É o câmbio, estúpido! Dólar pode ser a chave para a queda da inflação - Relatório Reservado

Economia

É o câmbio, estúpido! Dólar pode ser a chave para a queda da inflação

  • 1/07/2025
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Quem afirma que existe um consenso na diretoria do Banco Central em torno da ideia de que ainda haverá muito sofrimento no biênio 2025/26 para deixar a economia um pouco desentortada quase acerta. Quase. Uma das autoridades do BC considera bastante razoável a existência de um cenário alternativo para a economia, dependendo das condições políticas e notadamente do FED, que aparentemente reverteu sua disposição de elevar as taxas de juros – sim, é Donald Trump quem está dominando indiretamente a política econômica do Brasil. Mas o que têm a ver os alhos com bugalhos. É o câmbio, estupido! É por essa via que a inflação pode cair com o povo comendo a preços mais baratos; com os juros cedendo; com aumento dos investimentos, da atividade produtiva e do emprego; com redução ou estabilização da dívida interna bruta, que virou instrumento de terrorismo. Portanto, juros declinantes, para efeito do passivo bruto, têm um impacto maior do saldo primário previsto, sem com isso dizer que os dois não devam andar juntos. A recomendação do FMI para geração de um superávit primário prolongado de 3% é completamente inviável. Os juros é que têm que cair. Para efeito de registro cada um ponto percentual de aumento da dívida bruta interna representa um déficit de R$ 50 bilhões.

O deep throat do colegiado do BC mantém um olhar mais aberto para a política monetária norte-americana do que para o comportamento no curto prazo dos preços no Brasil. Há indicadores de que a carestia está amolecendo. O último resultado do IGP captou um índice bem mais baixo. O Boletim Focus aponta uma inflação algumas telhas acima do telhado, em 4,50%, e uma Selic de 12,50% no fim de 2026. O Focus costuma errar para cima. Se o câmbio ajudar, o que tudo leva a crer, todos os indicadores fundamentais da política macroeconômica descem a rampa. Nesse ambiente, a política fiscal não seria tão histérica e daria mais tempo para o governo não se restringir à estratégia tapa-buraco do arcabouço fiscal e implementar medidas “semi estruturantes” em 2026, tais como alterar os targets de inflação e a meta do resultado primário. Em alguns aspectos, mudar o próprio arcabouço fiscal.

No caso do centro da meta, há mais de quatro anos se discute se ele não deve subir de 3% para 4%. Esse seria o primeiro movimento no raiar de 2026. É um cenário cheio de condicionantes, a começar pelo câmbio e perpassando a judicialização da política fiscal, mas que permitiria reduzir a taxa de juros, ainda em 2025, de 15% para 14% ou até um pouquinho mais para baixo. E os juros, não só pelo efeito restritivo em toda a economia, têm um impacto enorme sobre as expectativas. Nesse ambiente, menos tensivo, mesmo levando em conta o período eleitoral, seria mais confortável conduzir discussões estruturantes como desvinculação da educação e saúde da arrecadação, desindexação do salário-mínimo dos benefícios salariais, revisão dos incentivos fiscais, tributação dos mais ricos, e outras questões que vão de polêmicas a explosivas. É quase um universo paralelo.

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