Canadian Solar contesta recuperação extrajudicial da Andrade Gutierrez - Relatório Reservado

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Canadian Solar contesta recuperação extrajudicial da Andrade Gutierrez

  • 3/06/2026
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A recuperação extrajudicial da Andrade Gutierrez enfrenta o seu primeiro revés. O RR apurou que as companhias Ciranda 4, Ciranda 5 e Ciranda 6, leia-se a Canadian Solar, entraram na 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte requerendo a impugnação do pedido de REJ protocolado pela empreiteira no último dia 21 de maio. As três empresas de energia renovável alegam ter direito a receber da construtora uma dívida de R$ 189 milhões decorrente de condenação em processo na Corte Internacional de Arbitragem da Câmara de Comércio Internacional (ICC). O passivo se refere à rescisão unilateral, pela Andrade Gutierrez, de um contrato EPC — engenharia, fornecimento de equipamentos e construção — para a implantação do complexo solar Ciranda II, em Pernambuco. No entendimento do grupo canadense, a recuperação extrajudicial foi estruturada de forma a concentrar poder excessivo nas mãos de um único credor, a Vert Private Placements Companhia Securitizadora, e dificultar a cobrança de créditos já vencidos e em fase de execução judicial. Em sua petição, Ciranda 4, Ciranda 5 e Ciranda 6 sustentam que a Andrade Gutierrez agrupou artificialmente credores em situações econômicas completamente distintas dentro da mesma classe quirografária, criando uma distorção capaz de influenciar diretamente a aprovação do plano. De fato, a recuperação extrajudicial da empreiteira tem pesos e medidas um tanto quanto descalibrados. Ao anunciar sua REJ, a Andrade Gutierrez disse que 70% dos credores já haviam acolhido o pedido. Apenas se esqueceu de dizer que, a rigor, esses 70% são praticamente um único grande credor, a Vert. A securitizadora tem a receber cerca de R$ 5,2 bilhões ou 45% do passivo total da construtora – a dívida incluída na recuperação extrajudicial gira em torno de R$ 3,4 bilhões. Procurada, a Canadian Solar informou que “não se pronuncia sobre questões que estão sub judice”. O RR fez diversas tentativas de contato com a Andrade Gutierrez desde a última sexta-feira, mas não obteve retorno até o fechamento desta matéria.
Para além da ação judicial das geradoras da Canadian Solar, a recuperação extrajudicial da Andrade Gutierrez é envolta em desconfiança entre credores. Nos bastidores, bancos e detentores de títulos levantam questionamentos à performance operacional e financeira da construtora. A percepção é que, nas últimas concorrências de obras, a companhia reduziu significativamente valores de contratos para inflar seu backlog. Seria um expediente com o objetivo de aumentar a carteira contratada para apresentar aos credores uma fotografia mais robusta da operação – sabe-se lá a que custo em termos de margens e de viabilidade da execução dos projetos. Esta é a segunda recuperação extrajudicial da Andrade Gutierrez em pouco menos de quatro anos. A primeira foi homologada em novembro de 2022. E, pelo jeito, não deu resultado. A atual recuperação alcança títulos que nasceram da REJ anterior. A Andrade Gutierrez pretende renegociar bonds com vencimentos em 2029 e 2040 emitidos no âmbito do acordo de 2022, quando buscava substituir passivos que já estavam inadimplentes. Ou seja: a empreiteira está tentando reestruturar a própria reestruturação.

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