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Ministério da Agricultura quer ampliar seguro rural. E já sabe de onde tirar dinheiro
5/08/2025Os ministros da Agricultura, Carlos Fávaro, e do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, estão travando um cabo de guerra orçamentário. Fávaro vem atuando dentro do governo com o objetivo de aumentar os recursos para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). E de onde sairia o dinheiro? Do remanejamento de verbas hoje alocadas no Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), gerido pela Pasta do Desenvolvimento Agrário. A mordida seria grande. Fávaro tem defendido a transferência de algo em torno de R$ 3 bilhões, o equivalente a metade do orçamento do Proagro previsto para este ano, o que já provocou a reação de Paulo Teixeira. O que se diz em Brasília é que o petista recorreu aos ministros da Casa Civil, Rui Costa, e da Articulação Política, Gleisi Hoffmann, na tentativa de evitar a tunga nas verbas do Proagro. Independentemente de onde sairá o dinheiro – e se sairá dinheiro de algum lugar -, o fato é que o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural é um cobertor que não tapa nem a ponta dos dedos dos pés. O orçamento deste ano não passa de R$ 1 bilhão. Entre as grandes nações agrícolas do mundo, o Brasil é aquela com o menor volume de subsídios para o seguro rural. Nos Estados Unidos, por exemplo, os instrumentos de securitização cobrem mais de 90% da produção agrícola. No Brasil, estima-se que menos de 20% da safra de soja tenham seguro rural. No setor cafeeiro, o índice mal chega a 1%.
Secom se prepara para enfrentar guerra de narrativa contra os Bolsonaro
5/08/2025O ministro-chefe da Secom, Sidônio Palmeira, como bom brasileiro, está torcendo para que o Brasil saia do grupo dos países sobretaxados pelos Estados Unidos nas suas exportações. Mas melhor ainda será se a solução vier devagarinho. Por trás dos panos, Palmeira trabalha na geração de motes para Lula disparar contra a irmandade Trump/Bolsonaro bem antes da sua campanha eleitoral começar para valer.
Já se sabe que a questão da fome, do meio ambiente, a importância dos BRICs e da cooperação internacional para conter o aquecimento global são temas que terão de constar do speech do presidente na COP30, talvez a sua mais próxima e luzidia vitrine política. Mas alguns outros assuntos ganharão proeminência: a alternativa de outra moeda para se livrar do imperialismo monetário do dólar, a resistência de Trump em se engajar nas iniciativas globais para reduzir o aquecimento do planeta, a intervenção – quase um golpe – na soberania do Brasil e a adoção política e obsessiva de um ditador e militar de araque que tentou melar as eleições e criar as condições para que ocorresse uma quartelada no país, o que pode ser comprovado com as lamentáveis imagens do 8 de janeiro.
Um dos objetivos do ministro-chefe da Secom é disseminar na COP30 a mensagem de que o Brasil não irá fugir ao seu papel fundamental de reduzir a insegurança alimentar do mundo, um dos alvos indiretos de Trump. De quebra, Palmeira vislumbra uma oportunidade de dar visibilidade ao recorde na queda do desemprego, a retirada do mapa da fome, uma melhoria nas projeções do déficit primário em 2025 e 2026 e uma estimativa de crescimento do PIB superior a 2% no biênio. Enfim, a ordem na comunicação do Planalto é transformar o limão tarifário em uma limonada eleitoral.
Sidônio Palmeira sabe também que velocidade é função do tempo e vem dessa inevitável associação a importância de correr com os ganhos publicistas dessa situação reversa. Caso contrário, os Bolsonaro, qualquer que seja a redução da sobretaxa, berrarão a fanfarra de que o refresco alfandegário se deve à ação do próprio clã, notadamente de Eduardo Bolsonaro.
Não será surpresa se a família Bolsonaro bradar que conteve uma situação de rompimento das relações com os EUA e que o verdadeiro golpe foi dado por Lula usando táticas como a fraude nas eleições. Ou que Jair Bolsonaro e sua prole agiram para distender as relações entre o Departamento de Estado norte-americano e o Poder Judiciário. Ou seja: não faltam argumentos para o marketing tanto do lado dos gregos quanto dos troianos. A corrida é pela narrativa mais eficaz, com maior poder de sensibilização da opinião pública. Isso para não falar que a família Bolsonaro deve aumentar o discurso de vitimização com a prisão domiciliar do ex-presidente, decretada ontem pelo ministro Alexandre de Moraes.
A questão é o timing. No próprio Palácio do Planalto, cabeças mais sensatas pregam que, se Lula quer entrar nessa briga para ganhar, não pode recusar a cooperação dos profissionais para dar ouvido aos “cardeais Mazarini” que o rondam, caso de Janja e Gleisi Hoffmann. Há o entendimento de que o presidente precisa também escutar um pouco mais seus embaixadores, que estão no limbo da negociação, sem norte e apoio. Parece que os “generais do Itamaraty” foram postos na reserva. Só Lula fala pela diplomacia. Mais um ponto para acertar com o curador da sua imagem.
Sem IPO, Cosan estuda venda de participação na Moove
5/08/2025Com a suspensão em definitivo do IPO da Moove nos Estados Unidos, a Cosan estuda alternativas para destravar valor da sua empresa de lubrificantes. A alta direção do grupo cogita a possibilidade de venda de uma participação minoritária. No mercado, o que se diz, inclusive, é que gestoras de private equity já teriam sido informalmente consultadas por emissários de Rubens Ometto. A Cosan detém 70% da Moove – o restante pertence ao fundo norte-americano CVC, que colocou suas ações à venda. Por ora, segundo informações filtradas pelo RR, soluções mais radicais estão fora de cogitação. Rubens Ometto não quer nem ouvir falar na hipótese de venda integral da participação da Cosan na Moove, um dos cenários traçados por seus executivos. Não seria por falta de candidato. A Vibra demonstrou interesse na compra do controle da empresa de lubrificantes, conforme informou o Brazil Journal.
Regulamentação do BR do Mar vira um barco sem rumo
5/08/2025Um dos pontos mais importantes da regulamentação do BR do Mar, programa de estímulo à navegação de cabotagem, está à deriva. Até o momento, o governo não conseguiu fixar os critérios para definição das chamadas “embarcações verdes”, ou seja, as normas socioambientais que terão de ser cumpridas pelas companhias de navegação para ter direito a benefícios da nova legislação. O anúncio das regras vem sendo sucessivamente postergado. Em seu mais recente aceno às empresas do setor, o Ministério dos Portos e Aeroportos e a Antaq garantiram que a regulamentação será apresentada em novembro. Os armadores duvidam da promessa. O receio no setor é que o arremate na legislação seja rebocado para o ano que vem, atrasando ainda mais sua implementação. Entre outros benefícios, o BR do Mar prevê que as “embarcações verdes” terão acesso facilitado a recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM) e prioridade na análise de processos administrativos. Além disso, a tonelagem afretada pode chegar a 100% da capacidade da frota, em vez de limitações de até 50%. São bons estímulos, desde que saiam do papel.