Irmãos Bolsonaro ensaiam um coro para dublar o silêncio do pai - Relatório Reservado

Política

Irmãos Bolsonaro ensaiam um coro para dublar o silêncio do pai

  • 16/07/2026
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Flavio, Carlos e Eduardo Bolsonaro discutem a possibilidade de uma exposição pública conjunta. Flavio e Carlos, lado a lado, e Eduardo, remotamente, direto dos Estados Unidos, falariam à nação para colocar um ponto final no episódio da divulgação da carta de Jair Bolsonaro ao “01”. A apresentação serviria para firmar a posição comum de que os dizeres dos três, expressos de forma coletiva, representam o pensamento do pai em relação aos destinos do país. Mais do que isso: a partir de agora, o ideário do patriarca só será expressado pela voz do trio. E a conta gotas. A premissa é avaliar com lupa que eventuais menções a Jair não tenham vinculação com a campanha eleitoral e a candidatura de Flavio. O posicionamento não seria propagandista ou ideológico, mas, para todos os efeitos, ninguém, nem mesmo a Justiça, pode cassar o direito de Bolsonaro de se preocupar com o futuro da nação, seja em que campo for – geopolítica, indústria, distribuição de renda etc. Nada teria caráter programático; tudo poderia ser aludido à inquietação de um cidadão brasileiro. A iniciativa se dá na esteira do episódio da carta de apoio a Flavio e da sua publicização. Tenha sido ela premeditada ou não, não havia outra saída para o patriarca a não ser desmentir que a mensagem foi escrita apenas para o filho, sem o objetivo de que ela viesse a ser divulgada. Era dizer isso ou voltar para a prisão. Os aliados de Flávio Bolsonaro não estrilam, mas, a começar por Valdemar Costa Neto, acham que houve um erro brutal de estratégia. Sobretudo no day after. Chegou a surgir uma versão criativa de Hamlet, na qual o “01” teria traído o pai ao revelar a carta – no original de Shakespeare quem trai o rei é o próprio irmão. A ideia conspiratória é discutível e é ruim do início ao fim.
Os Bolsonaro estão em uma saia cada vez mais justa. Do caso Vorcaro ao episódio da carta, passando pelo notório vídeo de Michelle, as paredes parecem estar se estreitando para a candidatura Flavio, vide as últimas pesquisas eleitorais. No caso da epístola de Jair a Flavio, a margem de manobra é ainda mais apertada. Os posicionamentos do candidato e de seus irmãos terão de ser extremamente bem medidos, sem caráter eleitoral explícito. Tampouco poderão pecar pela frequência. Essa seria uma forma de não exilar completamente o patriarca da política. A decisão de Alexandre de Moraes de barrar qualquer nova expressão pública do ex-presidente que possa ser interpretada como dirigida à campanha praticamente transforma o capitão em fumaça. Se correr, Moraes pega, se ficar, Michele come. O coral dos meninos, bolsonaristas consanguíneos, falando em nome do pai traz o risco de se tornar um pão quentinho para os aliados da tese de que a ex-primeira-dama é a candidata natural da direita – mesmo que seu bolsonarismo seja de tabela – para enfrentar o favorito Lula. Por ora, Michele está em uma posição confortável. Pode seguir dizendo que quer apenas cuidar do marido, que somente “reza” para o cônjuge e que aguarda o “chamado de Deus” para decidir o seu destino na política. A eleição para o Senado está garantida. A convocação divina seria a marcha rumo ao Palácio do Planalto. Já tem ao seu lado apoiadores como a senadora Damares Alves, o próprio Valdemar “nem lá, nem cá”, além de uma seita gigante de evangélicos e um exército de mulheres. O fato é que a situação cada vez mais complicada da candidatura Flávio não aceita mais falhas juvenis de estratégia política. Muito menos escrever errado em cartas de linhas tortas.

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