Crise da Cotribá acende alerta de risco sistêmico no agro gaúcho - Relatório Reservado

Empresa

Crise da Cotribá acende alerta de risco sistêmico no agro gaúcho

  • 5/01/2026
    • Share
A crise da Cotribá deixou de ser apenas um problema empresarial e entrou no radar político do Rio Grande do Sul. Segundo informações apuradas pelo RR, o próprio governador Eduardo Leite passou a atuar nos bastidores em busca de uma saída negociada para a cooperativa, diante do risco sistêmico que o colapso da empresa pode representar para o agronegócio gaúcho. A articulação envolve conversas com o Judiciário, instituições financeiras e lideranças do setor produtivo para tentar construir uma solução que preserve ativos, contratos e a capacidade operacional mínima da cooperativa.
Leite tem sido alertado de que um colapso desordenado da Cotribá pode gerar um efeito dominó sobre o crédito rural, cooperativas menores, revendas agrícolas e a renda de milhares de produtores no interior do Estado — especialmente às vésperas de um novo ciclo de safra. A preocupação do Palácio Piratini se explica pelos números envolvidos. A Cotribá é uma das maiores cooperativas agroindustriais do Estado, com mais de 10 mil produtores associados, atuação em cerca de 40 municípios, capacidade de armazenagem superior a 1,5 milhão de toneladas de grãos e papel central no escoamento da safra de soja, milho e trigo. Em anos recentes, seu faturamento anual girou na casa de R$ 6 bilhões a R$ 7 bilhões.
Com dívidas superiores a R$ 1 bilhão, a Cotribá vem tentando entrar em recuperação judicial. No entanto, a desembargadora Eliziana da Silveira Perez, da 6ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, suspendeu o processo. Com base na Lei 11.101/2005 e no código Civil, a magistrada alega ilegitimidade jurídica das cooperativas para requerer recuperação judicial. Trata-se de uma discussão antiga no Judiciário.
A questão é que a Cotribá não tem tempo a perder até que um dia os tribunais brasileiros cheguem a um consenso sobre a matéria. Em sua apelação, a companhia classifica a recuperação judicial como uma questão de “vida ou morte”. Com a decisão da desembargadora, mais de 30 bancos podem retomar bloqueios, penhoras e execuções contra a empresa.

#Eduardo Leite

Leia Também

Todos os direitos reservados 1966-2026.

Rolar para cima