Arquivos América Latina - Relatório Reservado

Tag: América Latina

O que precisa ser dito

Marco Antonio Rubio, vice-rei da América Latina

21/07/2026
  • Share

Jorio Dauster, colaborador especial

Quando, no século XVI, a Espanha de hoje era a maior potência econômica do mundo ocidental, os Reis Católicos de Aragão e Castela estabeleceram duas poderosíssimas cabeças-de-ponte nas Américas: os Vice-Reinos da Nova Espanha e do Peru, com sedes respectivamente nas atuais Cidade do México e Lima. Mediante o eficaz sistema administrativo assim criado, a Coroa espanhola foi capaz de explorar ao máximo as imensas riquezas de prata e ouro encontradas nas novas colônias, bem como lucrativas monoculturas, utilizando impiedosamente as populações locais e escravos trazidos da África. 

Em meio a diversos movimentos de afirmação nacional no continente americano, em 1823 os Estados Unidos proclamaram a Doutrina Monroe com base na qual não seria mais permitida a recolonização europeia de nenhum dos países recém-independentes. Originalmente concebida como um escudo de proteção mútua, essa doutrina cedo evoluiu para justificar a expansão e o domínio geopolítico dos Estados Unidos nas Américas. E, no início do século XX, o Corolário Roosevelt (“fale manso e carregue um grande porrete”) transformou os Estados Unidos na “polícia do continente”, resultando em diversas intervenções militares que garantiram o controle econômico e político da região. Após a Segunda Grande Guerra, o risco de um avanço do comunismo a partir da Cuba de Fidel foi debelado pela Crise dos Mísseis e pela instalação de ditaduras militares em quase todos os países latino-americanos por conta das ações cuidadosamente planejadas do CIA e do Pentágono com o apoio de segmentos conservadores no seio de cada um deles. 

Com o desmonte da União Soviética e o consequente fim da Guerra Fria, Washington exerceu durante algumas décadas um controle menos conspícuo das ações ao Sul – e chegamos ao ponto de ver John Kerry, o secretário de Estado de Barack Obama e ex-candidato do Partido Democrata à Presidência da República, se dar ao luxo de declarar perante a Organização dos Estados Americanos, em novembro de 2013, que a “era da Doutrina Monroe acabou”.  

Entretanto, com a crescente maré da direita e a rápida penetração econômica da China, a máscara caiu e os Estados Unidos retomaram sua postura tradicional de supremacia com renovada virulência. Trata-se da já famosa “Doutrina Donroe” (neologismo que mistura Monroe com Donald) formalmente expressa na Estratégia de Segurança Nacional, publicada pela Casa Branca no dia 4 de dezembro de 2025, que reflete a visão imperialista do atual governo norte-americano. Só que com duas novidades.  

A primeira é que as ambições de domínio territorial agora se estendem também para o Norte, pois o Canadá é desejado como 51º estado, enquanto a Groelândia (“a big, poorly run piece of ice” nas palavras de Trump) é vista como ativo estratégico fundamental.  E a segunda consiste no fato de que já foi designado um vice-rei para a América Latina na figura de Marco Antonio Rubio. Filho de cubanos que saíram da ilha antes da ascensão de Fidel, ele nasceu em Miami há 55 anos quando seus pais nem eram ainda cidadãos norte-americanos. Formou-se como advogado em 1996 e quatro anos depois, como membro do Partido Republicano, foi eleito representante na Câmara de Representantes da Flórida (cargo equivalente ao de deputado estadual no Brasil), onde ganhou crescente importância como porta-voz da direita. Numa carreira meteórica, em 2010 foi eleito para o Senado Federal (à época um de apenas dois descendentes de latino-americanos naquela casa legislativa) e, em 2016, chegou a disputar a indicação do seu partido como candidato à Presidência da República quando Trump foi escolhido. 

Graças a suas credenciais ideológicas, foi uma escolha óbvia de Trump, em seu segundo mandato, para a secretaria de Estado, função mais tarde acumulada com a também importantíssima de Conselheiro de Segurança Nacional (“dobradinha” antes só concedida a Henry Kissinger e pela primeira vez na história oferecida a um descendente de latino-americanos). No entanto, para que não pairassem dúvidas sobre sua postura, já nas audiências perante a Comissão de Relações Exteriores do Senado que resultaram no endosso à indicação de seu nome, Rubio, entre otras cositas más, declarou que a China era “o mais potente e perigoso adversário de capacidade quase equivalente que esta nação enfrentou até hoje” e que o Partido Comunista chinês tinha “mentido, ludibriado, hackeado e roubado de nós a caminho de se tornar uma superpotência global”.  

Nessas posições cruciais, Rubio tem sido um executor fiel da diplomacia mafiosa instaurada por Trump, contribuindo para o desmonte sistemático das instituições multilaterais criadas após a Segunda Guerra Mundial e para coagir, mediante intimidações e retaliações concretas, os tradicionais aliados do país. Mas seus maiores êxitos decorrem da reimplantação ostensiva do imperialismo norte-americano no seu “quintal” hemisférico. Começando pela retomada do controle efetivo do Canal do Panamá graças à ameaça de ação militar, Rubio foi visto como o grande idealizador da incursão armada na Venezuela que, em janeiro do corrente ano, sequestrou Nicolás Maduro e sua esposa enquanto, no processo, liquidou nada menos que 32 agentes de segurança cubanos que faziam a guarda pessoal do ditador. Não admira que ele seja o presidente de facto daquele país, uma vez que foram mantidas no poder muitas figurinhas hoje bem-comportadas do velho regime chavista, pois o único interesse dos Estados Unidos não consistia na instauração da democracia, mas, sim, em controlar e explorar para seu benefício próprio as riquezas petrolíferas e minerais venezuelanas. Paralelamente, aperta-se o cerco contra Cuba, caracterizada como “ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos (!!!)”, com reiteradas indicações de que pode estar sendo planejada a invasão armada da ilha. 

Além desse retorno descarado à secular gunboat diplomacy, a dupla Trump/Rubio vem influenciando as eleições em países da região e, apenas na América do Sul, já ajudou a trazer para o campo da direita os governos de Argentina, Chile, Paraguai, Bolívia, Peru, Colômbia e Equador, sem falar na colonizada Venezuela. Agora as baterias se assestam cada vez mais em direção ao Brasil, de que são exemplos a caracterização como grupos terroristas das facções criminosas que aqui operam e o tarifaço imposto nos termos da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Contrariando todos os cânones diplomáticos, Rubio fez declarações insolentes em que, apesar de mero ministro das Relações Exteriores, criticou abertamente um chefe de Estado ao afirmar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “priorizou seu próprio ego em detrimento de um acordo que vise o bem-estar do povo brasileiro” uma vez que ele e seu governo “não negociaram com os Estados Unidos de boa fé”.  

Mas devemos estar preparados para outros ataques similares porque o secretário de Estado está acumulando capital político junto ao MAGA e, sobretudo, aos grandes doadores corporativos. Apesar de que na superfície reine a paz entre o vice-presidente Vance e Rubio, nos corredores do poder em Washington já se percebe claramente a luta surda entre os dois para ver quem será o candidato republicano à presidência em 2028, quando Trump estará constitucionalmente impedido de concorrer. E a dianteira de Vance nesta corrida, que parecia imbatível algum tempo atrás, vem diminuindo a cada sucesso de Rubio, conquanto certamente Trump – a quem caberá na verdade decidir sobre o preferido – só deva se declarar em favor de um ou de outro bem mais adiante. Não obstante, sem dúvida como parte desse combate, vimos há pouco Vance, que é um devotado católico, criticar o Papa Leão XIV por sua postura teológica no tocante à guerra contra o Irã. E muitos perguntam por que razão Trump sempre designa Vance para chefiar as negociações com os iranianos, assim poupando Rubio, quando bem sabe que aquelas tratativas têm grande probabilidade de fracassar.    

O vice-rei da América Latina, que modestamente não divulga seu nome imperial, de fato deseja sentar-se em breve no trono cercado de bilionários. 

#América Latina #Donald Trump #Marco Rubio

Startups

Tupinambá recarrega sua energia no exterior

26/08/2024
  • Share

A Tupinambá, startup criada pelo investidor Davi Bertoncello, está com as baterias carregadas. A empresa prepara-se para entrar na Colômbia e no Chile ao mesmo tempo que iniciou estudos para operar também no México. A Tupinambá criou uma plataforma que monitora, em tempo real, estações de recarga de veículos elétricos em todo o país. Até por conta do ritmo ainda lento de instalação desses equipamentos no Brasil, a internacionalização é um movimento vital para a startup criar massa crítica. A companhia já está na Argentina e no Uruguai. Entre outros investidores, a Tupinambá caiu nas graças de Rubens Ometto e da Shell. Um dos seus principais acionistas é a Raízen Power, braço de negócios de eletricidade da Raízen.

#América Latina #veículos elétricos

Mercado

Gestora chilena sobrevoa o setor de e-commerce no varejo

13/08/2024
  • Share

A chilena Falcom Asset Management está vasculhando ativos na área de e-commerce no Brasil. Sua ponta de lança no país será o recém-montado fundo Tactical Latam Equities, criado para investimentos em países da América Latina. A Falcom tem uma posição na Falabella, uma das maiores redes de varejo do Chile.

#América Latina #e-commerce #Falcom Asset Management

Energia

Geração renovável entra na mira de fundo inglês

28/05/2024
  • Share

Bizu do mercado de energia: a gestora inglesa Appian está garimpando ativos em geração renovável no Brasil. A ideia seria comprar participações em projetos já operacionais. Munição é o que não falta no coldre dos britânicos. A Appian levantou recentemente um novo fundo de US$ 2 bilhões, voltado notadamente à América Latina. Não faltam também “mercadorias” relevantes sobre o balcão. Um exemplo: a norte-americana Castlelake acaba de colocar à venda a sua carteira de ativos em geração limpa no Brasil, reunidos na Ibitu Energia. A Appian tem investimentos em mineração no Brasil: a Mineração Vale Verde, que explora cobre em Lagoas, e a Atlantic Nickel, detentora de uma das maiores minas de níquel sulfetado do mundo, na Bahia.

#América Latina #Appian #Energia Limpa

Energia

Brasil é o sol da Shangai FengLing na América Latina

2/05/2024
  • Share

Informação que circula na linha direta entre o Itamaraty e canais diplomáticos da China no Brasil: a Shanghai FengLing Renewables planeja instalar uma fábrica de equipamentos para energia solar no país. A unidade teria um importante papel geoeconômico: atenderia não apenas a demanda interna, mas a outros países da América Latina. Algo similar ao projeto de dois bilhões de euros que a Shanghai FengLing está desenvolvendo na Sérvia, com o intuito de criar um hub de exportação para mercados europeus.

#América Latina #China #Energia

Destaque

Acordo com Argentina mobiliza montadoras brasileiras

7/12/2023
  • Share

Daniel Scioli, embaixador da Argentina em Brasília, tem sido procurado, nos últimos dias, por dirigentes da indústria automobilística. A pergunta é uma só: se o futuro presidente Javier Milei vai manter ou não o acordo automotivo com o Brasil. Scioli, que permanecerá no cargo no próximo governo, vem sinalizando que a resposta é sim. Como abrir mão de um tratado comercial com o país que, neste ano, comprou mais de um terço de toda a produção automobilística argentina, como é o caso do Brasil? Do lado de cá da fronteira, a continuidade do acordo também interessa. É bem verdade que as vendas de veículos para o país vizinho engataram uma preocupante marcha a ré. Entre janeiro e novembro, caíram 15% na comparação com igual período no ano passado. A participação argentina nas exportações brasileiras de automóveis desceu ao menor nível em 30 anos. Ainda assim, no meio de uma crise sem tamanho e com uma brutal escassez de dólares, é um destino que responde por 27% das vendas das montadoras brasileiras no exterior. Ah, e mais: de uma forma sinuosa, Scioli tem feito o lobby pela moeda comercial do Brasil e Argentina. Isso resolveria o problema da falta de dólares. Mas a medida não é um “alakabum, mexicabum”. Ela tem outras implicações, que passam pelo Banco Central.

Dentro da Anfavea, o tema ganha ainda mais importância e premência pela perda de competitividade da indústria automobilística brasileira na América Latina como um todo. No ano passado, o Brasil perdeu para a China a liderança nas exportações de veículos na região. Em dez anos, o share dos asiáticos subiu de 4,6% para 21,2%, enquanto o das montadoras brasileiras caiu de 22,5% para 19,4%. De antemão, já se sabe que a diferença vai crescer neste ano: estimativas da própria Anfavea apontam para uma queda nas exportações de 12% em relação a 2022.

#América Latina #Argentina #Brasília #Daniel Scioli #embaixador #Indústria Automobilística

Empresa

Grupo indiano planeja investir em energia verde no Brasil

24/02/2023
  • Share

A indiana ReNew Power estuda se instalar no Brasil. A empresa já sinalizou ao Ministério de Minas e Energia a intenção de investir em geração eólica e solar no país. A aterrissagem em solo brasileiro se daria no âmbito de um grande projeto global dos indianos, que prevê o desembolso de mais de US$ 9 bilhões até 2025 para triplicar sua capacidade de produção de energia verde. Além da Ásia, a estratégia do grupo passa por investimentos na Europa e na América Latina. Voltagem financeira não deverá faltar: a ReNew tem entre seus acionistas a Goldman Sachs e o Canada Pension Plan Investment Board.

#América Latina #Brasil #Canada Pension Plan Investment Board #energia verde #eólica #Goldman Sachs #Ministério de Minas e Energia #ReNew #solar

Destaque

Conglomerados bancários lideram consolidação das fintechs

16/02/2023
  • Share

As fintechs não vão entrar em extinção, podem até aumentar numericamente, mas uma parcela expressiva da espécie acabará nas mãos dos grandes conglomerados bancários do país e verá reduzida sua participação no total de ativos do sistema financeiro. Os próximos meses deverão ser marcados por uma sequência de aquisições sem precedentes desde o surgimento desses bancos que não são bancos, mas são. Ou seja: a tão esperada consolidação das fintechs virá, sim, mas não exatamente entre elas, como muitos acreditavam. Há uma combinação de fatores empurrando essas instituições para o colo da banca puro-sangue, a começar pela estiagem de funding.  

Assim como as startups de uma maneira geral, as fintechs surfaram na onda de investimentos de venture capital no país. O Softbank, por exemplo, teve um papel determinante no boom do segmento, investindo em dez empresas, entre as quais Nubank e Creditas. No entanto, a maré desceu. Assim como o banco japonês, outros importantes players da indústria de VC no país têm reduzido seus aportes, caso do Tiger Global e Monashees, entre outros. Em 2022, as fintechs brasileiras captaram US$ 2,3 bilhões, 44% abaixo do valor recebido no ano anterior (US$ 4,1 bilhões). O recuo foi superior à queda de investimentos registrada na América Latina como um todo (31%). Indicadores recentes do setor apontam que algo em torno de 70% das startups do setor financeiro no país têm sido bancadas exclusivamente com recursos dos próprios acionistas fundadores. A tendência é que esse cenário se acentue ao longo deste ano, com pretensos predadores transformando-se em presas.     

O próprio Nubank ilustra bem o momento de vulnerabilidade das fintechs. Por ocasião do seu incensado IPO, em dezembro de 2021, alardeou aos quatro cantos que havia destronado a banca raiz e se tornado a instituição financeira com maior valor de mercado do Brasil – e da América Latina. À época, seu market cap chegou a US$ 41,7 bilhões, então equivalente a R$ 232,4 bilhões. Um brilho efêmero. De lá para cá, a ação do Nubank despencou a ladeira. Seu valor de mercado caiu praticamente à metade – US$ 22,5 bilhões ou aproximadamente R$ 116 bilhões. Está abaixo do Itaú e do Bradesco.    

Por outro lado, o aumento da bancarização não direcionou, conforme se imaginava, uma parcela maior dos meios de pagamento para as fintechs. O dinheiro procurou os grandes bancos, que mantêm o monopólio da percepção de segurança, uma das variáveis mais relevantes quando se trata do depósito do salário e das micro poupanças. O “entrante” no sistema bancária, com raras exceções, pertence a um público de baixa ou baixíssima renda, que quer olhar o banco na rua, saber que ele existe. Portanto, é possível fazer uma projeção de que o crescimento contínuo da bancarização aumentará a participação dos grandes conglomerados no volume total dos depósitos.  

As novas regras impostas pelo Banco Central às fintechs, que começaram a entrar em vigor no mês de janeiro e serão gradativamente implantadas até 2025, também vão impor um processo de seleção natural no setor. O arcabouço normativo elaborado pelo BC ainda está longe de eliminar as assimetrias regulatórias em relação aos bancos convencionais, sujeitos a um ordenamento muito mais rigoroso. Ainda assim, muito provavelmente uma parcela expressiva das fintechs não conseguirá atender às exigências. Trata-se de um ecossistema inteiro de instituições financeiras que nasceram e cresceram em um limbo regulatório, quase que à margem do alcance do Banco Central. Mas há importante ressalva a ser feita: o espaço de crescimento para as fintechs é imenso, porém, proporcionalmente, elas decrescerão sua participação em relação aos grandes bancos no estoque de capital do setor financeiro.  

Há cerca de quatro anos, o RR produziu um trabalho para bancos comerciais intitulado “Sistema bancário no Brasil desafio dos grandes conglomerados”. À época, apesar do incômodo demostrado na sondagem com o desequilíbrio regulatório e, consequentemente, concorrencial, os bancos convencionais consideravam que, no tempo, acabariam por absorver o impacto da enxurrada de fintechs. Não deu outra. Desde então, os grandes grupos têm feito sucessivos movimentos neste sentido. O Itaú investiu R$ 1 bilhão para comprar 50% da fintech da Totvs. No mercado, a aposta é que em algum momento, não muito distante, assuma o controle do negócio. O banco dos Setúbal adquiriu 35% da Avenue Securities, corretora digital norte-americana. O Santander incorporou 80% da Gira, especializada em recebíveis do agronegócio, e a Mobills e a Monetusespecializadas no desenvolvimento de aplicativos financeiros. O Bradesco, por sua vez, comprou empresas como a 4ward e a Aarin, focadas em meios de pagamento – a segunda por meio do Next, seu banco digital. Também cravou uma aquisição no exterior, a BCP Global, sediada em Miami. Estes são apenas alguns exemplos de fintechs que caíram na rede dos tradicionais conglomerados bancários brasileiros. Vem muito mais pela frente.    

#América Latina #Banco Central #BCP Global #Bradesco #Brasil #conglomerados bancários #Creditas #Fintechs #Itaú #Nubank #SoftBank #startups

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima