evidenciou que muitos municípios preferem manter a prestação direta dos serviços ou têm dúvidas sobre a viabilidade econômica de concessões isoladas. A nova abordagem tenta contornar esse gargalo ao agrupar municípios por bacias hidrográficas e oferecer contraprestação financeira do estado nos contratos de longo prazo (20 a 40 anos).

#Tarcísio de Freitas

Kavak acelera em seu processo de “fintechzação” no Brasil

19/02/2026
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O Brasil desponta como o destino de uma parcela expressiva dos US$ 300 milhões captados pela mexicana Kavak em sua rodada Série F, fechada no início desta semana. Segundo informações apuradas pelo RR, o foco da startup de carros seminovos é consolidar a operação brasileira como uma possante máquina de crédito e giro de estoque. O modelo que ganha tração é o de plataforma de liquidez combinada a financiamento: comprar veículos com desconto via originação direta e contratos estruturados, recondicioná-los, vende-los com giro acelerado e financiar com spread. O carro é meio; o crédito é fim. Ou seja: a Kavak pretende acelerar sua porção fintech no Brasil. Isso tende a se materializar em três movimentos objetivos. Em primeiro lugar, elevar a penetração de financiamento nas vendas próprias e de parceiros; em segundo, firmar contratos recorrentes de fornecimento com locadoras e grandes frotistas, aumentando previsibilidade de estoque; por fim, investir em infraestrutura de recondicionamento e logística nos principais eixos urbanos, encurtando tempo de pátio — variável crítica de rentabilidade. O Brasil é visto pelos mexicanos como uma estrada muito bem pavimentada, com oportunidades em todas as pistas. No ano passado, mais de 18 milhões de automóveis usados foram comprados e vendidos no país – 16% a mais do que em 2024. Esse número representa 88% de todos os veículos de passeio comercializados no Brasil em 2025. No México, a Kavak não tem um panorama tão favorável como esse: por lá, os automóveis usados respondem por cerca de 80% do mercado total.

#Kavak

Pacheco não quer ser o “Fernando Haddad de Minas de Gerais”

19/02/2026
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Em conversas reservadas, o senador Rodrigo Pacheco tem condicionado sua candidatura ao governo de Minas Gerais à formação de uma “frente ampla”, leia-se um arco de apoios englobando a esquerda, o centro e a centro-direita. Pacheco não quer ser o Fernando Haddad de Minas, ou seja, um candidato com encontro marcado com a derrota, cuja única função seria dar um palanque para Lula no estado – a exemplo do destino que o PT quer impor ao futuro ex-ministro da Fazenda em São Paulo. Para isso, o senador tem conversado dia sim, e o outro também, com lideranças do PT, PSB, MDB, União Brasil e PP. A todos diz que só sai candidato se tiver essa sopa de letrinhas ao seu lado. A questão é que o próprio Pacheco tem de definir qual delas será a sua sigla matriz. Sua permanência no PSD é tida como inviável depois que o atual vice-governador, Mateus Simões, migrou para o partido. Simões é o candidato de Romeu Zema ao governo. União Brasil e MDB já teriam oferecido um teto para Pacheco disputar a eleição.  No primeiro, o senador teria acesso a um fundo eleitoral robusto e a uma bancada federal numerosa; no segundo, contaria com capilaridade municipal maior no interior de Minas Gerais.

#Rodrigo Pacheco

Após IPO, Agibank mira multiplataforma própria de crédito e risco

13/02/2026
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O mercado já mapeia os próximos passos do Agibank após o IPO na Bolsa de Nova York e o reforço de capital de US$ 240 milhões. Há informações de que o banco avalia a compra de empresas de infraestrutura de crédito em áreas como antifraude, biometria, analytics de crédito, plataformas de cobrança e esteiras digitais de originação. A lógica é clara: montar um ecossistema proprietário de originação, risco e cobrança e, com isso, reduzir custo de aquisição de clientes. Outra frente no radar do Agibank é infraestrutura de funding. A instituição financeira tem planos de capacidades ligadas à estruturação de FIDCs, securitização e gestão de carteiras. Ao mesmo tempo, o banco mira o mercado norte-americano, partindo da premissa de que o próprio IPO o credencia para associações ou compra de ativos nos Estados Unidos. O Agibank tem especial interesse na incorporação de negócios focados em prevenção a fraudes e inteligência de dados, que possam ser replicados em suas operações no Brasil.

#Agibank #IPO

Cade amplia investigação sobre o ecossistema da Meta

13/02/2026
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O processo aberto pelo Cade contra a Meta por impedir o uso de ChatGPT e Copilot no WhatsApp é apenas a ponta do iceberg. Segundo informações obtidas pelo RR, os conselheiros do órgão antitruste pretendem ampliar o escopo da investigação, debruçando-se sobre a integração de dados entre redes sociais, aplicativos de mensagens e as camadas de publicidade e mensuração controladas pelo grupo. A conversão da hegemonia em aplicativos — WhatsApp, Instagram e Facebook — em concentração de poder no mercado de publicidade digital é a lógica que sustenta o modelo de monetização da Meta. Até aí, nenhuma novidade. O que o Cade pretende perscrutar não é exatamente o que o conglomerado faz, mas o quanto faz. Ou seja: apurar se a Meta se vale da sua hegemonia em seus serviços de mensagens e em suas redes sociais para “fechar” o mercado publicitário, criando vantagens que concorrentes não conseguem replicar porque não têm acesso aos mesmos dados ou à mesma escala. Ao concentrar dados sensíveis de comportamento, comunicação e consumo em um único ecossistema, a Meta pode reforçar barreiras à entrada, elevar custos de aquisição de clientes para rivais e capturar uma fatia desproporcional da receita publicitária.

Procurado pelo RR, o Cade informou que “não se manifesta sobre casos em andamento”. Também consultada, a Meta não retornou.

Esse é um tema que mexe com todas as mídias. O ponto de partida veio há cerca de um mês, quando o órgão antitruste instaurou um inquérito administrativo e concedeu uma medida preventiva contra o WhatsApp. A medida veio após denúncias da Factoría Elcano e da Brainlogic, empresas desenvolvedoras de IA. Ambas acusam a Meta de abuso de posição dominante e fechamento de mercado decorrente de mudanças nos termos de uso do WhatsApp Business. A denúncia é que desenvolvedoras e provedores de serviços e soluções de inteligência artificial generativa serão banidos do aplicativo, garantindo um monopólio artificial à dona do WhatsApp.

#Cade #Meta

Leilão de energia: quem manda o governo mudar as regras do jogo?

13/02/2026
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Nos bastidores do setor, a súbita mudança de posição do Ministério de Minas e Energia em relação ao leilão de capacidade de energia marcado para março é atribuída à elétrica influência dos irmãos Batista e de André Esteves. Na última terça-feira, o governo anunciou o preço-teto de R$ 1,12 milhão por MW/ano para térmicas existentes e de R$ 1,6 milhão MW/ano para novos projetos a gás, causando um rebuliço no mercado. Para se ter uma ideia do tamanho do baque, os investidores trabalhavam em suas estimativas com o dobro das cifras divulgadas. Pouco mais de 24 horas depois, o próprio ministro Alexandre Silveira veio a público dizer que os valores seriam corrigidos, contornando o curto-circuito. Sabe-se bem de onde saíram as maiores faíscas. A Âmbar Energia, de Joesley e Wesley Batista, e a Eneva, controlada pelo BTG, seriam os dois grandes prejudicados com os valores fixados pela Pasta. No caso da Eneva, que tem portfólio relevante em geração térmica integrada à produção de gás no Maranhão e no Amazonas, a leitura era de que o preço-teto comprometeria a viabilidade de expansão de projetos greenfield e reduziria drasticamente o retorno sobre ativos já operacionais. Analistas chegaram a estimar que, nos parâmetros originais, a TIR de novos empreendimentos poderia cair para a faixa de 6% a 7% reais, abaixo do custo médio ponderado de capital (WACC) do setor. Por sua vez, a Âmbar Energia, da J&F, com forte exposição a térmicas a gás e óleo combustível, também seria diretamente impactada. Parte relevante de sua estratégia depende de contratos de capacidade para garantir receita fixa que complemente a volatilidade do mercado spot.

#Energia

General Mills bate à porta de private equities para vender a Yoki

13/02/2026
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A General Mills ampliou o espectro de busca de um comprador para a Yoki. Segundo informações apuradas pelo RR, o grupo norte-americano tem conversado com gestoras de private equity. Entre os potenciais candidatos ao negócio estariam o Pátria Investimentos e o Advent. Somam-se a players da área de alimentos que já demonstraram interesse pela empresa, casos da Camil e da 3Corações. A General Mills comprou a Yoki em meados de 2012, desembolsando R$ 2 bilhões. Agora estaria tentando levantar algo entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões. Não é simples. Com uma ampla linha de produtos, que vai de farinha a salgadinhos, e faturamento anual na casa dos R$ 2 bilhões, a Yoki tem operado com margens cada vez mais apertadas, em muitos casos inferior a 10%. Procurada pelo RR, a General Mills informou que “não comenta rumores de mercado”.

#General Mills #Yoki

Ciro Nogueira já age como se fosse do governo Lula

13/02/2026
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Ciro Nogueira é sempre rápido no gatilho. Em meio à reconciliação política com Lula, já manobra para a colocação de aliados no atual governo. O que se diz em Brasília é que o empresário piauiense José Trabulo Junior está cotado para voltar à gestão da Caixa Econômica ou assumir um cargo no Banco do Nordeste. Conterrâneo e ligadíssimo a Nogueira, Trabulo foi exonerado da função de consultor da presidência da CEF em outubro do ano passado. À época, o governo decidiu fazer uma limpa em nomes indicados pelo PP para ministérios e estatais após uma sequência de derrotas em votações no Congresso. Homem de confiança do senador piauiense, Trabulo chegou a atuar diretamente na campanha de Jair Bolsonaro à reeleição, em 2022. A essa altura, com a reaproximação de Nogueira e Lula, esse se torna um pecadilho de menor importância.

#Ciro Nogueira

Capitânia monta plataforma para consolidar shoppings no Nordeste

12/02/2026
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É tudo ao mesmo tempo agora na Capitânia. Em meio a uma reestruturação societária, com a saída de Arturo Profili, um de seus fundadores, a gestora estica seus tentáculos na área de real estate. Abriu conversas com investidores estratégicos do setor de shopping centers — com foco especial no Nordeste — para ampliar a base de cotistas do Midway Mall FII e criar musculatura financeira para uma nova rodada de aquisições. Segundo interlocutores próximos às tratativas, a gestora tem apresentado o fundo como uma plataforma de consolidação regional, voltada à compra de shoppings de médio e pequeno porte, em mercados com baixa concorrência e forte dependência de consumo local.
O plano é usar o Midway Mall, adquirido por cerca de R$ 1,6 bilhão, como ativo âncora de um veículo capaz de capturar ganhos de escala, diluir custos operacionais e elevar poder de barganha com lojistas e fornecedores. A estratégia passa por atrair investidores institucionais e family offices com ativos próprios, interessados em aportar shoppings ao fundo em troca de cotas — movimento que reduziria desembolso de caixa e aceleraria a expansão. Na mira estariam centros comerciais em capitais e cidades médias do Nordeste, como Paraíba, Pernambuco, Ceará e Alagoas, além de polos regionais no interior da Bahia e do Rio Grande do Norte. O foco recai sobre ativos com ABL entre 15 mil e 35 mil m², tíquete médio acessível e potencial de reancoragem. Estimativas de mercado indicam que esse segmento movimenta negócios na faixa de R$ 300 milhões a R$ 800 milhões por ativo, dependendo do estágio de maturação.
Fundada em 2015, a Capitânia administra cerca de R$ 20 bilhões em ativos, com atuação concentrada em crédito estruturado, real estate e ativos estressados. A gestora ganhou escala nos últimos anos ao combinar estratégias de renda recorrente com operações oportunísticas, mantendo presença relevante em fundos imobiliários, crédito privado e veículos dedicados a situações especiais.

#Capitânia #Nordeste

A última dança de Alberto Griselli na TIM Brasil?

12/02/2026
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A compra do controle da I-Systems, anunciada ontem pela TIM Brasil – e antecipada pelo RR na última terça-feira -, pode ter sido a última grande operação sob o comando de Alberto Griselli. Corre em petit comité no setor de telefonia a informação de que a Telecom Italia prepara mudanças na gestão da subsidiária brasileira, com a possível saída de Griselli do cargo de CEO. A troca estaria relacionada a divergências entre o executivo e o chairman da TIM Brasil, Nicandro Durante. Há relatos também de ruídos com o CEO global do grupo italiano, Pietro Labriola, segundo uma fonte próxima à companhia. Curiosamente, ao assumir a presidência da operadora no Brasil, Griselli substituiu o próprio Labriola. As discordâncias estariam relacionadas a decisões estratégicas e à gestão financeira, de acordo com a mesma fonte. Nos últimos dois dias, o RR fez várias tentativas de contato com a TIM Brasil, por meio de sua assessoria, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

Também pesaria contra Griselli um histórico de relações turbulentas com integrantes da diretoria. Durante sua gestão como CEO, importantes executivos deixaram a TIM Brasil. Um exemplo emblemático é Renato Ciuchini, que ocupou a vice-presidência de Inovação entre 2022 e julho de 2025. Línguas ferinas de dentro da própria TIM dizem que Ciuchini era uma liderança capaz de desafiar a renovação do mandato de Griselli pela matriz. Consta que o CEO da TIM Brasil prefere governar com colaboradores mais low profile, que não trisquem seu protagonismo. É o caso da diretora financeira, Andrea Palma Marques, e da diretora jurídica, Fabiane Reschke, bastante próximas a Griselli.

Em tempo: caso sua saída se confirme, Alberto Griselli, no cargo desde janeiro de 2022, deixará para seu sucessor uma empresa maior do que aquela que recebeu. Entre 2021 e 2025, a receita da TIM Brasil saiu de R$ 18 bilhões para R$ 26,6 bilhões, alta de 47%. No mesmo período, o Ebitda, por sua vez, subiu de R$ 8,7 bilhões para R$ 13,5 bilhões, um salto de 55%. O lucro da companhia praticamente dobrou: de R$ 2,2 bilhões em 2021, último ano pré-Griselli, para R$ 4,3 bilhões em 2025.

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