Mercado
Credores da Lupatech têm muitas perguntas ainda sem resposta
Pelo andar da carruagem, a Lupatech encontrará um ambiente pouco amistoso ao se sentar frente a frente com seus credores. O pedido de recuperação extrajudicial, protocolado na semana passada, foi recebido com desconfiança entre os bancos, a exemplo de Banco do Brasil, Itaú e Santander, e debenturistas. Nos bastidores, há questionamentos à decisão da Lupatech e até mesmo ao disclosure das informações já apresentadas. Para uma companhia listada em bolsa, fornecedora da Petrobras e dona de um conjunto de subsidiárias operacionais com recebíveis recorrentes, o passivo de R$ 295 milhões parece relativamente modesto para justificar uma medida tão drástica. Uma pergunta circula no mercado: por que a empresa recorreu a uma recuperação extrajudicial em vez de buscar uma renegociação convencional com bancos, fornecedores e credores financeiros? Talvez os credores estejam vendo pelo em ovo, mas, em conversa com o RR, o executivo de um dos bancos levantou a hipótese de os problemas financeiros da Lupatech serem mais complexos do que o valor nominal do passivo indica. Os credores já se perguntam se existiriam contingências, disputas judiciais ou passivos herdados de reestruturações anteriores que continuariam pesando sobre a companhia. A Lupatech carrega um histórico particularmente traumático. Ela foi uma das empresas mais afetadas pelo colapso dos investimentos da Petrobras após a Lava Jato. Entre 2014 e 2018, viu receitas despencarem, acumulou prejuízos sucessivos, renegociou dívidas, vendeu ativos e precisou passar por sucessivas reestruturações para evitar uma deterioração ainda maior.