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Canopy prepara lançamento de dívida de olho em aquisições
6/08/2025Corre no mercado que a Canopy, startup da área de softwares, está prestes a tirar do forno uma emissão de dívida. Potenciais investidores já estariam sendo sondados. O valor giraria em torno de US$ 50 milhões. O reforço de caixa se juntaria aos US$ 100 milhões recebeu recentemente em uma rodada de capitalização encabeçada pela brasileira Cloud9 e pela gestora norte-americana Bessemer. Com munição no coldre, a Canopy vai partir para a aquisição de empresas na área de tecnologia.
Trump já dá terras raras brasileiras como favas contadas
6/08/2025Donald Trump, ao que parece, conseguiu o que os Estados Unidos desejavam há décadas: o direito preferencial de importação do excedente da extração de terras raras do Brasil. A contrapartida vigoraria a contar do acordo para redução das sobretaxas impostas ao país.
A forma despretensiosa como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou que os minerais críticos serão uma moeda de troca importante para a diminuição das tarifas demonstra o quanto o Brasil está disposto a se ajoelhar a Trump. Haddad não diria o que disse se já não soubesse as cenas dos próximos capítulos. É sintomático que Lula tenha convenientemente se calado diante da postura do “leva o que quiser” adotada publicamente por seu ministro. Ajoelharam-se todos. Mesmo sabendo da importância estratégica das terras raras ou mesmo que a desistência camuflada do fim da soberania sobre minérios nucleares pode levar a algum transtorno com os chineses, nosso principal parceiro comercial. Governar é gerenciar riscos. Espera-se que Lula tenha acertado na conta.
O domínio chinês nessa área é absoluto. O país asiático é detentor do primeiro lugar no ranking dos maiores depósitos de terras raras. O Brasil aparece no segundo posto, empatado com a Rússia. Em terceiro vem a Índia, outra nação que começa a sofrer as dores do tacape de Trump. A China também é o maior importador do minério brasileiro (60,8%), seguida da França (19,6%) e do Japão (8,5%).
Se existissem coincidências, elas explicariam o fato de que os três países com maiores reservas das terras raras são membros dos BRICs. Mas o RR não acredita em coincidências. Aliás, vem alertando para o assunto recorrentemente – leia aqui:
- Governo Trump quer colonizar os minerais nucleares do Brasil
- Capital estrangeiro faz fila para explorar minerais nucleares no Brasil
- Qualquer discussão sobre minerais críticos sem a Marinha é um tiro n’água
As terras raras já foram tratadas como assunto de Segurança Nacional no Brasil. A história do pantagruélico interesse dos EUA pelos minérios críticos nacionais é matusalêmica. Dois acordos estranhamente redigidos, o primeiro em 1945, e o segundo em 1952, organizavam a exportação de monazita em grandes quantidades, sem compensação específica para o Brasil.
Documentos dos governos brasileiro e norte-americano, pesquisas acadêmicas, notícias de jornais da época e fotografias de arquivos públicos comprovam o envio de areia monazítica de Guarapari e de outros municípios capixabas, do Rio de Janeiro e da Bahia para os Estados Unidos – além de França, Alemanha e Inglaterra –, desde o fim do século XIX até a década de 1960. Muitas vezes o envio era feito a “preço de banana” ou de forma clandestina, com a monazita declarada como areia comum para preencher o lastro dos navios.
Em 1946, o Conselho de Segurança Nacional pediu que o primeiro acordo fosse denunciado, mas as exportações continuaram, além do contrabando, que gerou ação disciplinar em 1952. A baderna foi contida em parte.
Hoje, a regulamentação da exploração e produção de terras raras está sob jurisdição do Ministério de Minas e Energia, com o apoio do Departamento Nacional da Produção Mineral. Mas o rigor do controle da política para as terras raras é o próprio espelho da expressão facial do ministro Alexandre da Silveira.
Segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungman, a maior reserva de terras raras do Brasil está em Serra Verde, Goiás. A empresa Serra Verde Pesquisa e Mineração já fincou seus pés em Minaçu, região norte do estado, e é a única mineradora fora da Ásia a produzir em escala comercial quatro elementos magnéticos essenciais: disprósio (Dy) e térbio (Tb), além de neodímio (Nd) e praseodímio (Pr).
A Serra Verde se apresenta como empresa brasileira, com sede no estado de Goiás, mas tem entre seus investidores de referência o fundo americano Denham Capital Management. Por alguma triangulação de difícil compreensão, a Serra Verde exporta a maior parte da sua produção para a China. Mistério!
Além dela, cinco outras empresas mineram tório, mas em muito menor escala. Somente uma é realmente de capital nacional. O tório, que é a pedra preciosa a ser extraída das terras raras, pouco é mencionado. Fala-se mais na monazita, que contém tório, bastnasita, xenotima e loparita e as argilas lateríticas, todos com maior função econômica.
O Ministério de Minas e Energia destaca como elementos de relevo a bastnasita e xenotima. Quem? Engraçado realmente ninguém falar no tório. Talvez haja alguma intenção de disfarce no silêncio em relação ao mineral.
O tório assumiu uma importância estratégica para os chineses. Neste ano, o país asiático conseguiu pela primeira vez na história reabastecer um reator nuclear com tório – elemento radioativo – sem precisar desligar o equipamento. O teste foi realizado em um reator localizado no Deserto de Gobi, no noroeste da China.
Segundo informações do jornal estatal chinês Guangming Daily, a unidade experimental pode gerar 2 megawatts de energia, utilizando sal fundido para transportar o combustível, tendo o tório como fonte nuclear geradora.
O tório, assim como as terras raras, é de difícil processamento. As principais reservas desse minério estão na Índia e China. O Brasil vem em sétimo lugar. Se juntarmos os três países, eles somam mais da metade das reservas planetárias de tório. Coincidência que os três sejam os founding fathers dos BRICs? O RR, como já dito, não acredita em coincidências.
Auren avalia nova emissão de títulos para reduzir a carga do seu passivo
6/08/2025Há um burburinho no mercado que a Auren Energia, leia-se Grupo Votorantim e a canadense CPP Investments, tem planos de realizar uma nova emissão de debêntures até o fim do ano. Os títulos seriam lastreados em metas de sustentabilidade. Em abril, a companhia lançou R$ 2 bilhões em debêntures incentivadas. O novo reforço de caixa, assim como anterior, se destinaria ao alongamento do passivo, hoje tratado como prioridade pela Auren. A aquisição da AES Brasil, no ano passado, esticou a corda da alavancagem. No primeiro trimestre, a relação dívida líquida/Ebitda chegou ficou em cinco vezes. Já foi pior: no fim do ano passado, o sarrafo bateu em 5,7 vezes. Mesmo com a redução nos três primeiros meses do ano, o patamar ainda está bem acima da média do setor de energia – em torno de três vezes. É de se imaginar que a questão cause desconforto, sobretudo, entre os Ermírio de Moraes, historicamente conhecidos por manter uma gestão de caixa conservadora na Votorantim, com níveis de endividamento mais palatáveis.
Andrade Gutierrez busca uma luz no fim do túnel Santos-Guarujá
6/08/2025A Andrade Gutierrez busca no mercado um parceiro para disputar o leilão de concessão do túnel Santos-Guarujá, marcado para 5 de setembro. Segundo informações filtradas pelo RR, há conversas com duas importantes gestoras de private equity já com investimentos significativos na área de infraestrutura. A Andrade Gutierrez ficou sozinha no asfalto depois que a construtora italiana WeBuild, com a qual negociava uma dobradinha, atravessou para o outro lado da pista e fechou uma parceria com a Marquise Infraestrutura. O túnel Santos-Guarujá desponta como uma das maiores licitações da área de transporte previstas para o segundo semestre, com investimento total de R$ 6 bilhões. Mais do que isso, no entorno do governador Tarcísio de Freitas o leilão é tratado como uma reluzente vitrine política e eleitoral da sua gestão na área que é o seu habitat natural, o setor de infraestrutura.
Nomeação de Wadih Damous para a ANS é prioridade no Palácio do Planalto
6/08/2025O líder do governo no Senado, Jaques Wagner, negocia com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, uma espécie de fast track para votar em plenário a nomeação de Wadih Damous à diretoria-geral da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). A indicação entraria logo na primeira leva de apreciação dos 22 nomes apresentados pelo Palácio do Planalto para preencher vagas em 10 agências reguladoras. Prioridade é prioridade. A indicação de Damous, ex-presidente da OAB-RJ, é um movimento pessoal de Lula.