Bolsonaro, quem diria, pode acabar no mercado financeiro - Relatório Reservado

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Bolsonaro, quem diria, pode acabar no mercado financeiro

  • 26/08/2024
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Se o futuro fosse hoje, Bolsonaro já estaria com ele garantido. O ex-presidente tem sido seduzido por Paulo Guedes para se juntar a ele e ao influenciador Thiago Nigro, mais conhecido como Primo Rico, fundador do Grupo Primo. Bolsonaro seria uma espécie de garoto-propaganda da plataforma de investimentos e cursos, que faturou mais de R$ 200 milhões em 2023.

Ressalte-se que o projeto é apenas para depois de 2026. Nos próximos dois anos, a missão prioritária de Bolsonaro é trabalhar pela candidatura de um dos seus à sucessão de Lula – até prova em contrário, ele está inelegível até 2030. Mas Lula também estava inelegível. Quem sabe Bolsonaro não repita o feito.  Depois das eleições, dependendo do resultado, aí, sim, Bolsonaro teria o caminho livre para se unir, ou melhor, se reunir ao “Posto Ipiranga”, emprestando sua popularidade e seu maior ativo, o próprio rosto, para propagandear os mais diversos produtos financeiros.

O ex-presidente é um “vendedor” que carrega por onde vai um mercado cativo de aproximadamente 30% do eleitorado. Outro handicap de Bolsonaro, mais especificamente, é o notório acesso aos evangélicos, um dos pilares da sua base política. Bem, para um ex-presidente da República que, logo após deixar o cargo, começou a vender camisas, pôsteres e calendários, migrar para o mercado financeiro seria um considerável upgrade.

Entre as possibilidades que crepitam na cabeça de Paulo Guedes está o lançamento de um título de capitalização. Talvez seja algum fetiche do ex-ministro.

Em 2018, durante a campanha eleitoral, ele chegou a sugerir a criação de um sistema de capitalização como alternativa ao modelo da Previdência Social. Em 2021, à frente do Ministério da Economia, voltou a levantar a mesma lebre. Na ocasião, disse que era um erro o governo ainda não ter adotado a medida e que tentaria fazer a “capitalização da Previdência” até o fim da sua gestão no Ministério.

A promessa e o cargo se foram, mas a ideia, não. Só que dessa vez o mote é outro, algo como um “papa evangélico”, alusão a uma coqueluche financeira do final século passado, o “Papa-Tudo”, título de capitalização pertencente ao controverso empresário Arthur Falk e ao jornalista Roberto Marinho. Paulo Guedes já está trabalhando com o Primo Rico, um popstar entre os influencers da área financeira – seu canal YouTube está perto de atingir os sete milhões de seguidores. Guedes é o nome-âncora do MBA em Macroeconomia e Portfolio Management, lançado pelo Grupo Primo no ano passado.

Ele vai uma vez por semana a São Paulo para gravar sua aula. A pessoas próximas afirma que recebe R$ 20 mil por mês – praticamente com a mesma veemência com que costuma dizer que só perdeu dinheiro durante os quatro anos em Brasília. A modesta cifra, tratando-se de um plenipotenciário ex-ministro da Economia, permite inferir que talvez Guedes tenha uma participação no negócio. Bem, o corpo docente foi montado a sua imagem e semelhança. Entre os professores estão também Gustavo Montezano, ex-presidente do BNDES, Adolfo Sachsida, ex-secretário de Política Econômica, e Marcos Troyjo, ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia. É praticamente uma versão acadêmica do governo Bolsonaro. Só falta mesmo o chefe.

#Jair Bolsonaro #Paulo Guedes

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