04.07.16

A hora do pesadelo na repatriação

 A novela da repatriação de capital deverá ter um novo capítulo nos próximos dias. O governo vai iniciar a sua operação Stephen King, tocando o horror naqueles que ainda mantêm dúvidas se trazem ou não seus recursos do exterior. A estratégia é dar maior publicidade aos acordos que estão sendo assinados a partir dos Estados Unidos com os paraísos fiscais – de fora só ficará Liechtenstein; propalar que a partir de meados de 2017 o sistema bancário mundial estará transparente e não mais encobrirá dinheiro fugitivo; disseminar que os brasileiros que não aproveitarem a janela da anistia e forem posteriormente descobertos estarão sujeitos à devassa retroativa da sua poupança declarada no país. A ideia é estimular o pânico. Apesar do aumento das consultas aos escritórios de advocacia, têm-se verificado mais dúvidas do que compromissos firmes em trazer o dinheiro de volta – por ora, está acertado o retorno de R$ 7 bilhões. Mesmo porque persiste a expectativa de que o governo prolongue para 2017 o fechamento da janela da fortuna.  A credibilidade e o estilo imperial de Henrique Meirelles devem ser um trunfo no amedrontamento dos milionários indecisos. Meirelles não esperava uma sangria de R$ 50 bilhões com a renegociação da dívida dos estados. Apesar da pirotecnia verbal do ministro, afirmando que o teto nos gastos estaduais mitigará no tempo o efeito da dívida renegociada no déficit, a verdade é que o dinheiro não entrará no caixa do Tesouro. Na esteira desses passivos, aguarda-se uma rodada de refinanciamento de débitos municipais. O estoque de capitais disponíveis depositados no estrangeiro é previsto em torno de R$ 500 bilhões. Em uma primeira hora, ainda na gestão Joaquim Levy, acreditava-se que o dinheiro repatriado poderia chegar a R$ 100 bilhões. De lá para cá, a estimativa caiu para R$ 30 bilhões. Meirelles aposta empurrar esse número para o intervalo entre R$ 50 bilhões e R$ 80 bilhões. O medo é determinante. É a política da ameaça e do pesadelo para o resgate dos dólares expatriados.

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