Arquivo Notícias - Página 181 de 1965 - Relatório Reservado

Últimas Notícias

Investidores só têm olhos para a baixa temporada da CVC

15/08/2025
  • Share
O impacto causado pelos resultados do segundo trimestre deixou uma certeza no empresário Guilherme Paulus, principal acionista da CVC, e em seus executivos: a agência de viagens precisa dar um choque de expectativa no mercado de forma a recuperar a confiança dos investidores. Entre as medidas em discussão está o alongamento do passivo, de forma a reduzir a pressão sobre os cursos financeiros, hoje um calcanhar de aquiles da companhia. Na área operacional, a CVC deverá intensificar a política de alianças estratégicas internacionais, a exemplo do acordo firmado com a Ávoris, um dos maioresos de turismo da Espanha. Haja boas novas para reduzir o azedume dos investidores! Somente na última quarta-feira, a ação da empresa despencou 12% em um único pregão. A queda foi um reflexo do aumento dos prejuízos da CVC no segundo trimestre: R$ 46 milhões, mais do que o dobro das perdas registradas entre abril e junho do ano passado (R$ 22 milhões). A baixa temporada nas demonstrações contábeis se deve, sobretudo, ao peso da dívida. No segundo trimestre, o resultado financeiro negativo chegou a R$ 75 milhões, bem acima dos R$ 16 milhões observados em igual período em 2024.

#CVC #investidores

André Esteves combina trumpismo com terras raras para se associar à Vale

15/08/2025
  • Share

André Esteves enxergou uma fresta aberta para se sentar em uma cadeira na Vale. A porta em questão é o binômio Donald Trump e terras raras. O interesse dos Estados Unidos na aquisição preferencial de minérios estratégicos do Brasil já foi vocalizado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Os minerais críticos entrariam como moeda de troca para a redução das sobretaxas às exportações do Brasil para os EUA.

Esteves enxergou a oportunidade de fazer um refogado que junta soberania nacional, jazidas gigantescas de terras raras, retorno das tarifas americanas a um nível comparável ao praticado anteriormente, trazer Trump para negociações bilaterais com o Brasil e, depois de mexer muito com a colher de pau das suas relações privilegiadas, colocar um pé no melhor ativo do país, um tesouro chamado Vale. Ousado o moço.

Esteves quer surfar nessa crise, usando diferentes figurinos: lobista, adviser e investidor. O banqueiro acha que é capaz de conseguir acordos para o processamento das terras raras. Em primeiro lugar, entende que pode vir a ter um papel importante à frente da diplomacia empresarial com os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, já teria soprado a interlocutores no governo a proposta de que a Vale seja o fio condutor de um grande projeto para a exploração e processamento de terras raras – esta última é a fase mais complexa, por exigir tecnologia avançada.

E onde o próprio Esteves entraria? Audacioso, como de hábito, a narrativa do dono do BTG é que esse é um projeto ganha-ganha. No qual, é claro, ele ganharia mais, transformando uma companhia lastreada no passado em uma gigantesca corporação fincada no futuro, com um valuation de múltiplos a perder de vista. Caberia ao banqueiro buscar recursos internacionais, inclusive junto a fundos soberanos, para financiar os investimentos da Vale em terras raras e outros minérios que o mundo demandará em grande escala para a renovação da matriz energética.

Toda essa engrenagem dependerá do aval do Palácio do Planalto. O governo tem direito de veto em mudanças estatutárias estratégicas na atuação da companhia. Eles são exercidos através da golden share, que são ações preferenciais de classe especial. Mesmo que a Vale tenha seu controle protegido por poison pill, o banqueiro, em tese, poderia escalar até 25% do seu capital. É um jogo muito pesado.

Esteves mantém uma vasta rede de personagens poderosos, no governo e no mundo. Aliás, trata o governo brasileiro como um picadeiro do seu circo de bilhões e bilhões. O assunto, como tangencia a segurança nacional e atravessa feito uma faca quente a manteiga eleitoral, é tratado como segredo de Estado. Mas que segredo de Estado é segredo de Estado no Brasil quando as conversas envolvem inúmeras fontes? O crédito do furo é do RR. Mas no entorno das articulações já começam a vazar as terras raras do disse-me-disse.

Da terça-feira, dia 5, para cá, estranhas contradições permearam as andanças de André Esteves e os comunicados do Palácio do Planalto. Primeiro, com o vazamento de uma informação pretérita de que o banqueiro teria comparecido ao Palácio do Planalto para uma reunião com o presidente Lula, que se recusou de última hora a recebê-lo. Segundo fontes de Brasília, o motivo do meia-volta de Lula foi ter reconsiderado a agenda do encontro, que poderia gerar especulações desfavoráveis.

A Secom confirmou que o banqueiro teria comparecido no dia 5 de agosto ao Palácio, mas para um encontro com o chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. E disse que em momento algum Esteves pediu para se encontrar com Lula. A informação foi publicada no site Metrópoles. Mas são muitos os meteoritos que cruzam o espaço da mídia, induzindo a um mal-estar do presidente com o banqueiro.

Lula não teria atendido seus telefonemas depois de duas horas de insistência. No princípio do ano, teria proibido Esteves de participar de uma reunião para discutir o consignado. E outras e tantas outras. O RR fez seguidos contatos, por telefone e e-mail, com a assessoria do BTG desde terça-feira à tarde. O banco, no entanto, não se manifestou até o fechamento desta matéria.

E o que diria, então, a Secom? Com o objetivo de esclarecer o mínimo de uma história tão rocambolesca, o RR enviou uma série de perguntas ao órgão na tarde da última terça-feira. Manteve sucessivos contatos telefônicos e por e-mail com a Secretaria de Comunicação da Presidência até o fim da tarde de ontem, em busca de um posicionamento oficial para elucidar tantas informações cruzadas, mas não obteve retorno.

A fonte do RR, que tem dois pés plantados no Palácio do Planalto, considera que Lula e Esteves são dois cínicos. Seus limites são elásticos quando se trata de poder, no primeiro caso, e de dinheiro, no segundo. Andam de mãos dadas mesmo quando estão de costas. A operação que envolve a Vale cola os dois personagens.

Um cientista político afamado junto às casas bancárias considera que o dono do BTG tem um discurso sob medida para dar um laço numa provável campanha da oposição contra a tacada. A entrada da Vale manteria também a aura de nacionalismo em torno da exploração de minerais críticos, ajudando a afastar a ideia de que um eventual acordo com os Estados Unidos venha a representar um risco à soberania.

Há ainda um fator adicional: consta que a empresa já detém depósitos de terras raras associados a reservas de cobre em Salobo (PA), além de reservas em Minas Gerais. Cabe enfatizar ainda que esse não é um assunto que está longe do radar da mineradora. Muito pelo contrário. No ano passado, a Vale e o BNDES montaram um fundo focado em minerais estratégicos. O valor previsto, de R$ 1 bilhão, não passaria de um test driver. Também procurada, a Vale não se manifestou.

A se confirmar a informação central dessa matéria, o ingresso de André Esteves em uma Vale turbinada por terras raras, a incursão não chega a ser original. O ex-embaixador Walther Moreira Salles foi banqueiro e minerador, aliás, dono de uma companhia mineradora de nióbio, monopólio mundial, uma empresa exemplar na qual se via a luz do sol. Bem ao inverso dos negócios que são urdidos por Esteves, cuja sensação é de que parecem surgir das trevas, mesmo que não haja motivação para tal sentimento.

#André Esteves #Vale do Rio Doce

Governo se enrosca na rede do seguro-defeso

15/08/2025
  • Share

O seguro-defeso acabou virando um arpão contra o próprio governo. Além do recuo em relação às novas e rígidas regras de pagamento do auxílio, conforme já admitido pelo próprio ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o Ministério da Pesca e o Ministério do Trabalho discutem adiar as mudanças no processo de homologação dos benefícios, previstas para este mês. Há forte pressão de parlamentares e de prefeitos pela postergação. Com as novas normas, a homologação deverá ser feita diretamente pelos municípios, a partir de um sistema centralizado criado pela Dataprev. As prefeituras, no entanto, alegam não terem tido tempo hábil para se adaptar à plataforma. Há ainda divergências em relação ao cadastro dos pescadores habilitados a receber o auxílio. De acordo com a PEA (População Economicamente Ativa) do IBGE, há cerca de 500 mil trabalhadores no setor da pesca artesanal no país, contudo, o número de beneficiários cadastrado está em 1,9 milhão, segundo o Ministério da Pesca. Ao que parece, há mesmo muitos furos nessa rede. Entre janeiro e abril deste ano, o valor pago aos pescadores artesanais chegou a R$ 4 bilhões, 57% superior ao montante desembolsado nos quatro primeiros meses de 2024.

#Ministério da Pesca

Frubana deixa o Brasil, mas ainda tem contas a pagar

15/08/2025
  • Share

Nem tudo é prosperidade no mercado de delivery no Brasil. Em meio ao investimento recorde do iFood, à chegada da chinesa Meituan e ao retorno da 99Foods, a colombiana Frubana encerrou suas atividades no país deixando para trás pendências financeiras. O que se diz no mercado é que a plataforma de entrega de itens de supermercados teria acumulado dívidas com parceiros comerciais e processos trabalhistas. Ao todo, a startup tinha cerca de 500 funcionários no país. A Frubana se notabilizou por seu revés multilateral. Mesmo após receber mais de US$ 270 milhões de pesos-pesados do venture capital, como Tiger Global, Monashees e Softbank, já havia fechado suas operações na própria Colômbia e no México. O Brasil era o último fio de esperança da plataforma de entregas se manter de pé. O RR tentou contato com o investidor Fabián Gómez Gutiérrez, fundador da Frubana, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.

#Frubana

Alexandre Silveira blinda seu candidato ao comando da ANP

15/08/2025
  • Share

A sucessão na ANP está provocando abalos sísmicos dentro da própria base governista. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD-MG), mobilizou o seu partido no Congresso para barrar a investida do PT com o objetivo de fazer do advogado Ângelo Rezende o futuro diretor-geral da agência reguladora. A indicação teria partido do senador Jaques Wagner e logo o lobby se espraiou por outros petistas. Silveira sente-se pessoalmente apunhalado pelo partido, uma vez que teve garantia do Palácio do Planalto de que fará o próximo no 1 da ANP. O ministro trabalha pela nomeação de Pietro Mendes, atual secretário de Petróleo, Gás Natural e biocombustíveis da Pasta de Minas e Energia.

#ANP

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima