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Há uma bola dividida entre o governo e dirigentes dos grandes clubes brasileiros, além da própria CBF. Segundo o RR apurou, os “cartolas” se movimentam nos bastidores do Congresso para dinamitar o projeto de lei 3.563/24, do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que propõe pesadas restrições à publicidade das empresas de bets, com apoio do Palácio do Planalto e da Fazenda. A operação de lobby é capitaneada pelo próprio presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, que conta com uma linha de frente no Senado, formada, entre outros, por Jacques Wagner (PT-BA), Eduardo Gomes (PL-TO) e Chico Rodrigues (PSB-RR), seus principais interlocutores na Casa.
O projeto de lei de Randolfe Rodrigues transforma as apostas esportivas no “novo cigarro”, ao praticamente banir a propaganda da modalidade – assim como foi feito com os produtos fumígenos em 1996. O texto prevê a proibição da “veiculação de anúncios em rádio, televisão, jornais, revistas, outdoors, internet, redes sociais e quaisquer outros meios de comunicação” e da “realização de patrocínios a eventos esportivos…, bem como a clubes, entidades, empresas…”. Esse é o ponto que faz os dirigentes calçarem chuteiras com travas altas e afiadas contra o governo. A proibição à publicidade das bets será um tiro na jugular dos clubes, quase todos com as finanças encalacradas – juntos, os chamados 12 grandes somam um passivo superior a R$ 10 bilhões.
Os sites de apostas são hoje o grande financiador do futebol brasileiro, seja sob a forma de patrocínio direto aos clubes, seja com a compra de naming rights das principais competições do país. Neste ano, os clubes da Série A vão receber das casas de apostas R$ 550,7 milhões, contabilizando-se apenas os patrocínios máster. É mais do que o dobro do valor desembolsado em 2023 (R$ 209 milhões) – conforme informou o colunista Lauro Jardim, de O Globo, no último domingo. Os quatro maiores contratos – Flamengo, Corinthians, Vasco e São Paulo – somam R$ 329 milhões, pagos, respectivamente, por PixBet, Esportes da Sorte, Betfair e Superbet.
O circuit breaker na publicidade dos sites de apostas atingiria em cheio também os cofres da abastada CBF. Estima-se que a Betano pague mais de R$ 150 milhões por ano pelos naming rights do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil.
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