Com CMOC Group, China avança sobre o lítio brasileiro

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Com CMOC Group, China avança sobre o lítio brasileiro

  • 23/02/2026
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A China ensaia uma ofensiva sobre o lítio brasileiro. Há informações no mercado de que a CMOC Group (antiga China Molybdenum) planeja investir na produção do mineral estratégico no país. Um dos caminhos traçados seria uma dobradinha puro-sangue costurada diretamente por Pequim: uma associação com a BYD. A montadora chinesa já tem o mapa da mina. Literalmente. Em 2023, adquiriu direitos minerários sobre uma área de 852 hectares em Coronel Murta (MG), no Vale do Jequitinhonha, com reservas comprovadas de lítio. Com essa investida casada, a China daria um passo duplamente estratégico: a CMOC entraria como plataforma exportadora do mineral, ampliando sua presença em minerais críticos no comércio global; por sua vez, a BYD garantiria suprimento para montar uma operação integrada e verticalizada, do minério ao carro elétrico, passando pela produção de baterias. Seriam dois engenhosos modelos sob o mesmo guarda-chuva. De um lado, lítio como commodity estratégica, negociada em escala internacional; de outro, o mineral como insumo industrial cativo, vinculado à cadeia de produção de automóveis elétricos. Ou seja: uma engenharia que combinaria segurança de abastecimento, captura de valor e influência geoeconômica. Tudo junto e misturado.

Há uma Gestalt geoeconômica na qual tanto a figura quanto o fundo são ocupados por Pequim e Washington, protagonistas e contendores na corrida global por minerais críticos. Os movimentos da CMOC no Brasil ganham ainda mais peso diante das recentes cartadas de Donald Trump. No início do mês, o presidente norte-americano anunciou a criação de estoque estratégico de minérios estratégicos, com US$ 10 bilhões em financiamento inicial do Banco de Exportação e Importação dos EUA (U.S. Export-Import Bank). Quase que simultaneamente, Trump convidou o Brasil para integrar uma coalizão internacional para o fornecimento, à extração e ao refino de minerais voltados à transição energética.

A CMOC já atua em solo – e subsolo – brasileiro. Tem uma operação de nióbio e fosfatados em Catalão (GO). E, em dezembro, fechou a compra dos ativos da canadense Equinox Gold no Brasil por US$ 1 bilhão. Herdou duas empresas, a Leagold LatAm Holdings e a Luna Gold, que reúnem três minas de ouro no Brasil – Aurizona, no Maranhão; RDM, em Minas Gerais; e Fazenda Brasileiro e Santa Luz, na Bahia -, com capacidade de produção de oito toneladas. No setor, o apetite da CMOC tem alimentado especulações sobre o interesse do grupo em buscar também parcerias com mineradoras que já têm projetos avançados na extração de lítio, como Sigma Lithium e Atlas Lithium Corporation.

 

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