O que o Boletim Focus não diz (Aliás, quando diz?) - Relatório Reservado

Economia

O que o Boletim Focus não diz (Aliás, quando diz?)

  • 21/07/2026
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Apesar das projeções dos principais indicadores macroeconômicos do Boletim Focus, divulgado nessa segunda-feira, caminharem a passos de cágado – o que não chega a ser uma novidade -, nos departamentos de pesquisas das instituições financeiras os cenários para o futuro não andam tão mornos assim. Na área do câmbio, inflação e juros, as estimativas seguem quase inalteradas. É como se: a possibilidade de mais tarifas comerciais tivesse se esfumaçado; o impacto da queda das exportações para os Estados Unidos não contasse sequer um miligrama; a declarada disposição da dupla Trump/Rubio de manter em permanente fricção o ambiente político dentro do Brasil tivesse sumido – o episódio da aprovação do greencard para Eduardo Bolsonaro parece dizer o contrário; o câmbio fosse um ente à parte; a inflação não sofresse o impacto do dólar e a virtual vitória de Lula não tivesse impacto em nenhum indicador antecedente. Do lado do câmbio e da inflação, por enquanto a boa notícia é que o Focus não capturou a proposta do programa de governo de Lula, que promete controle de capitais e aumento do salário-mínimo. Mas, na próxima rodada do Boletim, ela poderá ser levada em conta com uma mudança um pouco mais acentuada nas projeções. Ou não, já que o Focus está tão desmoralizado que pode manter suas estimativas por saecula saeculorum, amém.  

O coordenador do programa de governo Lula, o ex-presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, também anunciou intenções de ajuste fiscal. Mas praticamente nada pelo lado da despesa. Jogou na mesa cartas nas quais ninguém acredita: parte do equilíbrio das contas públicas virá pelo lado das emendas parlamentares e dos juros. Mesmo que ninguém leve fé no Focus, o Boletim projeta uma Selic de 14% para o fim deste ano. Com o cenário que se apresenta mais à frente, talvez seja o único quesito no qual se deva acreditar no oráculo banguela. Nesse caso, teríamos o Desenrola 3, a missão. Ah, mais um dado que chama a atenção: o Boletim prevê um PIB de 1,99% em dezembro, e o FMI corrigiu sua projeção para 2,4%. Se o Fundo estiver certo, continuaremos tendo crescimento, emprego e renda elevados. Mas também uma inflação mais alta, um provável ciclo de juros elevados mais duradouro e um descontrole fiscal sem precedentes.  

Em 2027, uma vez reeleito, Lula não poderá continuar jogando dinheiro de helicóptero em cima da população. Virada a página dos gastos eleitorais, o choque fiscal será inexorável. A verdade é que o Focus erra quase sempre. No ventre das casas bancárias as opções não são tão monocórdicas. Mente-se muito menos e há inteligência macroeconômica 

#Boletim Focus #Economia #Inflação

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