Invepar é a nova presa na mira do irrefreável André Esteves

Destaque

Invepar é a nova presa na mira do irrefreável André Esteves

  • 20/01/2026
    • Share

O BTG prepara o bote sobre a Invepar. Segundo o RR apurou, a instituição financeira mantém tratativas com o Banco do Brasil e o Itaú para adquirir seus créditos contra a holding de infraestrutura – cerca de R$ 446 milhões no total. Ressalte-se que o BTG já comprou R$ 200 milhões em recebíveis junto ao Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). Significa dizer que, caso feche a aquisição dos títulos em poder do BB e do Itaú, o banco de André Esteves se tornará o maior credor individual da Invepar, concentrando o equivalente a 45% da dívida total da empresa (R$ 1,5 bilhão).

Essa consolidação de créditos coloca o BTG em uma posição privilegiada e potencialmente dominante à mesa de negociação. O banco terá o poder de ditar os termos de qualquer plano de reestruturação da companhia. E, como sempre, quando mexe uma peça no tabuleiro, Esteves já mapeou todos os movimentos até o xeque-mate. Nesse caso, a jogada final pode vir de duas maneiras. Uma delas é a troca da dívida por ativos do portfólio da Invepar. Não é de hoje que há especulações sobre o interesse do BTG em assumir a concessão do aeroporto de Guarulhos. Outra possibilidade é a conversão de debt em equity, com a diluição da participação dos atuais acionistas – Previ, Petros, Funcef e fundo Yosemite – e a transferência do controle para o banco. O RR fez seguidos contatos com o BTG, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria. Também consultados, Banco do Brasil e Itaú não quiseram se pronunciar.

Já há algum tempo o BTG ensaia uma investida mais firme em concessões de infraestrutura. De outubro de 2024 para cá, participou dos leilões da Rota do Zebu (BR-262/MG), da Rota Verde (BRs-060/452/GO) e da Rota da Celulose (MS-040, MS-338, MS-395, BR-262 e BR-267). Foi derrotado em todas – o que, diga-se de passagem, até causou certa estranheza no setor, tratando-se de quem se trata. O fato é que a Invepar se apresenta como uma porta entreaberta para os interesses de André Esteves na área de infraestrutura. É mais um dos tantos territórios sobre os quais o banqueiro avança. Ao lado dos irmãos Batista, Joesley e Wesley, Esteves compõe o que existe de mais poderoso e agressivo no capitalismo brasileiro contemporâneo. Por vezes, pode-se questionar o modus operandi, mas jamais os resultados, vide a sequência e a diversidade de negócios bem-sucedidos comandados por Esteves.

No wealth management, o BTG consolidou sua liderança ao comprar o Julius Baer Brasil por cerca de R$ 615 milhões, incorporando uma base de mais de R$ 60 bilhões em ativos sob gestão e milhares de clientes de altíssima renda. Em seguida, avançou sobre a JGP Wealth, trazendo para dentro do banco aproximadamente R$ 18 bilhões adicionais em recursos administrados. Antes disso, a aquisição da Necton, anunciada em 2020, já havia agregado cerca de R$ 16 bilhões em ativos sob custódia, reforçando a musculatura do BTG na distribuição de investimentos para o público de renda média-alta e alta.

Na área de equity, um dos movimentos mais agudos de Esteves foi a recente entrada no capital da Cosan, praticamente no âmbito de uma operação de salvação do grupo. O BTG aportou R$ 4,5 bilhões no conglomerado de energia de Rubens Ometto. E, pelos termos do acordo, Esteves pode vir a se tornar controlador em seis anos, assumindo o lugar de Ometto. Não é só. O BTG tem interesse também em esticar seus tentáculos sobre a Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, em uma operação bastante similar que envolveria uma injeção de capital para reduzir a alavancagem da companhia – conforme antecipou o RR. Ainda no setor de energia, a atuação na Eneva virou um caso clássico de engenharia financeira: o banco estruturou conversões de dívida em ações, comprou ativos térmicos, reorganizou o balanço e ajudou a viabilizar operações de mercado que somaram mais de R$ 10 bilhões entre aquisições de ativos, follow-ons e emissões. Hoje, o BTG figura como maior acionista individual da Eneva.

Em special situations, o banco montou uma frenética linha de montagem. O BTG é comprador recorrente de carteiras de crédito estressado, precatórios, recebíveis inadimplentes e títulos podres, operações que frequentemente envolvem cifras de centenas de milhões ou bilhões de reais por transação. Apenas nos últimos anos, participou de aquisições de carteiras bancárias e ativos problemáticos que, somados, ultrapassam R$ 20 bilhões, seja por meio de FIDCs, fundos exclusivos ou compras diretas de crédito. A Invepar é mais um tijolinho nessa épica construção de André Esteves.

#Invepar

Leia Também

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima