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O Mercado Livre enfrenta um dilema. A agressiva política de frete grátis tornou-se alvo de questionamentos por parte de acionistas, entre os quais Blackrock e Morgan Stanley. Se, por um lado, a medida tem impulsionado o crescimento das vendas, por outro, vem trazendo um efeito colateral indesejado, com a redução da rentabilidade. No segundo trimestre deste ano, o lucro líquido caiu 1,5% em relação a igual período em 2024, chegando a US$ 523 milhões. Em maio, o Mercado Livre atualizou suas regras de frete grátis para o Brasil, seu principal mercado, baixando ainda mais o sarrafo. O valor mínimo de compras para receber o benefício caiu de R$ 79 para R$ 19. A estratégia tem endereço certo: conter o crescimento dos grupos chineses, como Shopee, Aliexpress e Shein, no Brasil. A questão é saber por quanto tempo será possível esticar essa corda e, mais do que isso, suportar a crescente pressão dos investidores, que temem nova queda dos resultados ao longo deste semestre. Ressalte-se que há um pano de fundo neste enredo: não é de hoje que os acionistas anseiam pela retomada do pagamento de dividendos. Desde 2018, o Mercado Livre não distribui lucro entre seus acionistas.
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