Buscar
Destaque
Há uma política de colonização mineral do Brasil pela China, deliberada ou espontânea, regida tão somente pelo interesse econômico ou por uma estratégia de geopolítica. A corrida dos orientais pelos insumos minerais brasileiros pode ser constatada com o número de aquisições de jazidas, áreas mineralógicas e projetos já em operação. Somente nos últimos 48 meses, os prospects e aquisições divulgados e anunciados chegaram a 11 operações.
Em uma sondagem preliminar, que remonta ao início da década, os números alcançam o dobro. A listagem desse biênio inclui empresas chinesas para todo o gosto e feitio. Estão no saco sino-mineral as seguintes companhias: MMG, BYD, China Nonferrous Metal Mining Group/Taboca, Wuhan Iron and Steel Co., Honbridge Holdings, Huaxin Clement, Bahari Still, Bohai Stell Group, Bio Gold, entre prováveis outras que não deram transparência aos seus prospects.
Essa incursão chinesa tem como pano de fundo uma disputa geoeconômica por minerais estratégicos cada vez mais acirrada. Disputa esta apimentada pelo fator Trump. No passado recente, os Estados Unidos insistiram para que o Brasil assumisse o compromisso de não restringir exportações de minerais estratégicos ou críticos. Não conseguiram.
Com Trump, essa pressão deve ser retomada. Basta ver a ferocidade do presidente norte-americano em assumir o controle sobre metade dos minerais críticos da Ucrânia.
A maior parcela dos M&A conduzidos pelos chineses no setor mineral no Brasil são no greenfield, o que exigirá investimentos pesados em infraestrutura. Um dado curioso é que no colar de projetos já em andamento, o minério de ferro consta como um dos insumos a serem explorados em 30% da mostra. Os minerais nucleares e relevantes para renovação da matriz energética, praticamente empatados com o ferro, são, segundo a ordem de interesse e andamento dos projetos: urânio, lítio, nióbio e níquel.
No caso do urânio, a decisão de permitir que a estatal Indústrias Nucleares Brasileiras (INB) possa realizar parcerias internacionais explicaria em parte o consenso chinês em relação à extração desse minério no Brasil.
Dependendo do ângulo que se enxergue, a invasão chinesa pode ser avaliada de formas diferentes: ao mesmo tempo, em que colabora para a construção de infraestrutura, aquisição de equipamentos e geração de empregos; o resultado também pode ser mais poluição ambiental, domínio territorial de minerais e estratégicos (no presente e ainda mais no futuro) e perda de soberania.
A realidade é que os chineses chegaram e não vão sair. É o que indicam os fatos.
Todos os direitos reservados 1966-2026.